Siga-nos

Brasil

Dólar dispara mais de 12% após vitória de Lula, Bolsa despenca 17% e mercado financeiro entra em turbulência

Publicado

em

Reeleição de Lula provoca forte reação nos mercados nesta segunda-feira (26). Dólar chega a R$ 5,60, Ibovespa aciona mecanismo de emergência e juros futuros disparam diante das preocupações com as contas públicas.

O dólar disparou após a vitória de Lula (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado neste domingo (25). Na manhã desta segunda-feira (26), a moeda norte-americana chegou a subir 12,37%, alcançando R$ 5,604, enquanto a Bolsa brasileira registrou perdas expressivas.

Além disso, o Ibovespa chegou a recuar 17,34% durante as negociações, levando a B3 a acionar o mecanismo conhecido como circuit breaker. O procedimento interrompe temporariamente as operações para conter movimentos extremos do mercado financeiro.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, investidores reagiram ao resultado eleitoral e às incertezas sobre a política econômica do próximo mandato. Entretanto, os especialistas ressaltam que o comportamento dos ativos nos próximos meses dependerá das medidas fiscais anunciadas pelo governo.

Dólar dispara após vitória de Lula e chega a R$ 5,60

O mercado financeiro brasileiro iniciou a primeira sessão após as eleições presidenciais com forte instabilidade. Logo nas primeiras horas, o dólar apresentou uma valorização expressiva diante do real.

Na máxima do dia, a moeda norte-americana alcançou R$ 5,604, com alta de 12,37%. Além disso, o movimento levou a cotação aos maiores patamares desde dezembro de 2025.

Por volta das 11h25, o dólar registrava valorização de 10,26%, negociado a R$ 5,498.

A reação ocorreu depois que Lula conquistou a reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo analistas ouvidos pela Folha, parte dos investidores esperava uma vitória do candidato do PL e uma política de maior contenção dos gastos públicos.

Portanto, o resultado eleitoral provocou uma revisão rápida das expectativas sobre o futuro da economia brasileira.

Alta do dólar pode pressionar inflação e preços no Brasil

A valorização da moeda norte-americana pode produzir consequências para diferentes setores da economia.

Por exemplo, empresas que dependem de produtos importados passam a enfrentar custos maiores quando o dólar sobe. Além disso, componentes eletrônicos, máquinas, fertilizantes e combustíveis podem sofrer pressões de preço.

Consequentemente, uma desvalorização persistente do real pode contribuir para o aumento da inflação.

Entretanto, os efeitos sobre o consumidor não acontecem necessariamente de forma imediata. Eles dependem da duração da alta cambial, das condições de mercado e da capacidade das empresas de absorver os custos.

Bolsa de Valores despenca 17% após reeleição de Lula

A Bolsa de Valores brasileira também registrou uma reação intensa ao resultado das eleições presidenciais.

A B3 precisou interromper temporariamente as negociações depois que as ações apresentaram perdas acentuadas. Além disso, o acionamento do circuit breaker ocorreu pela primeira vez desde a pandemia.

As operações retornaram por volta das 10h45. Entretanto, o mercado continuou pressionado pela forte venda de ações.

Às 11h25, o Ibovespa registrava queda de 17%, aos 169.893 pontos. Na mínima da sessão, o índice chegou a recuar 17,34%.

Caso mantivesse esse patamar até o encerramento, a Bolsa caminharia para seu menor nível desde junho de 2026.

Circuit breaker: entenda por que a Bolsa interrompeu as negociações

O circuit breaker funciona como um mecanismo de proteção durante momentos de extrema volatilidade.

Quando o Ibovespa registra determinadas quedas percentuais, a B3 pode interromper temporariamente as operações. Dessa forma, o mercado ganha um intervalo para reorganizar as negociações.

Além disso, o mecanismo busca reduzir os riscos de uma sequência desordenada de vendas.

Segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, a queda reflete o aumento da aversão ao risco depois do resultado eleitoral.

A especialista explicou que a interrupção das operações procura evitar que a pressão vendedora provoque novas desvalorizações em cadeia.

Portanto, o acionamento do mecanismo representa uma resposta técnica da Bolsa à intensidade das oscilações.

Juros futuros disparam e aumentam preocupação com dívida pública

Além do dólar e da Bolsa, os juros futuros também registraram forte alta nesta segunda-feira.

Às 11h25, a taxa DI para janeiro de 2027 alcançava 13,774%, com avanço de 30 pontos-base. Entretanto, o movimento mais intenso ocorreu nos contratos de prazo mais longo.

A taxa DI para janeiro de 2031 subiu 307 pontos-base, chegando a 15,720%.

Esse comportamento reflete o aumento do prêmio de risco exigido pelos investidores. Consequentemente, o governo pode enfrentar custos maiores para financiar sua dívida pública.

Além disso, juros elevados podem encarecer empréstimos e financiamentos para empresas e consumidores.

Tesouro Nacional cancela leilões de títulos públicos

Diante da instabilidade, o Tesouro Nacional cancelou leilões de títulos prefixados e vinculados à inflação, conhecidos como IPCA+.

A decisão ocorreu em meio à elevação das taxas exigidas pelo mercado.

Quando os juros futuros aumentam, investidores passam a exigir remunerações maiores para adquirir novos títulos públicos. Portanto, a emissão de dívida pode se tornar mais cara para o governo.

Além disso, o risco-Brasil registrou alta de 22% por volta das 11h50.

Esse indicador acompanha a percepção dos investidores sobre os riscos financeiros associados ao país. Uma elevação pode dificultar a captação de recursos no exterior por empresas brasileiras e pelo setor público.

JP Morgan rebaixa recomendação para o real após vitória de Lula

O banco norte-americano JP Morgan também reagiu ao resultado das eleições brasileiras.

