Siga-nos

Brasil

Energia nuclear no Brasil vira alvo da Rússia em ofensiva por mercado estratégico

Publicado

em

A energia nuclear no Brasil entrou no radar da Rússia com força renovada. Moscou quer ampliar sua presença no setor e já discute participar da construção de novas usinas no país.

A proposta foi apresentada por Maxim Reshetnikov, ministro do Desenvolvimento Econômico da Rússia, durante reunião da Comissão Intergovernamental Russo-Brasileira de Comércio e Cooperação Econômica, Científica e Técnica, realizada em Brasília em 25 de maio.

Portanto, o assunto vai muito além de diplomacia simpática. Trata-se de energia, tecnologia, urânio e influência geopolítica em território brasileiro.

Energia nuclear no Brasil atrai interesse da Rosatom

A estatal russa Rosatom enxerga oportunidades para crescer dentro da energia nuclear no Brasil. Segundo a agência Interfax e o portal Russia’s Pivot to Asia, Reshetnikov disse que a empresa já atende plenamente às necessidades das usinas nucleares brasileiras.

Além disso, ele afirmou que a Rosatom fornece radioisótopos usados em pesquisa científica e atendimento de saúde. Esses materiais radioativos ajudam em exames, diagnósticos e tratamentos, inclusive contra o câncer.

O ministro russo também falou em novas unidades de energia projetadas pela Rússia. Por exemplo, elas poderiam ser de grande ou pequena capacidade.

No entanto, a entrada mais forte de Moscou nesse setor precisa ser observada com cuidado. Energia nuclear não é apenas um negócio comum.

Rússia busca espaço depois das sanções do Ocidente

O movimento russo ocorre em meio à busca do Kremlin por novos mercados na América Latina, na África e na Ásia. Desde a invasão da Ucrânia, em 2022, Moscou perdeu espaço em diversos mercados ocidentais.

Consequentemente, países emergentes passaram a ganhar mais importância na estratégia russa. O Brasil, com reservas de urânio e demanda energética, aparece como peça valiosa nesse tabuleiro.

Em contraste com o discurso diplomático, existe uma disputa clara por influência. A Rússia quer vender tecnologia, manter clientes e reduzir os efeitos das sanções.

Além do mais, energia sempre foi instrumento de poder para Moscou. Quem controla combustível, tecnologia e infraestrutura estratégica ganha poder de negociação.

Parceria nuclear entre Brasil e Rússia já avançou

A parceria entre os dois países no setor nuclear não começou agora. No fim de 2022, a Tekhsnabexport, subsidiária da Rosatom, fechou contrato com a Indústrias Nucleares do Brasil.

O acordo envolve serviços de enriquecimento de urânio para produção de combustível destinado às usinas de Angra dos Reis até 2027. Outra subsidiária russa também fornece produtos isotópicos usados na medicina nuclear.

Além disso, em fevereiro deste ano, o vice-presidente Geraldo Alckmin participou do Fórum Empresarial Brasil-Rússia em Brasília ao lado do primeiro-ministro russo Mikhail Mishustin. Os dois governos defenderam ampliar a cooperação bilateral em áreas estratégicas, incluindo o uso pacífico da energia nuclear.

Portanto, o avanço russo não aparece como fato isolado. Ele faz parte de uma aproximação econômica e tecnológica mais ampla.

Energia nuclear no Brasil envolve urânio, Angra e soberania

A energia nuclear no Brasil tem peso estratégico porque o país possui uma das maiores reservas de urânio do mundo. O Brasil também domina etapas importantes do ciclo de produção do combustível nuclear.

Hoje, o país tem as usinas de Angra dos Reis como referência. No entanto, o governo também discute projetos ligados ao ciclo do combustível nuclear, à expansão da geração elétrica e a novas tecnologias do setor.

Esse ponto merece atenção. Um país que tem urânio, tecnologia e capacidade energética não deve agir como coadjuvante.

Por outro lado, parcerias internacionais podem trazer investimento e conhecimento. A pergunta é quem manda, quem lucra e quem fica dependente.

Estados Unidos tentam reduzir dependência do urânio russo

Em 2024, o Congresso dos Estados Unidos aprovou a Lei de Proibição das Importações de Urânio. A medida busca restringir compras norte-americanas do produto russo.

Entretanto, Washington manteve exceções para evitar impacto imediato no abastecimento interno. Essas permissões seguem válidas até o fim de 2027.

Segundo o CSIS, a Rússia possui pelo menos 20 unidades nucleares em construção em sete países: Bangladesh, China, Egito, Hungria, Índia, Irã e Turquia.

Esse dado mostra o tamanho da ambição russa. Moscou não quer apenas vender combustível. Ela quer participar da infraestrutura nuclear global.

Brasil precisa olhar para o interesse nacional

O Brasil mantém oficialmente um programa nuclear para fins pacíficos. O país também é signatário de acordos internacionais de não proliferação.

No entanto, a aproximação com a Rússia deve ser acompanhada com atenção por governos ocidentais. Afinal, o setor nuclear mistura energia, tecnologia, defesa indireta e diplomacia pesada.

Em conclusão, a ofensiva russa pela energia nuclear no Brasil revela uma disputa maior. O país tem recursos estratégicos e não pode tratar esse tema como simples agenda comercial.

O Brasil deve defender sua soberania, sua segurança energética e seus interesses. Se for para negociar com Moscou, Washington ou qualquer outro ator global, que seja com transparência, vantagem nacional e olhos bem abertos.

Continue Reading
Deixar um comentário

© Copyright 2021 - 2024 - Revista Brasil