Brasil
Dívida pública federal dispara 2,61% em junho e chega a R$ 9,26 trilhões
A dívida pública federal brasileira voltou a crescer e alcançou R$ 9,268 trilhões em junho, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira (29). O estoque estava em R$ 9,032 trilhões em maio, o que representa uma alta de 2,61% em apenas um mês.
O avanço chama atenção pelo tamanho dos valores envolvidos e mantém o endividamento federal no centro das discussões sobre economia, juros e equilíbrio das contas públicas.
Além disso, os números mostram que novas emissões de títulos e a incorporação de juros contribuíram para ampliar o estoque da dívida durante junho.
Dívida pública federal alcança R$ 9,268 trilhões
A dívida pública federal reúne compromissos financeiros assumidos pela União por meio de títulos e contratos, tanto no mercado interno quanto no exterior.
Em junho, o estoque total chegou a R$ 9,268 trilhões. Em maio, o montante havia encerrado o mês em R$ 9,032 trilhões.
Portanto, o crescimento mensal de 2,61% representa uma expansão superior a R$ 200 bilhões no estoque total.
Segundo os dados publicados, o avanço ocorreu em meio à emissão líquida de títulos e à apropriação positiva de juros.
A CNN informa emissão líquida de R$ 143,3 bilhões e apropriação positiva de juros de R$ 85,16 bilhões. Entretanto, a própria reportagem apresenta R$ 142,25 bilhões em outro trecho ao tratar da emissão líquida.
Dívida pública interna também avança em junho
A dívida pública federal tem seu maior componente no mercado doméstico. A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) cresceu 2,63% durante junho.
Consequentemente, o estoque da DPMFi terminou o período em R$ 8,920 trilhões.
Esse segmento corresponde aos títulos emitidos pelo governo federal no mercado interno para financiar suas necessidades e administrar seus compromissos financeiros.
Além disso, a expansão desse estoque ocorre em um ambiente no qual juros e política fiscal permanecem entre os principais assuntos acompanhados pelo mercado financeiro.
Os dados do Tesouro, portanto, ajudam a dimensionar o tamanho dos compromissos financeiros que a União precisa administrar nos próximos anos.
Dívida pública federal externa chega a R$ 347,71 bilhões
A dívida pública federal externa também registrou crescimento. O estoque da Dívida Pública Federal externa (DPFe) avançou 2,12% sobre maio.
Com isso, o valor chegou a R$ 347,71 bilhões em junho, equivalente a US$ 67,17 bilhões.
Desse total, R$ 299,95 bilhões, ou US$ 57,94 bilhões, correspondem à dívida mobiliária.
Por outro lado, outros R$ 47,76 bilhões, equivalentes a US$ 9,23 bilhões, correspondem à dívida contratual.
Assim, tanto a parcela interna quanto a externa registraram crescimento no período analisado pelo Tesouro Nacional.
Prazo médio da dívida pública recua
Outro indicador divulgado envolve o prazo médio da dívida pública federal.
O prazo médio caiu de 4,07 anos em abril para 4,01 anos em junho.
Esse indicador mostra, de forma geral, quanto tempo o governo possui, em média, até o vencimento dos compromissos que formam o estoque da dívida.
Portanto, acompanhar esse prazo ajuda a compreender não apenas o tamanho da dívida, mas também como seus vencimentos estão distribuídos ao longo do tempo.
Além do mais, prazo, juros, composição dos títulos e reserva de liquidez fazem parte do conjunto de fatores utilizados para analisar a gestão do endividamento federal.
Reserva para pagamento da dívida sobe 11,17%
Apesar do crescimento da dívida pública federal, o Tesouro também informou uma alta expressiva na reserva de liquidez mantida para honrar os compromissos.
O chamado colchão da dívida alcançou R$ 1,346 trilhão em junho, com crescimento nominal de 11,17% em relação ao mês anterior.
Na comparação com junho do ano passado, a reserva apresentou expansão nominal de 30,60%.
Essa reserva reúne disponibilidades de caixa destinadas exclusivamente ao pagamento da dívida e recursos em caixa provenientes da emissão de títulos.
Consequentemente, o colchão funciona como uma proteção para que o Tesouro consiga enfrentar vencimentos sem depender exclusivamente de novas captações imediatas no mercado.
No nível registrado em junho, a reserva garante recursos suficientes para pagar os próximos 8,33 meses de vencimentos da dívida.
Dívida de R$ 9,26 trilhões amplia atenção sobre contas públicas
O novo patamar da dívida pública federal coloca novamente os números fiscais brasileiros sob atenção de investidores, empresas e contribuintes.
O estoque avançou de R$ 9,032 trilhões para R$ 9,268 trilhões entre maio e junho, enquanto a dívida interna chegou a R$ 8,920 trilhões.
Além disso, a dívida externa atingiu R$ 347,71 bilhões e o prazo médio caiu para 4,01 anos.
Por outro lado, o Tesouro ampliou sua reserva de liquidez para R$ 1,346 trilhão, suficiente para cobrir 8,33 meses de vencimentos.
Os números não significam, isoladamente, que o governo tenha gasto R$ 236 bilhões adicionais no mês, pois a variação do estoque também reflete emissões, resgates e juros incorporados à dívida.
Entretanto, o crescimento mantém a gestão fiscal, o custo do endividamento e a trajetória das contas públicas como temas fundamentais para a economia brasileira.