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Fraude no INSS: empresário entrega organograma do esquema e delação entra na fase final

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A investigação sobre a fraude no INSS pode estar perto de ganhar um novo capítulo. O empresário Maurício Camisotti assinou acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR).

A colaboração trata do esquema de descontos associativos em contracheques de aposentados e pensionistas. Além disso, Camisotti já entregou aos investigadores um organograma detalhando como funcionaria a estrutura investigada.

Segundo informações obtidas pela CNN Brasil, a fase de depoimentos da colaboração está chegando ao fim. Camisotti já prestou pelo menos dez depoimentos aos investigadores.

O empresário aparece nas investigações da PF como operador financeiro das fraudes. O esquema investigado teria movimentado R$ 6,5 bilhões e funcionado durante pelo menos seis anos.

Fraude no INSS: empresário detalha organograma do esquema

A fraude no INSS investigada pela Polícia Federal envolve descontos associativos aplicados sobre benefícios de aposentados e pensionistas.

Camisotti detalhou aos investigadores o organograma da estrutura e indicou quem teria participado dela. Portanto, a colaboração pode ajudar a PF a reconstruir diferentes etapas da suposta engrenagem financeira.

Fontes ouvidas pela CNN afirmam que o empresário também apontou Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, como um “orquestrador” do esquema.

Camisotti e Antunes acabaram presos no mesmo dia, em dezembro de 2025, durante a Operação Sem Desconto. No entanto, a defesa de Antunes afirmou à CNN desconhecer as acusações.

A delação ainda precisa cumprir uma etapa decisiva.

Delação sobre fraude no INSS dependerá de André Mendonça

Depois do envio da colaboração, caberá ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidir se homologa o acordo.

A homologação permitirá que a colaboração avance juridicamente e poderá abrir caminho para eventual benefício ao investigado. Entretanto, a decisão dependerá da análise do ministro.

Atualmente, Camisotti permanece em uma carceragem da Polícia Federal em São Paulo.

Antes disso, ele estava em um presídio no interior paulista. A transferência ocorreu para aproximá-lo da equipe responsável pela investigação.

Além disso, André Mendonça determinou que o empresário continue nas dependências da PF em razão da delação premiada.

Investigadores dizem estar satisfeitos com delação sobre fraude no INSS

Investigadores ouvidos pela CNN demonstraram satisfação com as informações apresentadas pelo empresário.

Segundo essas fontes, a colaboração do apontado operador financeiro da fraude no INSS ajudou no avanço do inquérito. A investigação produziu dois relatórios finalizados somente neste mês.

Esses documentos resultaram em 54 indiciamentos relacionados ao chamado “núcleo operacional” do esquema.

Entre os nomes já indiciados pela PF aparece o próprio “Careca do INSS”. Além disso, a lista inclui figuras que ocuparam posições importantes na administração previdenciária.

A Polícia Federal também indiciou Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, e José Carlos Oliveira, ex-ministro da Previdência, além de outros integrantes da antiga cúpula do instituto.

Presidentes de associações de aposentados também aparecem entre os indiciados.

Camisotti não aparece entre os 54 indiciados

Apesar de ocupar posição relevante na investigação, Camisotti não entrou na lista de indiciados apresentada pela Polícia Federal.

O empresário, entretanto, permanece preso e segue colaborando com os investigadores.

Durante a operação que resultou na prisão dele, agentes da PF apreenderam mais de R$ 2 milhões em bens.

Entre os itens estavam esculturas, carros e motos de luxo. Além disso, os policiais encontraram quadros e outras obras de arte.

O volume de bens apreendidos acrescentou mais um elemento à investigação financeira sobre o caso.

Fraude no INSS: CPMI identificou repasses superiores a R$ 800 milhões

Dados analisados pela CPMI do INSS, comissão parlamentar que investigou o caso no Congresso Nacional, ampliam a dimensão financeira das suspeitas.

Segundo as informações examinadas pelos parlamentares, três entidades investigadas teriam realizado repasses que, somados, ultrapassariam R$ 800 milhões.

Desse total, aproximadamente R$ 350 milhões teriam chegado diretamente a empresas ligadas a Maurício Camisotti.

Portanto, os investigadores tentam entender não apenas quem participou da estrutura, mas também o caminho percorrido pelo dinheiro.

A delação ganha importância justamente porque Camisotti aparece na investigação como operador financeiro do esquema.

Delação pode abrir nova fase na investigação do INSS

A proximidade da conclusão dos depoimentos aumenta a expectativa sobre os próximos passos da fraude no INSS.

Depois que a colaboração chegar ao STF, André Mendonça analisará a eventual homologação. A partir disso, as informações poderão ganhar novo peso dentro da investigação.

No entanto, delação premiada não representa prova automática de culpa contra pessoas mencionadas pelo colaborador.

As autoridades precisam confrontar as declarações com documentos, movimentações financeiras, depoimentos e outras provas reunidas durante o inquérito.

Por outro lado, o organograma entregue pelo empresário pode ajudar os investigadores a identificar conexões e responsabilidades dentro da estrutura investigada.

O caso chama atenção especialmente porque envolve aposentados e pensionistas, justamente pessoas que dependem dos benefícios previdenciários para despesas básicas.

Além do mais, os valores mencionados impressionam: a PF investiga fraudes que chegariam a R$ 6,5 bilhões, enquanto dados analisados pela CPMI apontam mais de R$ 800 milhões em repasses de três entidades.

Em conclusão, a fase final da delação de Camisotti pode representar um momento importante para esclarecer quem participou, como o dinheiro circulou e qual teria sido a dimensão real do esquema.

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