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Líder da oposição no Senado não assina impeachment de Moraes e explica decisão

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O impeachment de Alexandre de Moraes ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira, 4, com uma ausência que chamou atenção dentro da própria oposição. Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, não assinou o pedido apresentado pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF).

A ausência chama ainda mais atenção porque Marinho também coordena a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Flávio, por sua vez, assinou o documento contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

No entanto, Marinho afirma que sua decisão não representa recuo na ofensiva contra Moraes. Segundo o senador, existe uma razão jurídica para não colocar seu nome no documento.

Impeachment de Alexandre de Moraes reúne 46 assinaturas

Damares Alves apresentou o pedido de impeachment de Alexandre de Moraes na quinta-feira, 3. O documento pede que o Senado dê andamento a uma denúncia por crime de responsabilidade contra o magistrado.

Ao todo, 46 parlamentares assinaram o documento até o momento da publicação da reportagem. São 33 senadores e 13 deputados federais.

Além disso, a articulação para conseguir as assinaturas ocorreu por telefone, segundo interlocutores ouvidos pela Revista Oeste. A assessoria de Rogério Marinho recebeu a relação dos parlamentares que já tinham aderido.

Como o texto já foi protocolado, novas adesões precisam ocorrer por meio de ofício separado. Portanto, o documento inicial ficou registrado com as 46 assinaturas obtidas durante a articulação.

Flávio Bolsonaro assina impeachment de Alexandre de Moraes

Entre os senadores que apoiaram o pedido estão Flávio Bolsonaro, Sergio Moro, Hamilton Mourão, Marcos Rogério, Magno Malta e Carlos Portinho. Portinho ocupa atualmente a liderança do PL no Senado.

O movimento também recebeu duas assinaturas de senadores do PSB, partido que integra a base do governo Lula. Flávio Arns, do Paraná, e Chico Rodrigues, de Roraima, aparecem entre os apoiadores.

Além do mais, nomes como Tereza Cristina, Marcos Pontes, Cleitinho, Jorge Seif, Efraim Filho, Izalci Lucas e Marcos do Val também subscreveram o pedido.

Entre os deputados estão Rodolfo Nogueira, Capitão Alberto Neto, Coronel Chrisóstomo, Capitão Alden, Marcos Pollon e Julia Zanatta. Também assinaram Alceu Moreira, Pezenti, Luisa Canziani, Dr. Luiz Ovando, Filipe Martins, Rodrigo da Zaeli e Coronel Ulysses.

Rogério Marinho explica ausência no impeachment de Alexandre de Moraes

A posição de Rogério Marinho provocou questionamentos porque o senador havia defendido uma nova iniciativa contra Moraes dias antes. Na terça-feira, 1º, ele falou publicamente sobre a apresentação de outro pedido de impeachment.

Na ocasião, Marinho disse que seria aproximadamente o 53º pedido contra o ministro. O senador também criticou a atuação de Moraes e afirmou que queria a apuração dos fatos.

Entretanto, depois da repercussão de sua ausência, a assessoria do parlamentar confirmou que ele decidiu conscientemente não assinar o documento de Damares.

Marinho argumenta que os senadores poderão atuar como julgadores caso o presidente do Senado admita o processo. Por esse motivo, ele teme que sua assinatura abra espaço para uma futura discussão sobre nulidade.

Senador diz que busca evitar brecha para anular processo

Segundo Rogério Marinho, sua estratégia busca impedir que questões processuais sejam usadas posteriormente para derrubar um eventual processo de impeachment de Alexandre de Moraes.

O senador sustenta que o atual ambiente institucional exige cautela. Por outro lado, ele afirma que continuará adotando outras medidas contra Moraes.

Marinho informou que apresentou notícia-crime à Procuradoria-Geral da República contra o ministro do STF. Nessa iniciativa, ele pediu o afastamento e a prisão de Moraes.

O parlamentar também pediu o afastamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Além disso, afirmou que solicitou à Presidência da República o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Marinho ainda informou que pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes.

Impeachment de Alexandre de Moraes ocorre em meio ao caso Master

Na nota divulgada à Revista Oeste, Rogério Marinho afirmou que considera graves as denúncias envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Ele defendeu que André Mendonça continue apurando os fatos com rigor.

Marinho também declarou que considera o atual cenário brasileiro marcado por insegurança jurídica, abuso de poder e expansão da influência do Judiciário sobre outros Poderes. Essa é a avaliação política apresentada pelo próprio senador em sua justificativa.

Consequentemente, Marinho tenta separar sua decisão de não assinar o documento de qualquer eventual apoio a Moraes. Sua explicação é justamente a de preservar juridicamente um possível processo futuro.

Estratégia divide atenção dentro da oposição

A situação cria um cenário politicamente incomum. O líder da oposição não assinou o impeachment de Alexandre de Moraes, enquanto o próprio candidato cuja campanha ele coordena colocou seu nome no pedido.

Flávio Bolsonaro aderiu ao documento junto com outros nomes importantes do PL. Em contraste, Marinho decidiu apostar em outras frentes jurídicas contra Moraes.

A justificativa apresentada pelo senador será agora analisada politicamente pela própria direita. Afinal, uma parcela expressiva da oposição considera o impeachment uma das principais respostas institucionais às recentes revelações envolvendo o STF.

No entanto, Marinho sustenta que firmeza política precisa caminhar ao lado da cautela processual. Para ele, qualquer erro poderá oferecer argumentos para questionar posteriormente a validade do procedimento.

Em conclusão, a ausência de Rogério Marinho não significa, segundo sua própria explicação, abandono da ofensiva contra Moraes. O senador afirma que continuará cobrando investigação, transparência e responsabilização, mas escolheu não integrar formalmente este pedido específico.

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