Brasil
Prejuízo dos Correios explode e estatal queima R$ 1,4 milhão por hora
O prejuízo dos Correios voltou a assustar o país. A estatal fechou o primeiro trimestre de 2026 com rombo líquido de R$ 3,16 bilhões, segundo balanço financeiro divulgado pela companhia.
Prejuízo dos Correios chega a R$ 3,16 bilhões no trimestre
O resultado mostra uma deterioração de 82,3% em relação ao mesmo período de 2025.
Naquele período, os Correios já tinham registrado perda de R$ 1,72 bilhão. Portanto, a crise não nasceu agora.
No entanto, ela ganhou uma velocidade impressionante sob a atual gestão federal.
A conta é pesada. Entre janeiro e março, a estatal perdeu cerca de R$ 35 milhões por dia.
Consequentemente, o prejuízo médio chegou a aproximadamente R$ 1,4 milhão por hora. No ano anterior, a perda era de R$ 783 mil por hora.
Prejuízo dos Correios contrasta com lucro registrado em 2022
O balanço negativo mantém uma sequência ruim iniciada depois de 2022.
Naquele ano, a empresa ainda registrou superávit de R$ 216,7 milhões no primeiro trimestre. Depois disso, a estatal entrou em rota de queda.
Além disso, os Correios fecharam 2025 com prejuízo consolidado de R$ 8,5 bilhões.
Esse foi o maior prejuízo anual já registrado pela companhia. Em contraste, o rombo tinha sido de R$ 2,6 bilhões em 2024 e de R$ 328 milhões em 2023.
Receita cai e despesas disparam nos Correios
A receita bruta da estatal recuou 2,2% no trimestre.
Com isso, o faturamento ficou em R$ 4,04 bilhões. Por outro lado, as despesas financeiras explodiram.
Elas saltaram de R$ 283 milhões no primeiro trimestre de 2025 para R$ 985 milhões nos três primeiros meses de 2026.
Isso representa alta de 248%. Portanto, a empresa arrecada menos e gasta muito mais com despesas financeiras.
Encomendas e postagens internacionais também recuam
O setor de encomendas, um dos mais importantes para os Correios, também caiu.
O faturamento desse segmento recuou 5,5% e somou R$ 2,2 bilhões no trimestre. Além disso, as postagens internacionais despencaram 60,3%.
Elas passaram para R$ 156 milhões. Esse dado é grave, pois mostra perda de força em áreas estratégicas da empresa.
Enquanto empresas privadas avançam em logística, a estatal parece presa ao velho modelo de ineficiência.
Patrimônio líquido negativo aumenta pressão sobre a estatal
O patrimônio líquido dos Correios está negativo em R$ 16,2 bilhões.
Na prática, isso mostra o tamanho do buraco acumulado. Entretanto, a situação ainda fica pior quando olhamos as despesas internas.
As despesas gerais e administrativas subiram de R$ 1,2 bilhão para R$ 2,2 bilhões.
Além do mais, o valor pago em indenizações a clientes por atrasos nas entregas disparou. Ele saiu de R$ 2 milhões em março de 2025 para R$ 30,5 milhões em março de 2026.
Ações judiciais e novo endividamento preocupam
A estatal também reservou R$ 1,06 bilhão no trimestre para contingências judiciais.
Com isso, o total destinado a cobrir ações em andamento chegou a R$ 4,66 bilhões. O número envolve cerca de 23 mil processos.
No entanto, auditorias independentes apontaram incertezas sobre a suficiência desse valor provisionado, segundo a reportagem do Diário do Poder.
Para sustentar as operações e bancar o plano de reestruturação, os Correios têm recorrido ao endividamento.
O plano prevê fechamento de unidades deficitárias, venda de imóveis e revisão de contratos.
Além disso, o governo federal avalizou uma operação de crédito privado de R$ 12 bilhões com cinco instituições financeiras.
A estatal também negocia um novo empréstimo de R$ 4 bilhões com o Novo Banco de Desenvolvimento, o banco dos Brics.
Prejuízo dos Correios pode chegar perto de R$ 12 bilhões em 2026
Se a trajetória atual continuar, os Correios podem encerrar 2026 com rombo próximo de R$ 12 bilhões.
Esse cenário mostra o risco de transformar estatal em peso permanente para o contribuinte. Afinal, quando a conta não fecha, alguém paga.
E quase sempre quem paga é o brasileiro comum, via dívida, impostos ou serviços piores.
Em conclusão, o prejuízo dos Correios virou símbolo de uma velha fórmula: gestão pública inchada, receita em queda, gasto em alta e governo tentando apagar incêndio com mais endividamento.