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Fundos soberanos disparam com petróleo em alta e deixam lição dura para o Brasil
Os fundos soberanos voltaram ao centro do debate econômico mundial com a alta do petróleo, bons retornos no mercado financeiro e governos mais interessados em controlar investimentos estratégicos. Segundo a Veja, o volume global desses fundos dobrou desde 2018, saindo de US$ 7,5 trilhões para quase US$ 16 trilhões.
Esses fundos funcionam como uma poupança nacional. Países usam dinheiro do petróleo, gás, superávits comerciais e outras receitas para investir no longo prazo.
No entanto, o sucesso depende de uma regra simples: governança forte e político longe do cofre.
Fundos soberanos crescem com petróleo, gás e bolsas em alta
As guerras na Ucrânia e no Irã elevaram os preços de petróleo e gás. Consequentemente, grandes exportadores de energia aumentaram os recursos depositados em fundos soberanos.
Além disso, muitos fundos ganharam com a valorização dos ativos. A bolsa americana, por exemplo, entregou fortes retornos na última década.
O Fundo Global de Pensões do Governo da Noruega administra cerca de US$ 2 trilhões. Ele possui aproximadamente 1,5% das ações de todas as empresas listadas em bolsa no mundo.
Noruega virou modelo de gestão e transparência
A Noruega criou um dos exemplos mais respeitados do planeta. O fundo investe em ações, renda fixa, imóveis e infraestrutura de energia renovável.
Entretanto, ele aplica apenas fora da Noruega. Essa regra ajuda a evitar distorções internas e protege o fundo de interesses políticos locais.
Além do mais, o governo norueguês só pode gastar internamente o equivalente ao retorno estimado do fundo, de 3% ao ano. Portanto, existe uma trava clara contra populismo fiscal.
Fundos soberanos também viraram armas estratégicas
Fundos como Temasek, de Singapura, Mubadala, de Abu Dhabi, e PIF, da Arábia Saudita, ganharam força em setores estratégicos e tecnologia.
Recentemente, o PIF se juntou a instituições do Catar e de Abu Dhabi para apoiar a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance. A operação envolve David Ellison, aliado de Donald Trump.
Por outro lado, especialistas alertam para riscos. Alguns fundos podem buscar influência política, acesso a tecnologia e controle de ativos sensíveis.
Capitalismo de Estado ganha espaço no mundo
A Veja destaca que os fundos soberanos também refletem uma nova fase do capitalismo de Estado. Muitos governos querem participar mais dos investimentos por razões estratégicas e de segurança nacional.
No entanto, ainda existe dúvida sobre o resultado econômico dessa tendência. O Estado pode investir bem, mas também pode desperdiçar dinheiro quando mistura política, ideologia e interesses eleitorais.
Em contraste, fundos bem-sucedidos mantêm objetivo claro, transparência e foco em retorno de longo prazo.
Fundos soberanos no Brasil mostram risco de interferência política
O Brasil já teve um Fundo Soberano do Brasil, criado em 2008 com aporte de R$ 14 bilhões. Ele acabou extinto em 2018 depois de ser usado para cobrir rombos nas contas públicas.
Esse caso mostra o problema brasileiro. O país cria boas ideias, mas governos de ocasião usam o dinheiro para tapar buraco fiscal.
Além disso, o Fundo Social do pré-sal ainda enfrenta problemas de transparência. Segundo a reportagem, especialistas estimam que ele recebeu R$ 30 bilhões apenas em 2025, mas o total do capital não é divulgado.
Fundo Social do pré-sal precisa de foco
O Fundo Social deveria financiar educação, cultura, esporte, saúde, ciência, tecnologia e meio ambiente. Entretanto, seu mandato foi ampliado em 2025 para incluir Minha Casa, Minha Vida, segurança hídrica e alimentar, calamidades públicas e defesa de povos indígenas.
Agora, há um projeto no Congresso para usar o fundo em uma linha de crédito a ruralistas afetados por eventos climáticos. Para críticos, isso desvirtua os objetivos originais.
Em conclusão, os fundos soberanos provam que riqueza nacional exige disciplina. O Brasil tem petróleo, pré-sal e recursos naturais, mas precisa de transparência, responsabilidade fiscal e proteção contra o uso político do dinheiro público.