Marcos do Val pode entrar na disputa pelo Governo do Espírito Santo e ameaça redesenhar todo o cenário político capixaba
Uma movimentação silenciosa nos bastidores da política do Espírito Santo pode provocar uma das maiores reviravoltas das eleições de 2026. Em conversa exclusiva com o jornalista Max Pitangui, o senador Marcos do Val (Avante-ES) admitiu, pela primeira vez de forma objetiva, que considera disputar o Governo do Estado diante do que classifica como a ausência de um representante da “direita raiz” no cenário eleitoral.
A declaração surge em um momento considerado decisivo para a reorganização das forças políticas capixabas. Após meses de expectativa sobre qual caminho seria adotado pelo Partido Liberal (PL), a definição da legenda em apoiar o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), alterou significativamente a leitura estratégica do senador.
Segundo Marcos do Val, esse posicionamento abriu espaço para uma candidatura que represente o eleitorado conservador ideológico.
“Não temos nenhum candidato direita raiz na disputa. Eu esperei o Partido Liberal se posicionar e, como eles deixaram claro que irão apoiar o candidato do Republicanos, Lorenzo Pazolini, me vejo em total condições, sim, de disputar uma vaga ao Governo do Estado.”
A fala, obtida com exclusividade por Max Pitangui, representa um dos sinais mais claros até agora de que o senador avalia abandonar uma eventual tentativa de reeleição ao Senado para disputar o Palácio Anchieta.
Um novo eixo na disputa estadual
Caso a candidatura seja confirmada, o impacto político tende a ser imediato.
Marcos do Val construiu projeção nacional nos últimos anos, especialmente entre o eleitorado conservador, tornando-se uma das figuras mais conhecidas da direita brasileira. Com milhões de seguidores nas redes sociais, forte identificação com pautas de segurança pública e uma relação política consolidada com o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ele possui um capital político diferente dos demais nomes atualmente colocados no cenário estadual.
Nos bastidores, analistas avaliam que sua entrada mudaria completamente a dinâmica da eleição.
Hoje, Lorenzo Pazolini é frequentemente identificado como um nome de perfil mais moderado dentro do campo da centro-direita. Com o eventual ingresso de Marcos do Val, o eleitorado mais ideológico da direita passaria a contar com uma alternativa claramente posicionada nesse espectro político, ampliando a disputa por esse segmento.
O “vácuo” da direita ideológica
A avaliação feita por Marcos do Val é baseada justamente nessa percepção.
Com a retirada do ex-deputado Magno Malta da possibilidade de disputar o Governo do Estado e o alinhamento do PL ao projeto liderado por Lorenzo Pazolini, o senador entende existir um espaço político ainda não ocupado.
Sua eventual candidatura seria construída sobre três pilares principais:
representação da direita ideológica;
experiência nacional em segurança pública;
forte presença digital e comunicação direta com o eleitor.
Essa combinação poderia modificar significativamente a estratégia das demais campanhas.
O fator Bolsonaro
Outro elemento considerado decisivo é a ligação política entre Marcos do Val e Flávio Bolsonaro.
Mesmo sem uma definição sobre eventuais apoios formais durante a campanha estadual, a proximidade com uma das principais lideranças nacionais do bolsonarismo amplia a capacidade do senador de dialogar diretamente com a base conservadora.
Esse fator tende a aumentar sua competitividade caso a candidatura seja oficializada.
O tabuleiro começa a se mover
Nos bastidores, lideranças políticas já acompanham atentamente os próximos movimentos do senador.
Uma candidatura de Marcos do Val obrigaria partidos a reavaliar alianças, estratégias de comunicação, composição de chapas e distribuição do eleitorado conservador, criando um novo equilíbrio de forças na disputa pelo Governo do Espírito Santo.
Ainda não há anúncio oficial.
Mas, pela primeira vez, Marcos do Val admite publicamente que considera disputar o Palácio Anchieta.
E, se essa decisão for confirmada, a eleição de 2026 poderá entrar definitivamente em uma nova fase.
Reportagem exclusiva: Max Pitangui