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Inteligência artificial enfrenta novo gargalo: não faltam chips, falta retorno econômico

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Inteligência artificial entra em nova fase no mercado

A inteligência artificial já deixou de ser apenas uma corrida por chips, data centers e capacidade computacional.

Agora, o mercado quer saber quem vai transformar IA em produtividade, lucro e retorno real.

Esse é o novo gargalo da tecnologia.

Além disso, investidores começaram a cobrar resultados concretos das gigantes de tecnologia.

Segundo o artigo do Diário do Comércio, a primeira fase da IA premiou empresas ligadas à infraestrutura.

No entanto, a próxima fase deve premiar quem souber usar essa estrutura para gerar dinheiro de verdade.

Inteligência artificial precisa provar produtividade

A inteligência artificial virou promessa bilionária no mundo corporativo.

Mas promessa não paga conta.

Empresas podem gastar fortunas com IA e, mesmo assim, não aumentar produtividade.

Portanto, o debate mudou de lugar.

Antes, todos perguntavam quem tinha os melhores chips.

Agora, a pergunta é outra: quem consegue usar a IA para produzir mais, reduzir custos e aumentar margem?

Big techs gastam bilhões e mercado cobra retorno

Amazon, Alphabet e Microsoft anunciaram planos de investimento de US$ 660 bilhões em infraestrutura de IA para 2026.

O valor representa alta de 60% sobre o ano anterior.

Além disso, o montante cresce 165% em relação a 2024.

Mesmo assim, o mercado reagiu com desconfiança.

As três companhias perderam cerca de US$ 900 bilhões em valor de mercado após os anúncios.

Consequentemente, ficou claro que os investidores querem lucro, não apenas discurso bonito sobre inovação.

O paradoxo da produtividade voltou com a inteligência artificial

O economista Robert Solow já havia alertado, nos anos 1980, que computadores apareciam em todos os lugares, menos nas estatísticas de produtividade.

Esse fenômeno ficou conhecido como Paradoxo de Solow.

Hoje, a inteligência artificial pode viver algo parecido.

A tecnologia existe, impressiona e promete muito.

No entanto, empresas ainda precisam reorganizar processos, treinar equipes e mudar decisões internas.

Sem isso, a IA vira apenas ferramenta cara com pouco impacto real.

Especialistas divergem sobre o impacto da IA

Pesquisadores como Erik Brynjolfsson veem uma possível “Curva em J”.

Ou seja, primeiro vem adaptação, depois pode vir um salto de produtividade.

Por outro lado, Daron Acemoglu, Nobel de Economia de 2024, adota uma visão mais cautelosa.

Ele projeta ganhos de produtividade entre 0,5% e 0,7% ao ano na próxima década.

Entretanto, esses números ficam abaixo das expectativas mais otimistas do mercado.

Empresas usam IA, mas ainda produzem pouco resultado

Um estudo citado pelo artigo ouviu 6 mil executivos nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Austrália.

Dois terços das empresas afirmam usar inteligência artificial.

Porém, o consumo médio da tecnologia fica em apenas 1,5 hora por trabalhador por semana.

Além do mais, mais de 90% das firmas relataram impacto nulo em produtividade nos últimos três anos.

Esse dado joga água fria na euforia.

Ele mostra que adotar IA não significa, automaticamente, ganhar eficiência.

Quem vai capturar o valor da inteligência artificial?

A pergunta decisiva agora é econômica.

Quem vai ficar com o valor gerado pela inteligência artificial?

A história mostra que nem sempre quem cria a tecnologia captura os maiores ganhos.

A eletricidade transformou fábricas, mas não premiou apenas geradoras de energia.

A internet mudou a economia, mas os grandes vencedores foram empresas que criaram novos modelos de negócio.

Portanto, com a IA, o padrão pode se repetir.

Setores tradicionais podem vencer a nova corrida

Empresas de saúde, finanças, logística e varejo podem ganhar muito com a inteligência artificial.

Mas isso depende de execução.

Não basta contratar uma plataforma de IA e colocar o termo em apresentação para investidor.

Consequentemente, vencerá quem integrar dados, processos, pessoas e decisões.

Em contraste, quem apenas repetir moda tecnológica pode queimar dinheiro.

Brasil precisa de ambiente livre para inovar

Para o Brasil, o desafio fica ainda maior.

O setor de serviços concentra grande parte das horas trabalhadas no país.

Esse setor também sofre com baixa produtividade, excesso de burocracia e pouca concorrência.

Além disso, regulação ruim pode travar inovação antes mesmo de ela amadurecer.

Por isso, qualquer debate sobre IA no Brasil precisa evitar o velho vício estatal de controlar tudo.

Se o governo pesar a mão, o país pode perder outra revolução tecnológica.

O novo gargalo da IA é econômico

A inteligência artificial continuará mudando o mundo.

No entanto, a tecnologia precisa sair do marketing e entrar no caixa das empresas.

O gargalo não está apenas nos chips.

Está na capacidade de transformar IA em produtividade, lucro e retorno sobre capital.

Em conclusão, a inteligência artificial vai premiar menos quem fala bonito e mais quem entrega resultado.

E isso vale para empresas, investidores e governos.


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