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Banco Master: PF mira gestão de aliado de Ciro Nogueira por aporte milionário em Cajamar
A Operação Off-Balance colocou mais uma peça do caso Banco Master sob investigação da Polícia Federal. Desta vez, os agentes miram possíveis irregularidades em aplicações feitas pelo Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar, na Grande São Paulo.
Segundo as apurações divulgadas, a investigação envolve cerca de R$ 107 milhões investidos em quatro Letras Financeiras emitidas por bancos privados, incluindo o Banco Master. Além disso, aproximadamente R$ 87 milhões teriam sido aplicados diretamente em letras financeiras do Master.
Portanto, o caso deixa de ser apenas uma novela de banqueiros e políticos em Brasília. Agora, também envolve dinheiro de previdência municipal, ou seja, recurso que deveria proteger servidores no futuro.
Operação Off-Balance mira fundo de previdência de Cajamar
A Operação Off-Balance foi deflagrada nesta quarta-feira, 13 de maio. A Polícia Federal cumpriu seis mandados de busca e apreensão em Cajamar, Boituva e São Paulo.
As ordens partiram da 9ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Além disso, a Justiça determinou medidas cautelares de afastamento de função pública e indisponibilidade de bens.
A apuração mira ex-dirigentes do instituto previdenciário municipal. Eles são investigados por suposta gestão temerária em aplicações financeiras feitas com recursos do regime próprio de previdência dos servidores.
Investimentos ocorreram durante gestão de Danilo Joan
As aplicações ocorreram em três etapas, entre outubro e dezembro de 2023 e março de 2024. Nesse período, Cajamar era governada por Danilo Joan, atual vice-presidente estadual do PP em São Paulo.
No entanto, Danilo Joan não aparece como alvo da operação, segundo a apuração publicada. Ainda assim, a PF deve aprofundar a análise sobre o contexto administrativo em que os aportes ocorreram.
Além disso, à época, cabia ao prefeito indicar dirigentes do Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar. Esse ponto aumenta a pressão política sobre a gestão municipal.
Operação Off-Balance cita diretores investigados
A Operação Off-Balance aponta três nomes ligados aos investimentos. Segundo a reportagem, os aportes foram assinados por Luiz Henrique Miranda Teixeira, Milton Marques Dias e Marcelo Ribas de Oliveira.
Luiz Henrique ocupava a diretoria-executiva. Milton Marques Dias atuava como diretor administrativo e financeiro. Marcelo Ribas de Oliveira respondia pela área de benefícios.
Consequentemente, todos passaram a ser investigados pela Polícia Federal. A suspeita gira em torno da escolha dos produtos financeiros, do nível de risco e da proteção do patrimônio previdenciário.
R$ 87 milhões no Banco Master viraram prejuízo
Segundo as investigações divulgadas, cerca de R$ 87 milhões foram aplicados em letras financeiras do Banco Master. Com a liquidação da instituição, o instituto de Cajamar perdeu os valores investidos.
Esse é o ponto mais grave para o servidor comum. Afinal, quando um fundo previdenciário assume risco excessivo, quem pode pagar a conta é o trabalhador que depende daquele dinheiro no futuro.
Além do mais, o valor aplicado nessas letras financeiras representaria 19,56% do patrimônio líquido do regime próprio de previdência municipal, segundo cálculo citado pelo ICL Notícias.
Aliado de Ciro Nogueira entra no radar político
Danilo Joan é tratado como aliado político de Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas. O ex-prefeito participou de ato de filiação ao PP com presença de Ciro e assumiu posição de vice-presidente estadual do partido em São Paulo.
Por outro lado, a operação ocorre poucos dias depois de outra fase da Operação Compliance Zero mirar o próprio Ciro Nogueira. Naquela apuração, a PF afirmou que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, supostamente pagava valores mensais ao senador. Ciro nega as acusações.
Em contraste com o discurso de normalidade partidária, os fatos mostram uma sucessão de conexões incômodas. Banco Master, previdência municipal, aliados políticos e dinheiro público agora aparecem no mesmo tabuleiro.
Banco Master virou escândalo nacional
O Banco Master já estava no centro da Operação Compliance Zero, investigação sobre supostas fraudes financeiras, gestão fraudulenta e crimes contra o sistema financeiro. Daniel Vorcaro foi preso em fases anteriores da apuração.
Além disso, o caso ganhou dimensão política por envolver contatos, suspeitas e relações com nomes influentes de Brasília. A cada nova fase, a PF parece puxar mais um fio dessa rede.
Entretanto, a Operação Off-Balance tem uma característica especialmente sensível. Ela trata de dinheiro previdenciário municipal, não apenas de investidores privados ou disputas entre bancos.
Servidores de Cajamar merecem explicação
A pergunta central é simples: quem autorizou esses investimentos e com base em qual análise de risco? O dinheiro de servidores públicos não pode virar ficha de cassino financeiro.
Além disso, a população precisa saber se houve falha técnica, imprudência, omissão ou influência política. Se o investimento era seguro, alguém precisa explicar o prejuízo. Se não era, alguém precisa responder por isso.
Em conclusão, a Operação Off-Balance amplia o caso Banco Master e mira aplicações milionárias do fundo de previdência de Cajamar. A gestão era de um aliado de Ciro Nogueira, que não é alvo desta operação, mas aparece no contexto político do caso. Agora, cabe à PF esclarecer se o dinheiro dos servidores foi tratado com responsabilidade ou se virou mais uma peça no escândalo bilionário do Master.