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Brasil/Estados Unidos

Investigação contra JBS mira “cartel da carne” nos EUA e coloca frigoríficos brasileiros na mira de Trump

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A investigação contra JBS ganhou força nos Estados Unidos depois que o governo Trump anunciou uma ofensiva contra suspeitas de cartel no mercado de carne bovina. O alvo envolve os quatro maiores frigoríficos que atuam no país, incluindo a brasileira JBS e a Marfrig, dona da National Beef.

O anúncio ocorreu nesta segunda-feira, 4 de maio, em coletiva no Departamento de Justiça dos EUA, em Washington. Além disso, autoridades americanas afirmaram que a apuração envolve suspeitas de formação de cartel, fixação de preços e práticas que poderiam afetar a segurança alimentar do país.

Na prática, Trump decidiu colocar o chamado “cartel da carne” no centro da política econômica americana. Portanto, a medida atinge diretamente empresas brasileiras com peso global e histórico de forte influência no setor.

Investigação contra JBS apura suspeita de cartel da carne

A investigação contra JBS faz parte de uma apuração antitruste em andamento desde novembro do ano passado. O governo americano investiga se grandes empresas manipularam preços ou limitaram a concorrência no mercado de carne bovina.

O procurador-geral interino dos Estados Unidos, Todd Blanche, afirmou que a investigação já analisou mais de 3 milhões de documentos. Além disso, autoridades ouviram centenas de pecuaristas, produtores e processadores.

Segundo Blanche, a atual estrutura do mercado e a alta concentração do setor indicam atividade anticompetitiva. No entanto, as empresas citadas ainda não sofreram condenação nesse caso.

Quatro gigantes controlam 85% do mercado de carne nos EUA

A investigação contra JBS também mira a concentração de mercado. Segundo o Departamento de Justiça e o Departamento de Agricultura dos EUA, quatro processadoras controlam mais de 85% do mercado americano de carne bovina.

A lista inclui JBS USA Holdings, Cargill, National Beef Packing e Tyson Foods. A National Beef pertence à brasileira Marfrig Global Foods, enquanto a JBS USA faz parte da multinacional brasileira JBS S.A.

Além do mais, a secretária de Agricultura, Brooke Rollins, afirmou que essas quatro empresas operam por meio de cerca de 70 subsidiárias. Consequentemente, pecuaristas americanos teriam menos opções para vender seus animais.

Governo Trump mira controle estrangeiro no setor de alimentos

O governo Trump também colocou o controle estrangeiro no debate. Duas das quatro maiores empresas do setor têm ligação direta com grupos brasileiros: JBS e National Beef.

Rollins afirmou que metade das gigantes da indústria de carne tem controle estrangeiro ou participação estrangeira relevante. Por outro lado, ela tratou esse ponto como ameaça não apenas aos produtores, mas à própria segurança nacional americana.

Esse discurso combina com a linha “America First” de Trump. Em contraste com governos que tratam globalização como dogma, a Casa Branca agora fala em proteger produtores, consumidores e cadeias estratégicas.

Navarro acusa lobby da carne e cita JBS diretamente

Peter Navarro, diretor de Comércio e Manufatura da Casa Branca, endureceu ainda mais o tom. Ele afirmou que o chamado lobby da carne, ligado a empresas brasileiras, teria ameaçado silenciosamente a Casa Branca após tarifas impostas ao Brasil.

Segundo Navarro, carregamentos de carne bovina que deveriam abastecer os Estados Unidos passaram a ir para a China depois das tarifas. Portanto, o governo americano enxerga risco comercial, político e estratégico nessa concentração.

Navarro também acusou diretamente a JBS de despejar milhões de dólares no sistema político americano. No entanto, até a publicação da reportagem da Gazeta do Povo, JBS e Marfrig não tinham respondido aos pedidos de comentário.

Preço da carne pressiona consumidor americano

A alta da carne ajuda a explicar a pressão política. Segundo dados do USDA citados na reportagem, os preços no atacado da carne bovina subiram 2,8% em março, na comparação com fevereiro.

Na comparação anual, a alta chegou a 19,7%. Além disso, a Reuters informou que o governo americano também vê a concentração do setor como parte do problema dos preços dos alimentos.

Para o consumidor, pouco importa o discurso bonito de multinacional. Se a carne sobe, a conta chega no supermercado, na lanchonete, no restaurante e na mesa da família.

Investigação contra JBS terá incentivo para delatores

A investigação contra JBS e outras empresas do setor também contará com incentivo a delatores. Todd Blanche afirmou que o Departamento de Justiça pretende pagar recompensas a pessoas que colaborarem com informações relevantes.

Segundo ele, delatores poderão receber entre 15% e 30% dos valores recuperados em casos com penalidades criminais superiores a US$ 1 milhão. Portanto, o governo quer estimular pecuaristas, compradores, processadores e insiders a entregarem provas.

Esse ponto pode mudar o ritmo da investigação. Afinal, em casos de cartel, documentos internos, mensagens e relatos de bastidores costumam pesar muito.

Caso expõe força global da JBS e risco político para brasileiros

A JBS já atua como a maior empresa de proteína animal do mundo. Entretanto, tamanho também atrai investigação, pressão regulatória e cobrança política.

Para o Brasil, o caso tem um lado incômodo. Uma empresa brasileira gigante agora aparece no centro de uma ofensiva do governo Trump sobre preços, segurança alimentar e influência estrangeira.

Em conclusão, a investigação contra JBS virou um caso de grande impacto econômico e político. Trump quer mostrar força contra o cartel da carne, enquanto frigoríficos brasileiros passam a enfrentar uma lupa pesada no mercado mais poderoso do mundo.

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