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Fim da escala 6×1 pode virar conta amarga para os trabalhadores, alerta sociólogo

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O fim da escala 6×1 voltou ao centro do debate nacional. E, segundo o sociólogo José Pastore, a conta pode sobrar justamente para quem a esquerda diz querer proteger: os trabalhadores.

Em entrevista ao programa WW, da CNN Brasil, Pastore classificou a possível mudança como um “desastre social”. Ele afirmou que os ajustes econômicos causados pela medida tendem a cair nas costas dos próprios empregados.

Além disso, o professor aposentado da USP disse que a alteração não mexe apenas com quem trabalha na escala 6×1. Ela atinge todo o setor produtivo.

Fim da escala 6×1 pode aumentar custos das empresas

O fim da escala 6×1 pode gerar um aumento abrupto de cerca de 10% na folha de salários do setor formal, segundo José Pastore.

Esse percentual assusta. Afinal, reajustes salariais comuns costumam ficar em torno de 1% ou 2% acima da inflação nas datas-base.

Portanto, o impacto não seria pequeno. As empresas precisariam reorganizar turnos, contratar mais gente ou reduzir operações para manter a produção.

No entanto, ninguém faz mágica com a planilha. Quando o custo sobe de forma artificial, alguém paga essa conta.

E, como sempre acontece no mundo real, o discurso bonito de Brasília pode virar preço alto no supermercado, demissão ou informalidade.

Preços podem subir com o fim da escala 6×1

Pastore apontou quatro caminhos prováveis para as empresas lidarem com o aumento de custos.

O primeiro seria repassar parte da conta para os preços de bens e serviços. Consequentemente, o trabalhador manteria o salário nominal, mas perderia poder de compra.

Por exemplo, se o preço do mercado sobe, o salário compra menos. Se a tarifa do ônibus aumenta, o trabalhador sente no bolso.

Essa é a parte que muitos defensores da medida preferem esconder. Não adianta prometer “mais descanso” se a vida fica mais cara no fim do mês.

Além disso, pequenos negócios teriam mais dificuldade para absorver o impacto. Padarias, lanchonetes, comércios de bairro e serviços locais podem sofrer rapidamente.

Trabalhadores mais antigos podem ser substituídos

O segundo ajuste citado por Pastore envolve a demissão de trabalhadores mais antigos e com salários maiores.

Nesse cenário, empresas poderiam trocar funcionários experientes por profissionais que ganham menos. Portanto, a medida poderia aumentar a rotatividade no mercado de trabalho.

Essa consequência atingiria especialmente trabalhadores mais velhos. Eles costumam ter salários mais altos por causa da experiência e do tempo de serviço.

No papel, o fim da escala 6×1 parece uma vitória. Entretanto, na prática, pode criar insegurança para quem já construiu carreira e depende daquele emprego.

É o tipo de solução que soa bonita no palanque, mas pesa na vida real.

Informalidade e automação entram na conta

O terceiro risco apontado por José Pastore é a migração de parte das contratações para a informalidade.

Nesse caso, o trabalhador perde proteção legal. Ele deixa de contar com direitos formais e passa a depender de acordos frágeis.

Além do mais, a quarta alternativa seria a automação. Empresas podem investir em máquinas, sistemas e processos para depender de menos funcionários.

Consequentemente, a mudança pode reduzir oportunidades de trabalho. Em vez de gerar bem-estar, ela pode acelerar cortes e diminuir vagas.

Por outro lado, parlamentares não pagam essa conta diretamente. Eles aprovam a regra, fazem discurso bonito e deixam empresários e trabalhadores resolverem o problema.

Economia local também pode sentir o impacto

Pastore também alertou para efeitos indiretos na economia.

Com a adoção da escala 5×2, trabalhadores circulariam menos durante a semana. Isso poderia reduzir a demanda por lanchonetes, transporte público e outros serviços.

Por exemplo, uma lanchonete que vende refeições para trabalhadores durante seis dias passaria a atender esse público por apenas cinco dias.

Em contraste, ela ainda poderia precisar contratar mais funcionários ou reorganizar a operação. Ou seja, teria custo maior e receita menor.

Esse ponto mostra a complexidade do tema. Não se trata apenas de trocar um dia de trabalho por um dia de folga.

Fim da escala 6×1 exige debate sério, não slogan político

O fim da escala 6×1 precisa sair do campo do slogan fácil. O país precisa discutir produção, custo, emprego, renda e sobrevivência das empresas.

José Pastore resumiu o problema ao afirmar que todos esses ajustes vão recair nas costas dos trabalhadores, não dos parlamentares.

Em conclusão, a proposta pode até parecer atraente no discurso. Porém, quando a conta chega, quem costuma pagar é o brasileiro comum.

E isso explica por que o tema exige responsabilidade. Afinal, emprego não nasce de decreto, salário não cresce por mágica e economia não funciona na base de propaganda política.

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