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Comando Vermelho impõe “taxa da água” de até R$ 750 e obriga comércio a funcionar sob escolta policial no Ceará
O Comando Vermelho (CV), uma das maiores facções criminosas do Brasil, é apontado como responsável por um esquema de extorsão que atingiu comerciantes e distribuidores de água mineral em Banabuiú, no sertão do Ceará. As ameaças provocaram a suspensão das vendas, prejudicaram o abastecimento da população e obrigaram as autoridades a organizar entregas de água sob escolta policial.
Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles nesta segunda-feira (2), criminosos passaram a exigir pagamentos para permitir o funcionamento de estabelecimentos comerciais.
Além disso, a facção teria estabelecido cobranças semanais de até R$ 750 para empresas do setor de distribuição de água.
A situação ganhou proporções ainda mais graves quando uma escola pública municipal precisou suspender as aulas por falta de abastecimento.
Diante das ameaças, comerciantes interromperam suas atividades por medo de represálias. Consequentemente, moradores enfrentaram dificuldades para comprar um produto essencial.
Comando Vermelho impõe cobrança ilegal sobre venda de água no Ceará
A atuação atribuída ao Comando Vermelho começou a chamar a atenção das autoridades em meados de outubro.
No dia 19, um documento denominado “Edital Banabuiú” começou a circular no município. O comunicado apresentava a assinatura de um grupo identificado como “Diretoria Banabuiú”.
Segundo a investigação, o texto estabelecia que comerciantes e distribuidores somente poderiam vender água mediante autorização da organização criminosa.
Além disso, o documento ameaçava quem descumprisse as determinações impostas pelo grupo.
A facção também teria proibido a comercialização de uma marca específica de água mineral. Os criminosos ameaçavam confiscar garrafões e lacrar estabelecimentos que desrespeitassem a ordem.
Portanto, a investigação aponta uma tentativa de controlar não apenas a cobrança de valores, mas também quais produtos poderiam chegar aos consumidores.
Comerciantes receberam ameaças e cobranças de até R$ 750 por semana
Nos dias 20 e 21 de outubro, as ameaças passaram a circular também por aplicativos de mensagens.
Boletins de ocorrência registraram relatos de comerciantes que receberam exigências de pagamentos para continuar trabalhando.
Segundo a apuração, os criminosos cobravam R$ 200 em pagamentos pontuais para liberar o funcionamento de determinados estabelecimentos.
Entretanto, no setor de distribuição de água, as cobranças poderiam alcançar R$ 750 por semana.
O esquema atingiu diretamente trabalhadores e empresários que dependem da atividade comercial para garantir sua renda.
Além disso, a interrupção das vendas afetou moradores que precisavam comprar água para o consumo diário.
Comércio funciona sob escolta policial após ameaças do Comando Vermelho
A gravidade da situação levou o poder público a organizar uma operação emergencial para restabelecer o abastecimento de água mineral.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) passou a atuar em conjunto com a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece).
O esquema começou na última sexta-feira, conforme informou a reportagem.
Além disso, as autoridades passaram a acompanhar o transporte dos garrafões para reduzir o risco de novas ameaças.
A medida demonstra o impacto das ações criminosas sobre a rotina dos moradores.
Cagece e forças de segurança organizam distribuição de água
A operação emergencial funciona por meio de uma logística especial.
A Cagece recolhe os garrafões vazios nos fornecedores e organiza o transporte da carga até Banabuiú.
Durante o deslocamento, equipes policiais acompanham os veículos para garantir a chegada do produto.
Além disso, a distribuição busca atender os moradores que ficaram sem acesso regular à água mineral.
Nos últimos dias, longas filas se formaram nas ruas da cidade.
Consequentemente, a população passou a depender de uma operação acompanhada pelas forças de segurança para obter um produto básico.
Escola municipal suspendeu aulas por falta de abastecimento
Os efeitos da atuação criminosa não ficaram restritos aos estabelecimentos comerciais.
Em 21 de outubro, uma escola pública municipal precisou suspender as aulas devido à falta total de abastecimento.
A interrupção prejudicou a rotina dos estudantes e das famílias atendidas pela unidade.
Além disso, o episódio mostrou como as ameaças ao comércio podem atingir serviços públicos essenciais.
A situação ocorreu em uma região que já enfrenta dificuldades relacionadas ao abastecimento hídrico.
Portanto, as restrições impostas aos distribuidores agravaram um problema que afeta diretamente a qualidade de vida dos moradores.
Polícia prende três suspeitos de integrar esquema do Comando Vermelho
As forças de segurança iniciaram uma operação integrada para identificar os envolvidos nas extorsões.
No dia 22 de outubro, equipes policiais prenderam três suspeitos em flagrante pelos crimes de extorsão e ameaça.
A investigação utilizou relatórios de inteligência e levantamentos realizados pela Polícia Civil.
Além disso, os agentes identificaram uma possível divisão de tarefas entre os integrantes do grupo.
Segundo as autoridades, alguns investigados atuavam nas ameaças, enquanto outros cuidavam das cobranças e da administração do dinheiro.
