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Caso Master: Ciro Nogueira comprou triplex de R$ 22 milhões antes de emenda investigada pela PF
O Caso Master ganhou mais um capítulo daqueles que Brasília prefere explicar bem devagar. Segundo informações publicadas pelo Metrópoles e repercutidas pelo GLOBO, o senador Ciro Nogueira, do PP do Piauí, comprou uma cobertura triplex de R$ 22 milhões em São Paulo 26 dias antes de apresentar a chamada “emenda Master”.
Além disso, a compra teria ocorrido três meses depois de uma empresa da família Nogueira entrar em negócio ligado a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A Polícia Federal vê essa sequência como parte importante da investigação sobre suposta atuação do parlamentar em favor do banco.
Caso Master coloca triplex de luxo no centro da crise
O imóvel tem 514 metros quadrados e fica na Rua Oscar Freire, uma das áreas mais caras de São Paulo. Portanto, não estamos falando de qualquer quitinete esquecida no fundo do mapa.
Segundo a reportagem, o triplex fica em um prédio de luxo, ainda em fase final de construção. Além disso, a cobertura conta com três suítes e três vagas de garagem.
A aquisição ocorreu em julho de 2024, diretamente com a incorporadora RFM. No entanto, o ponto que chamou atenção foi o calendário.
Em 13 de agosto de 2024, Ciro apresentou uma emenda à PEC nº 65/2023. A proposta ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, o FGC, de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.
Emenda Master ampliava garantia para investidores
A Polícia Federal aponta que a medida atendia a um pleito do Banco Master, que já enfrentava grave crise de liquidez. Consequentemente, a emenda virou uma das peças centrais da apuração.
Segundo a PF, a assessoria do banco teria elaborado o texto, e Ciro o apresentou “de forma integral” no Senado. Além do mais, investigadores captaram uma mensagem em que Vorcaro teria dito que o texto saiu exatamente como ele mandou.
Pois é. Quando a política, o banco e o dinheiro aparecem na mesma frase, o brasileiro já sabe que vem novela longa pela frente.
PF mirou Ciro Nogueira em nova fase da investigação
Na quinta-feira, 7 de maio, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra Ciro Nogueira dentro da quinta fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas relacionadas ao Banco Master e a Daniel Vorcaro.
De acordo com decisão citada pela Reuters, a apuração indicou que Ciro teria atuado em favor de Vorcaro em troca de vantagens econômicas indevidas. Entretanto, a defesa do senador nega irregularidades e afirma que ele está à disposição das autoridades.
A PF também apura suspeitas de pagamentos mensais ao senador. Segundo a investigação mencionada nas reportagens, os valores variariam de R$ 300 mil a R$ 500 mil.
Ciro nega irregularidades e fala em pagamento pela empresa
Ciro afirmou ao Metrópoles que negociou o imóvel com a construtora e pagou tudo por meio da CNLF Empreendimentos Imobiliários. Por outro lado, essa mesma empresa aparece sob suspeita na investigação.
Segundo o senador, o acordo envolveu a entrega de outro apartamento no mesmo prédio, avaliado em R$ 8 milhões. O restante seria pago em dinheiro, de forma parcelada.
Ainda conforme Ciro, faltariam seis parcelas de R$ 336 mil e mais R$ 6,7 milhões na entrega das chaves. Além disso, ele disse que a cobertura poderia valer cerca de R$ 30 milhões quando pronta.
Caso Master também envolve troca por mansão no Jardim Europa
A reportagem ainda informa que, em março deste ano, Ciro decidiu trocar o triplex por uma casa de alto padrão no Jardim Europa. O bairro concentra mansões e imóveis caríssimos na zona oeste paulistana.
O novo imóvel teria 878 metros quadrados e projeto assinado pelo arquiteto Arthur Casas Mattos. Em contraste com a narrativa de simplicidade que políticos adoram vender em ano eleitoral, o caso envolve triplex, mansão, banco bilionário e emenda no Senado.
A negociação da mansão teria ocorrido com o empresário Antônio Rocha Neto, amigo de Ciro. Segundo a reportagem, o projeto ainda passou por alterações pedidas pelo senador e por sua namorada, Lorena Furtado.
O que pesa politicamente agora
O Caso Master coloca Ciro Nogueira em uma posição delicada. Afinal, ele preside o PP, tem forte trânsito no Congresso e já ocupou cargo de destaque no governo Bolsonaro.
No entanto, a investigação ainda precisa avançar, e ninguém deve confundir suspeita com condenação. Mesmo assim, a sequência de datas levanta perguntas óbvias.
Primeiro veio a aproximação com negócio ligado ao grupo de Vorcaro. Depois apareceu a compra milionária do triplex. Em seguida, surgiu a emenda que interessava ao Banco Master.
Portanto, a PF agora tenta responder se tudo isso foi apenas coincidência ou se havia algo maior por trás da operação. Em conclusão, Brasília ganhou mais um escândalo para chamar de seu.