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Governo Lula registra maior gasto com publicidade desde 2009 e desembolsa R$ 255 milhões em seis meses

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Os gastos do governo Lula com publicidade atingiram R$ 255,3 milhões apenas no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira, 27.

O montante representa o maior valor registrado para os primeiros seis meses de um ano desde 2009, quando começou a série histórica da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). Além disso, outros R$ 584,7 milhões já foram empenhados no Orçamento de 2026 para campanhas institucionais.

Os números ganham ainda mais peso por aparecerem em pleno ano eleitoral, período em que a comunicação oficial do governo também entra no radar dos partidos de oposição.

Gastos do governo Lula com publicidade chegam a R$ 255,3 milhões

O levantamento do Estadão/Broadcast cruzou informações da Secom, do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop) e do Siga Brasil.

Os dados mostram que os gastos do governo Lula com publicidade no primeiro semestre cresceram 57% em relação ao mesmo período de 2025, considerando valores corrigidos pela inflação.

Portanto, o salto ocorreu justamente em 2026, quando Lula busca um novo mandato nas eleições presidenciais.

Além dos R$ 255,3 milhões já pagos, o governo reservou outros R$ 584,7 milhões do Orçamento deste ano para publicidade institucional. O valor empenhado representa recursos comprometidos para essa finalidade, embora isso não signifique que todo o montante já tenha sido efetivamente pago.

Desde o começo do atual mandato, em 2023, a gestão Lula já desembolsou aproximadamente R$ 1,1 bilhão em publicidade institucional da Presidência.

Gastos com publicidade superam números de governos anteriores

A comparação com administrações anteriores ajuda a dimensionar o avanço das despesas.

Em relação a 2022, último ano do governo de Jair Bolsonaro, o desembolso registrado no primeiro semestre de 2026 ficou 219% maior.

Além disso, os cerca de R$ 1,1 bilhão pagos desde o início do terceiro mandato de Lula já superam os valores registrados nas gestões de Bolsonaro, Michel Temer e Dilma Rousseff, conforme o levantamento citado pela reportagem.

Os números, no entanto, precisam considerar uma particularidade da execução orçamentária.

Segundo a Secom, apenas 17,3% do dinheiro desembolsado neste ano corresponde a despesas relativas a 2026. A secretaria afirma que parte significativa dos pagamentos quita contratos e despesas de exercícios anteriores.

Consequentemente, pagamentos realizados agora podem estar relacionados a contratos firmados nos últimos cinco anos.

Governo Lula reserva R$ 584,7 milhões para campanhas

Os gastos do governo Lula com publicidade também chamam atenção pelo volume de recursos já empenhados para campanhas institucionais ao longo de 2026.

Além dos pagamentos realizados no primeiro semestre, R$ 584,7 milhões constam como recursos empenhados no Orçamento deste ano.

A Secom sustenta que a publicidade tem como objetivo ampliar o conhecimento dos brasileiros sobre políticas públicas e serviços oferecidos pelo governo federal.

Além disso, o órgão afirma que segue os critérios estabelecidos pela legislação para a realização das campanhas.

Por outro lado, a dimensão das despesas provocou reação da oposição, sobretudo diante das regras específicas para publicidade institucional durante anos eleitorais.

Legislação eleitoral limita empenhos com publicidade

Desde 2022, a legislação eleitoral adotou um critério diferente para controlar os gastos com publicidade institucional durante anos de eleição.

A regra passou a limitar os valores empenhados, em vez de considerar somente as despesas efetivamente pagas.

Essa diferença importa porque um pagamento realizado em 2026 pode corresponder a uma obrigação assumida em outro exercício, como explicou a própria Secom.

Entretanto, os empenhos realizados no ano eleitoral entram diretamente na análise das restrições previstas pela legislação.

O debate, portanto, não envolve apenas quanto dinheiro saiu dos cofres públicos durante o primeiro semestre, mas também quanto o governo comprometeu no Orçamento para campanhas ao longo do ano.

PL aciona TSE contra publicidade do governo Lula

O aumento dos gastos do governo Lula com publicidade já provocou uma disputa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O PL acionou a Corte Eleitoral e pediu a suspensão das campanhas publicitárias promovidas pelo governo federal.

O partido argumenta que existe excesso de gastos. Além disso, a ofensiva ocorre em meio à campanha eleitoral de 2026, quando o uso da máquina pública e da publicidade institucional recebe atenção redobrada das legendas adversárias.

A Secom, entretanto, rejeita a acusação e afirma que cumpre integralmente as regras eleitorais.

Segundo a secretaria, as campanhas também respeitam as normas específicas que disciplinam a publicidade institucional do governo federal.

Secom afirma que publicidade informa população sobre serviços

Ao explicar os gastos, a Secom sustenta que os investimentos em comunicação servem para informar a população sobre serviços, programas e políticas públicas.

O governo também argumenta que os recursos seguem os critérios previstos na legislação.

Por outro lado, a oposição questiona o volume destinado à publicidade em um momento politicamente sensível, especialmente diante da proximidade das eleições.

A discussão agora chega ao TSE, que terá de lidar com o pedido apresentado pelo PL para interromper as campanhas.

Em conclusão, os números mostram uma expansão expressiva das despesas: R$ 255,3 milhões pagos no primeiro semestre, alta real de 57% sobre 2025 e crescimento de 219% em comparação com 2022.

Enquanto o governo sustenta que informa a população e cumpre a legislação, a oposição tenta barrar as campanhas na Justiça Eleitoral. O embate sobre os gastos do governo Lula com publicidade, portanto, entra de vez no cenário político das eleições de 2026.

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