Brasil
Flávio Bolsonaro chama Lula de “mercadoria vencida” na Agrishow e faz duras críticas à relação do governo com o agro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, aproveitou sua participação na 31ª Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), para fazer críticas pesadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à forma como o governo federal trata o agronegócio brasileiro.
Durante coletiva de imprensa, ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Flávio afirmou que Lula virou uma “mercadoria vencida”. Além disso, disse que o petista apresenta “sinais de fadiga” no comando do país.
Flávio Bolsonaro critica Lula e defende o agronegócio brasileiro
A fala aconteceu dentro de um dos maiores palcos do setor produtivo nacional. A Agrishow 2026 ocorre de 27 de abril a 1º de maio, em Ribeirão Preto, e é apresentada pela organização como a maior feira de tecnologia agrícola da América Latina.
Flávio Bolsonaro mirou diretamente a relação do governo Lula com o agro. Segundo ele, o presidente trata o setor como vilão, quando, na visão do senador, o agronegócio representa uma das principais forças econômicas do Brasil.
O parlamentar disse que o agro está no coração da família Bolsonaro. No entanto, afirmou que o setor vem sendo tratado com desprezo pelo atual governo.
Senador diz que Lula trata o agro como inimigo
Flávio declarou que Lula “trata o agro como lixo” e acrescentou que o setor não pode ser colocado como vilão do país. Portanto, sua fala buscou reforçar o contraste entre a oposição e o governo petista diante de produtores rurais, empresários e lideranças políticas.
O senador também afirmou que o agro é “solução” para o Brasil. Por outro lado, acusou o atual presidente de agir com ódio contra diferentes setores produtivos.
A crítica não ficou apenas no campo econômico. Flávio também tentou associar a postura de Lula a um desgaste político mais amplo, sugerindo que o presidente já não teria energia para conduzir o país.
Agrishow vira palco de recado político para 2026
A presença de Flávio Bolsonaro na Agrishow também teve peso eleitoral. Afinal, o senador aparece como pré-candidato à Presidência e tenta se aproximar de partidos de centro para montar alianças em 2026.
Durante o evento, ele fez um aceno direto ao MDB. Flávio afirmou acreditar que o partido está mais próximo da centro-direita do que da esquerda.
O comentário foi feito diante de Baleia Rossi, presidente nacional do MDB, que estava na plateia. Além disso, o senador citou exemplos como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e o vice-governador paulista, Felício Ramuth, como nomes do partido que dialogam com esse campo político.
Aproximação com o MDB entra no radar da oposição
A movimentação mostra que a disputa de 2026 já começou nos bastidores. Embora o MDB costume liberar seus diretórios estaduais nas eleições presidenciais, o gesto de Flávio indica uma tentativa clara de ampliar sua base política.
Consequentemente, a Agrishow deixou de ser apenas uma vitrine do agronegócio e se transformou também em um espaço de articulação eleitoral.
Para a direita, o recado foi evidente: o agro será um dos centros da disputa contra Lula. Em contraste, o governo petista tenta administrar uma relação marcada por atritos com parte expressiva do setor produtivo.
Histórico da Agrishow expõe desconforto entre Lula e o agro
A Agrishow já registrou momentos de tensão política envolvendo o governo federal. Em 2023, a cerimônia de abertura foi cancelada após o mal-estar causado pela confirmação da presença do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em 2024, a organização mudou a estratégia. Naquele ano, realizou uma cerimônia oficial reservada, com a presença do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e do vice-presidente Geraldo Alckmin. Depois, promoveu uma abertura festiva com Bolsonaro no dia seguinte.
Portanto, a nova fala de Flávio Bolsonaro na Agrishow reforça uma sequência de episódios que mostram o distanciamento entre o lulismo e setores importantes do agronegócio.
Feira agrícola reúne tecnologia, negócios e força política
A Agrishow 2026 reúne mais de 800 marcas e recebe visitantes de mais de 50 países, segundo a própria organização. Além disso, a edição atual tem como tema “A força de nossas raízes”, destacando a inovação e a evolução do agronegócio brasileiro.
A edição de 2025 registrou R$ 14,6 bilhões em intenções de negócios e recebeu 197 mil participantes. Em conclusão, esses números ajudam a explicar por que o evento virou parada obrigatória para lideranças políticas que desejam falar com o Brasil produtivo.
Enquanto Lula enfrenta críticas de opositores por sua relação com o setor, Flávio Bolsonaro tenta ocupar esse espaço e se apresentar como alternativa alinhada ao campo, à produção e ao desenvolvimento econômico.