Quem são os três suspeitos presos pela polícia?
Cícero Kevin Gomes Farias é apontado como um dos responsáveis por operações de agiotagem e empréstimos informais.
Segundo a investigação, ele utilizaria a estrutura armada da facção para cobrar dívidas. Além disso, já responde como réu por tráfico de drogas e possui indiciamento por lavagem de dinheiro.
Francisco das Chagas de Lima da Silva, conhecido como “Chico Motos”, também aparece nas investigações relacionadas a empréstimos informais.
A polícia suspeita que ele utilizava ameaças e a estrutura armada do grupo para realizar cobranças. O investigado possui condenação por tráfico de drogas e responde por receptação.
Durante uma busca em sua residência, os agentes apreenderam um revólver e munições.
Carlos Fernando da Silva Andrade é apontado como responsável pela arrecadação e administração dos valores obtidos nas extorsões.
Ele possui condenação a 11 anos de prisão por tentativa de homicídio. Além disso, registra antecedentes socioeducativos relacionados a roubo, tráfico, posse de arma e homicídio qualificado.
As atribuições descritas fazem parte da investigação e deverão ser examinadas no processo judicial.
Justiça mantém presos suspeitos de extorsão ligada ao Comando Vermelho
Após as prisões, os três investigados passaram por audiência de custódia.
As defesas solicitaram a liberdade dos acusados e sustentaram negativa de autoria.
Entretanto, o juiz Maycon Robert Moraes Tomé rejeitou os pedidos e converteu as prisões em preventivas.
Na decisão, o magistrado destacou a existência de uma estrutura organizada para exercer controle econômico sobre o município.
Além disso, apontou que o grupo apresentava funções distintas, envolvendo liderança, ameaças, cobranças e administração financeira.
Juiz aponta esquema de domínio econômico sobre moradores
O magistrado considerou que os elementos apresentados indicavam um sistema de controle sobre atividades econômicas locais.
Segundo a decisão, a estrutura criminosa funcionaria por meio de diferentes integrantes, cada um com responsabilidades específicas.
Além disso, o juiz ressaltou a gravidade das ameaças direcionadas aos comerciantes.
A decisão também mencionou o temor dos próprios policiais militares envolvidos na operação.
Os agentes solicitaram que seus nomes não aparecessem na investigação, diante do receio de represálias contra eles e seus familiares.
Consequentemente, o caso evidencia o grau de intimidação descrito pelas autoridades durante a apuração.
Polícia procura outros seis investigados ligados ao Comando Vermelho
Apesar das três prisões, a investigação ainda busca localizar outros integrantes do grupo.
Segundo a SSPDS, seis investigados conseguiram fugir e continuam procurados.
Entre eles está uma liderança local apontada como participante do esquema de extorsão.
Além disso, as autoridades identificaram informações sobre o paradeiro do suposto mandante das ações criminosas.
Suposto mandante foi localizado no Rio de Janeiro
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública do Ceará, o suposto responsável por ordenar o esquema foi localizado no Rio de Janeiro.
As autoridades cearenses iniciaram uma ação conjunta com a Polícia Civil fluminense para tentar efetuar sua captura.
Entretanto, a reportagem não informou que essa prisão já havia ocorrido.
A operação faz parte das medidas para identificar e responsabilizar os envolvidos nas ameaças contra os comerciantes.
Além disso, os investigadores procuram esclarecer a extensão da atuação do grupo no município.
Segurança pública reforça policiamento para conter atuação do Comando Vermelho
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social informou que mantém reforço policial contínuo em Banabuiú.
As equipes atuam tanto na área urbana quanto na zona rural do município.
Entre os grupos mobilizados estão o Policiamento Ostensivo Geral (POG), a Força Tática (FT) e o Motopatrulhamento.
Além disso, a secretaria afirma que os agentes realizam ações diárias para impedir novas investidas criminosas.
O objetivo é garantir condições para que comerciantes retomem suas atividades e moradores recuperem o acesso regular à água mineral.
Extorsão de comerciantes expõe desafios no combate ao crime organizado
O episódio de Banabuiú mostra como a atuação de organizações criminosas pode ultrapassar o tráfico de drogas e atingir atividades comerciais essenciais.
Segundo a investigação, os suspeitos tentaram impor regras próprias ao comércio, determinar cobranças e controlar a distribuição de produtos.
Além disso, as ameaças prejudicaram o funcionamento de uma escola e obrigaram as autoridades a criar uma operação especial de abastecimento.
O caso também levanta discussões sobre a proteção de comerciantes, o enfrentamento da extorsão e a presença das forças de segurança em municípios do interior.
Entretanto, a responsabilização individual dos investigados depende da apuração dos fatos e das decisões judiciais.
Enquanto isso, a população de Banabuiú aguarda a normalização do comércio e do fornecimento de água.
A continuidade das operações policiais será importante para restabelecer a segurança dos trabalhadores e garantir que os moradores possam acessar produtos essenciais sem a interferência de grupos criminosos.
Fonte: Metrópoles, coluna Na Mira, reportagem de Carlos Carone, publicada em 2 de novembro de 2026.