Brasil
Ibovespa hoje cai com cautela política e inflação dos EUA volta a assustar o mercado
O Ibovespa hoje abriu a sexta-feira, 22, em queda, pressionado por uma mistura nada animadora: cautela política no Brasil, preocupação fiscal, guerra no Oriente Médio e dados ruins dos Estados Unidos sobre inflação e confiança do consumidor. Às 11h42, o Índice Bovespa caía 1,28%, aos 175.382,73 pontos.
O mercado financeiro, que não costuma perdoar bagunça, reagiu com desconfiança. Além disso, a queda do minério de ferro em Dalian pesou sobre ações ligadas a commodities na B3. O petróleo subia mais de 1%, no entanto, esse avanço não conseguiu impulsionar os papéis da Petrobrás.
Ibovespa hoje sente pressão da política brasileira
O Ibovespa hoje também refletiu a tensão do cenário político nacional. Segundo Pedro Moreira, sócio da One Investimentos, a maior pressão interna vinha justamente da política.
Ele citou a pesquisa Apex/Futura e a expectativa pelo Datafolha. Portanto, o mercado tentava medir a competitividade de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial deste ano.
A política brasileira, como sempre, entrou no pregão pela porta da frente. E, quando Brasília vira variável de risco, o investidor costuma pisar no freio.
Além disso, a pesquisa Apex/Futura mostrou Lula, presidente e pré-candidato à reeleição pelo PT, liderando cenários de primeiro e segundo turnos. O levantamento também foi o primeiro do instituto a captar os efeitos da divulgação do áudio em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a autobiografia de Jair Bolsonaro, chamada “Dark Horse”.
Ibovespa hoje também reage ao fiscal do governo Lula
O Ibovespa hoje caiu enquanto investidores aguardavam o relatório bimestral de receitas e despesas do governo federal. O documento estava previsto para sair às 15h, com entrevista de Bruno Moretti, do Planejamento, e Dario Durigan, da Fazenda.
Na noite anterior, Durigan afirmou que o governo aumentaria o bloqueio orçamentário. Já havia R$ 1,6 bilhão bloqueado, e esse valor seria elevado.
No entanto, Durigan disse que não haveria contingenciamento. Segundo ele, as receitas evoluíam dentro do esperado. A frase bonita é aquela de sempre: o governo promete cortar na própria carne.
O problema, entretanto, é que o mercado não vive de frase de ministro. Vive de confiança, previsibilidade e conta pública organizada.
Inflação dos EUA aumenta cautela no mercado
A queda do Ibovespa hoje também teve influência direta dos Estados Unidos. Em Nova York, as bolsas começaram em alta, mas perderam força após a divulgação do índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan.
O dado mostrou queda na confiança do consumidor norte-americano. Além disso, indicou aumento das expectativas de inflação nos prazos de um e cinco anos.
Consequentemente, investidores passaram a olhar com mais cautela para a política monetária do Federal Reserve. Por outro lado, esse cenário também complica a vida do Banco Central brasileiro e do Copom.
Quando a inflação americana ameaça voltar ao radar, os juros globais ficam mais sensíveis. E, em contraste com o discurso fácil dos governos gastadores, o mercado cobra responsabilidade.
Ibovespa hoje sofre com Oriente Médio e commodities
O Ibovespa hoje também operou sob influência da tensão no Oriente Médio. Investidores monitoravam negociações indiretas entre Estados Unidos e Irã para o fim do conflito na região.
No exterior, o governo do Paquistão ampliou esforços diplomáticos para tentar reduzir tensões entre Irã, Estados Unidos e Israel. Além do mais, fontes citadas pela reportagem informaram que o comandante do Exército paquistanês, Asim Munir, viajou para Teerã.
A Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã também informou que 35 embarcações comerciais cruzaram o Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas. Esse ponto é sensível porque qualquer ruído naquela região mexe com petróleo, frete e inflação global.
Enquanto isso, o minério de ferro recuou 0,13% em Dalian. Portanto, ações de empresas ligadas a commodities sentiram o impacto na Bolsa brasileira.
Queda do Ibovespa apaga parte da alta anterior
Na véspera, o Ibovespa havia fechado em alta de 0,17%, aos 177.649,86 pontos. Com isso, acumulava valorização semanal de 0,21%, depois de uma queda de 3,71% na semana anterior.
No entanto, a sexta-feira trouxe uma reversão forte. O índice chegou a cair 1,46% na mínima, aos 175.061,27 pontos.
Assim, o Ibovespa perdeu quase 2.600 pontos entre a máxima de 177.648,58 pontos e a mínima do dia. Para quem ainda acha que política não pesa no bolso, a Bolsa deu mais um recado claro.
Em conclusão, o pregão mostrou um mercado cercado por riscos. Inflação nos EUA, tensão internacional, dúvida fiscal e eleição presidencial formaram uma combinação pesada. E o investidor, como sempre, foi buscar abrigo antes de comprar promessa.