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Prisão domiciliar de Bolsonaro: Moraes manda reter celular de cozinheira durante trabalho
Prisão domiciliar de Bolsonaro ganha nova regra até para cozinheira
A prisão domiciliar de Bolsonaro ganhou mais um capítulo curioso, daqueles que mostram como a vida do ex-presidente segue vigiada nos mínimos detalhes.
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou a entrada da cozinheira da família Bolsonaro na casa onde Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar. No entanto, a autorização veio com uma condição: o celular da funcionária deve ficar com os policiais durante o expediente.
A decisão saiu na quarta-feira, 6 de maio. Além disso, ela segue o mesmo padrão aplicado a outras pessoas autorizadas a entrar na residência.
Segundo a determinação, a funcionária também precisa passar por vistoria prévia. Celulares e quaisquer aparelhos eletrônicos devem ficar em depósito com os agentes responsáveis pela segurança do local.
Ou seja, até a cozinheira entra, mas o celular fica do lado de fora.
Defesa pediu acesso diário da funcionária à residência
A defesa de Bolsonaro protocolou o pedido no mesmo dia.
Os advogados afirmaram que a autorização buscava permitir o acesso diário da cozinheira à casa, por causa das atividades de trabalho que ela já realizava no imóvel.
Portanto, o pedido tratava de uma necessidade prática da rotina doméstica.
No entanto, Moraes manteve a linha dura de controle sobre quem entra na residência.
Além disso, a decisão mostra que qualquer movimentação na casa precisa passar pelo crivo do Supremo.
Na prática, o recado é simples: mesmo uma funcionária da casa só entra com autorização formal e sem aparelho eletrônico.
Celular retido vira símbolo do controle sobre a prisão domiciliar de Bolsonaro
A retenção do celular chama atenção porque envolve uma trabalhadora que presta serviço doméstico.
Por outro lado, o STF sustenta que a presença de terceiros na residência deve ocorrer de forma excepcional e específica.
Segundo a decisão citada pelo R7, a autorização se limita a profissionais que trabalham no local, profissionais de saúde e seguranças.
Entretanto, a imagem política do caso é inevitável.
Enquanto criminosos perigosos circulam por aí com audiência de custódia e discurso de “ressocialização”, a cozinheira de Bolsonaro precisa entregar o celular para fazer comida.
Em contraste, muita gente olha para esse tipo de medida e pergunta se o objetivo é segurança ou constrangimento permanente.
Moraes já tinha negado outro pedido da defesa
Antes desse caso, a defesa de Bolsonaro tentou autorizar a entrada de Carlos Eduardo Antunes Torres.
Ele é irmão de criação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
A defesa queria que ele atuasse como cuidador do ex-presidente.
No entanto, Moraes negou o pedido.
A justificativa foi que Carlos Eduardo não possui formação na área da saúde.
Consequentemente, a residência de Bolsonaro segue com regras rígidas para qualquer pessoa que queira entrar.
E, como sempre, tudo depende de autorização judicial.
Bolsonaro segue em prisão domiciliar por questão de saúde
Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária por causa de seu estado de saúde.
Ele foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, mas obteve o regime domiciliar após quadro de broncopneumonia, segundo as reportagens.
Além disso, Bolsonaro recebeu alta hospitalar recentemente após passar por cirurgia no ombro direito.
Desde então, ele segue em casa e precisa cumprir as condições impostas pela Corte.
A equipe médica também indicou uso de tipoia e fisioterapia no processo de recuperação, segundo o R7.
Portanto, a discussão mistura saúde, segurança, Justiça e política.
E essa mistura, no Brasil de hoje, nunca vem sem polêmica.
Lei da dosimetria ainda pode mudar o cenário
A situação jurídica de Bolsonaro também pode sofrer mudança com a chamada lei da dosimetria.
Segundo a Gazeta do Povo, Bolsonaro e outros condenados aguardam a promulgação da lei, após o Congresso derrubar veto do presidente Lula.
Com isso, a pena do ex-presidente poderia cair para dois anos e quatro meses.
No entanto, tudo ainda depende de novo cálculo pela Primeira Turma do STF.
Além do mais, Moraes ainda terá de decidir se mantém o benefício da prisão domiciliar ou se Bolsonaro volta para o 19º Batalhão da Polícia Militar de Brasília, conhecido como Papudinha.
Em conclusão, a decisão sobre a cozinheira parece pequena, mas revela o tamanho do cerco em torno da rotina de Bolsonaro.
A prisão domiciliar de Bolsonaro deixou de ser apenas uma questão jurídica.
Agora, virou também um símbolo político de controle, vigilância e disputa institucional.
E, nesse roteiro brasileiro cada vez mais surreal, até o celular da cozinheira entrou no centro da notícia.