A instituição reduziu sua recomendação para o real e para os títulos públicos nacionais. Além disso, alterou a classificação desses ativos de overweight, equivalente a uma exposição acima da referência, para marketweight, exposição próxima à referência.

Segundo Vinicius Moreira e sua equipe, a reeleição de Lula surpreendeu parte do mercado e exige uma revisão das avaliações sobre os investimentos brasileiros.

Os analistas também citaram preocupações relacionadas à postura da oposição após Flávio Bolsonaro não reconhecer a derrota.

Além disso, mencionaram incertezas sobre a composição do novo governo e as futuras decisões econômicas.

BTG Pactual projeta novas pressões sobre dólar e Ibovespa

O BTG Pactual apresentou uma avaliação cautelosa sobre o comportamento dos ativos brasileiros nas próximas semanas.

Segundo o banco, a Bolsa pode enfrentar novas vendas de ações, com o Ibovespa chegando rapidamente à região dos 170 mil pontos.

Além disso, a instituição projetou uma possível desvalorização do real entre 10% e 15%.

Os analistas também alertaram para os efeitos dos juros elevados e das expectativas de inflação.

Entretanto, essas estimativas representam cenários de mercado, não resultados garantidos.

As decisões do Banco Central e as medidas fiscais do governo poderão modificar as expectativas ao longo dos próximos meses.

Mercado financeiro teme aumento dos gastos públicos no novo governo Lula

Entre as principais preocupações dos investidores está a possibilidade de o governo manter uma política de gastos públicos elevados.

Segundo Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, o mercado teme a continuidade de despesas elevadas, crédito subsidiado e crescimento da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

Além disso, os investidores acompanham possíveis mudanças nas políticas fiscais e na administração das contas públicas.

A avaliação de risco influencia diretamente o comportamento dos juros futuros e do câmbio.

Por outro lado, a reação inicial não determina como a economia brasileira se comportará durante todo o próximo mandato.

Pesquisa do Citibank já indicava expectativa de queda da Bolsa

Antes do segundo turno, o Citibank consultou 73 gestores de fundos de ações e multimercado sobre os possíveis efeitos do resultado eleitoral.

Entre os entrevistados, 80% esperavam que uma vitória de Lula provocasse queda superior a 5% no Ibovespa.

Além disso, 7% projetavam recuo entre 1% e 5%, enquanto 3% esperavam valorização entre 1% e 5%.

No mercado cambial, 63% dos gestores estimavam desvalorização do real superior a 5%.

Outros 28% esperavam queda entre 2% e 5% no valor da moeda brasileira. Por outro lado, 6% projetavam valorização superior a 5%.

Portanto, a pesquisa mostra que parte expressiva dos gestores consultados já antecipava uma reação negativa dos ativos brasileiros em caso de reeleição do presidente.

Suzano, Vale e Embraer registram ganhos apesar da queda da Bolsa

Apesar da forte desvalorização do Ibovespa, algumas empresas apresentaram desempenho positivo durante a sessão.

Entre elas estavam companhias exportadoras, que recebem parte relevante de suas receitas em dólares.

Por exemplo, as ações da Suzano avançavam 8,73% por volta do meio-dia. Além disso, a Vale registrava valorização de 5,62%.

Empresas como Embraer, WEG, Bradespar e Klabin também apresentavam ganhos.

A valorização do dólar pode beneficiar companhias exportadoras porque suas receitas em moeda estrangeira passam a representar mais reais.

Entretanto, o efeito depende dos custos, das dívidas e das operações de proteção cambial de cada empresa.

Bolsa havia subido 7,70% após o primeiro turno das eleições

O comportamento do mercado após o segundo turno contrastou com a reação registrada depois da primeira votação.

Na sessão seguinte ao primeiro turno, o Ibovespa avançou 7,70%, alcançando 206.911 pontos.

Além disso, o dólar caiu 4,11%, encerrando aquele pregão em R$ 5,001.

Na ocasião, parte dos investidores apostava na vitória de Flávio Bolsonaro e em uma política fiscal mais rigorosa.

Entretanto, a reeleição de Lula modificou essas expectativas, provocando uma rápida reavaliação dos ativos brasileiros.

Dólar, Bolsa e juros: o que esperar da economia após a vitória de Lula?

A forte reação dos mercados coloca a política fiscal entre os principais assuntos do novo mandato presidencial.

Investidores deverão acompanhar as primeiras declarações do governo sobre despesas públicas, arrecadação e controle da dívida.

Além disso, as decisões do Banco Central sobre a taxa Selic poderão influenciar o comportamento do dólar e dos investimentos.

Segundo João Daronco, analista da Suno Research, a intensidade da reação inicial não determina necessariamente uma tendência permanente.

O especialista considera que medidas fiscais capazes de melhorar as expectativas podem provocar uma reversão dos movimentos observados.

Portanto, embora a segunda-feira tenha começado com forte turbulência, o comportamento dos mercados dependerá das próximas decisões econômicas.

Em conclusão, a reeleição de Lula provocou uma reação imediata nos ativos brasileiros, com alta do dólar, disparada dos juros futuros e queda expressiva da Bolsa.

Os números reforçam a atenção dos investidores às contas públicas e às primeiras sinalizações do governo para o mandato que começa em 2027.

Fonte: Folha de S.Paulo, reportagem de Matheus dos Santos e Júlia Galvão, publicada em 26 de outubro de 2026, às 9h14, e atualizada às 12h16. Os valores apresentados correspondem aos horários de negociação informados na reportagem e não representam necessariamente o fechamento do mercado.

Continue Reading
Deixar um comentário

© Copyright 2021 - 2024 - Revista Brasil