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CORRUPÇÃO

Esposa de ministro de Lula é acusada de integrar maior esquema de corrupção da educação no país

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Recentemente em matéria do jornalista Hugo Marques da Revista Veja publicada nesta última sexta-feira (15), se revelou uma investigação da PF onde se detalhou um esquema que lesou em milhões de reais os cofres públicos, o inquérito do caso chega agora ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Entenda o caso.

Ainda no ano de 2015, a Controladoria-Geral da União (CGU) notou que propostas em um pregão para fornecimento de transporte escolar no Piauí foram desclassificadas sem claros motivos. Depois de uma investigação mais profunda, os especialistas viram que os preços dos vencedores estavam, em média, 40% mais altos, sugerindo que poderia ter havido um preço exagerado. A Polícia Federal foi chamada e descobriu que o contrato não apenas tinha um preço inflado, mas também estava envolvido em atividades corruptas. Durante oito anos de investigação, o Ministério Público do Piauí acusou quarenta pessoas por crimes que incluem organização criminosa, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro.

As informações detalhadas sobre esse caso foram enviadas recentemente ao STJ, e o sigilo do inquérito pode causar problemas para o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, que supervisiona os principais programas sociais do governo Lula. O ex-governador petista e agora um dos principais ministros de Lula, Wellington Dias, não está entre os acusados, mas Rejane Dias, sua esposa e ex-secretária de educação é arrolada como cabeça do esquema criminoso.

Para a Polícia Federal o que ocorreu no Piauí foi o “maior esquema criminoso nas contratações de transporte escolar no país”.

Rejane ocupou o cargo de secretária de Educação do governo do Piauí de 2015 a 2018, e as investigações mostraram evidências de que ela recebeu benefícios financeiros da quadrilha. As operações de busca e as quebras de sigilo revelaram que um irmão e um ex-assessor de Rejane estavam na lista de pagamentos do grupo criminoso.

O esquema

Basicamente, um grupo de empresários combinava preços nas licitações, usavam da maquina pública com a ajuda de funcionários do governo estadual para vencer licitações e dividiam após vitória nos pregões, os lucros.

O esquema operava da seguinte forma: locadoras de veículos eram previamente escolhidas em pregões supervisionados por funcionários da Secretaria de Educação e com o aval de Rejane dias, que manipulavam a competição. Quando a secretaria de educação recebia os recursos dos programas do governo federal para cobrir o transporte dos estudantes, simplesmente distribuíam o dinheiro com as empresas. Essas mesmas empresas subcontratavam serviços mais baratos de outras empresas, ficando com a maior parte do dinheiro sem precisar nem mesmo cumprir os trabalhos para os quais foram contratadas. A CGU estima que, em apenas um pregão fraudulento realizado em 2015 (existem outros dez processos em curso), os desvios superaram os 50 milhões de reais.

A conexão com Rejane

Usando a localização dos celulares de dois operadores financeiros, a polícia conseguiu entender melhor como funcionava o esquema. Eles perceberam algo curioso nas datas de pagamento. Quando o dinheiro entrava, os operadores iam ao banco, retiravam dinheiro, passavam pela empresa, pela casa de um dos acusados de liderar o grupo, e, por fim, iam para o condomínio onde morava Rejane Dias e o Palácio Karnak, a sede do governo local. Um relatório policial no processo indica que, enquanto Rejane estava à frente da Secretaria de Educação, ela fazia visitas frequentes, relacionadas a transações bancárias e contratos com o governo do estado do Piauí.

A polícia federal também encontrou evidências de uma relação antiga entre a esposa do ministro e um dos líderes do esquema.

Antes de assumir a posição de Secretária de Educação, Rejane foi deputada estadual pelo PT. De maneira intrigante, os veículos utilizados por seu gabinete na Assembleia Legislativa eram alugados pela mesma empresa que, posteriormente, venceu a licitação questionável dos ônibus escolares. Conforme a investigação policial, há outra situação peculiar: parte dos pagamentos do contrato de aluguel retornava a um de seus assessores parlamentar, configurando uma espécie de compartilhamento de lucros empresariais. Adicionalmente, destaca-se uma terceira coincidência: o dono da empresa é um ex-professor da Secretaria de Educação e foi filiado ao PT antes de ingressar no setor lucrativo de locação de veículos.

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