Brasil
Lula despeja R$ 474 milhões em emendas após derrota no Congresso. Alcolumbre lidera fila com R$ 20,5 milhões

Governo libera verba recorde um dia após sofrer revés no Senado. Senadores aliados são os principais beneficiados com o “acerto político”
Na última sexta-feira (28), o governo Lula liberou R$ 474,5 milhões em emendas parlamentares em apenas um dia, no maior repasse do ano. A medida veio logo após o Palácio do Planalto sofrer uma derrota significativa no Senado, que derrubou um decreto presidencial sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
A manobra escancarou a velha prática do “toma lá, dá cá”, mostrando que o dinheiro público continua sendo a principal moeda de troca do governo para conter rebeliões e garantir maioria no Congresso.
Alcolumbre lidera lista dos premiados
Entre os maiores beneficiados está o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que sozinho abocanhou R$ 20,5 milhões. Coincidência ou não, foi ele quem conduziu a articulação que resultou na derrota do governo no caso do IOF e agora, como num passe de mágica, aparece como o principal premiado.
Outros senadores também engordaram suas contas parlamentares:
- Eduardo Braga (MDB-AM): R$ 9 milhões
- Styvenson Valentim (Podemos-RN): R$ 7 milhões
- Renan Calheiros (MDB-AL): R$ 6,5 milhões
Ao todo, foram 149 emendas individuais liberadas. R$ 343 milhões para deputados e R$ 131 milhões para senadores.
A conta é paga com silêncio
Não é a primeira vez que o governo Lula tenta estancar crises políticas com a liberação de emendas. Mas o que chama atenção é a falta de transparência nos critérios adotados. A lógica é clara: quem vota com o governo, recebe. Quem vota contra, fica de castigo.
Além disso, muitos desses recursos estão relacionados às chamadas emendas do relator, instrumento herdado do “orçamento secreto” e já condenado por especialistas como uma forma institucionalizada de corrupção encoberta.
O Planalto sabe que o momento é delicado. Com a base rachada e a opinião pública cada vez mais crítica à condução econômica e institucional do país, comprar apoio virou necessidade de sobrevivência, ainda que às custas da credibilidade e da responsabilidade fiscal.
Um governo que só governa com propina política
A liberação bilionária de emendas revela um padrão: o governo não negocia ideias, não apresenta argumentos, não busca consenso. Apenas paga. Compra votos. Compra silêncio. Compra tempo.
Enquanto isso, o povo brasileiro segue pagando a conta. Literalmente.
