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Odebrecht e Vorcaro: sociedade em 577 apartamentos de luxo em SP acende alerta
Odebrecht e Vorcaro aparecem juntos em seis empreendimentos imobiliários em São Paulo, segundo reportagem da coluna de Demétrio Vecchioli, no Metrópoles. A ligação envolve a OR, braço de incorporação imobiliária da antiga Odebrecht, hoje Novonor, e fundos atribuídos pela Justiça a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Odebrecht e Vorcaro se cruzam em seis empreendimentos
A reportagem afirma que os seis projetos unem dois grandes escândalos recentes do país: a Lava Jato, que atingiu a Odebrecht, e o caso Banco Master, ligado a Vorcaro. Portanto, o assunto chama atenção não apenas pelo valor dos imóveis, mas pelo peso político e econômico dos nomes envolvidos.
Segundo a coluna, um empreendimento já ficou pronto há poucas semanas, com 21 apartamentos de luxo. Além disso, outros três estão em fase de comercialização, com 555 apartamentos e 70 unidades não residenciais.
Mais dois projetos já foram anunciados, mas ainda não lançados. No entanto, todos foram atingidos por bloqueios judiciais da 3ª Vara de Falências de São Paulo sobre bens atribuídos ao antigo controlador do Banco Master.
Fundos atribuídos a Daniel Vorcaro entram no radar da Justiça
Os empreendimentos pertencem a cinco incorporadoras. Do lado da Odebrecht, aparece a Orion Empreendimentos, que herdou ativos da antiga Odebrecht Realizações Imobiliárias.
Do outro lado, segundo a reportagem, aparecem sociedades anônimas ligadas a fundos de investimento atribuídos a Daniel Vorcaro pelo liquidante do Banco Master. Entre esses fundos estão Lunar e Quality Golden.
A Justiça apontou esses fundos como possíveis instrumentos para aquisição formal de bens destinados ao uso e benefício pessoal de Vorcaro. Consequentemente, a 3ª Vara de Falências determinou averbação de pendência judicial sobre empresas e fundos citados no caso.
Magma, Lunar e Quality Golden aparecem na estrutura
A Magma Empreendimentos, segundo o Metrópoles, é sócia da Odebrecht em ao menos três projetos já lançados. A empresa tem como acionistas os fundos Quality Golden e Lunar.
Além do mais, o fundo Lunar tinha como acionista, ao menos até outubro de 2024, o fundo Astralo 95. Esse fundo também aparece ligado à cota atribuída a Vorcaro na SAF do Atlético-MG.
Aqui, o brasileiro comum olha para a teia societária e pensa o óbvio: parece que o dinheiro sempre encontra caminhos bem sofisticados. Entretanto, a investigação ainda trata esses pontos dentro do campo judicial e patrimonial.
Odebrecht e Vorcaro no prédio de luxo no Itaim
O primeiro empreendimento da parceria, iniciada em setembro de 2022, é o Baume Itaim. O prédio boutique tem 21 apartamentos, e o menor deles possui 219 m².
Segundo a reportagem, nenhuma unidade custa menos de R$ 8 milhões. Ou seja, não estamos falando de moradia popular, mas de imóveis de altíssimo padrão em uma das áreas mais valorizadas de São Paulo.
O Baume Itaim tem como incorporadora a ORSP 29. A sociedade é dividida meio a meio entre Orion/Odebrecht e Magma, empresa dirigida por David Lopes Monteiro.
Banco Master teria financiado compra de terreno
A coluna afirma que ao menos um dos terrenos do Baume Itaim foi comprado com empréstimo concedido pelo Banco Master em dezembro de 2022. As cotas da Magma na incorporadora teriam sido dadas como garantia ao banco.
Além disso, a mesma sociedade aparece nos empreendimentos Ryt Paulista Apartments e Ryt Paulista Smart Studios, na Bela Vista. Esses projetos têm apartamentos de até 43 m² e foco claro em locação de curta temporada.
Por outro lado, a OR informa que os Ryt seguem atualmente “em construção”. A empresa também sustenta que não teve relação societária direta com o Banco Master ou Daniel Vorcaro.
Projetos chegam à Vila Nova Conceição e ao Itaim Bibi
O Vert Vila Nova também aparece na reportagem como sociedade entre Orion/Odebrecht e empresas atribuídas a Vorcaro. O projeto prevê uso misto, com 209 unidades residenciais e 70 não residenciais.
No caso da Vila Nova Conceição, Vorcaro seria representado pela Verde Bahia S.A., ligada ao fundo Lunar. A empresa também foi alvo da decisão da Justiça paulista sobre bens atribuídos ao banqueiro.
Um dos terrenos do Vert Vila Nova foi comprado em novembro de 2023 por R$ 17,3 milhões. Segundo a coluna, a aquisição contou com empréstimo de R$ 25,4 milhões do Banco Master, tomado pela Verde Bahia.
OR diz que tenta encerrar associações com empresas citadas
A OR afirmou ao Metrópoles que negociou aportes em 2022 com empresas vinculadas a Augusto Lima, então CEO do Banco Master. A companhia disse que fez procedimentos de governança e due diligence, sem identificar Banco Master ou Vorcaro como beneficiários finais naquele momento.
No entanto, após tomar conhecimento pela imprensa dos processos envolvendo as sócias dos projetos, a OR disse que adotou medidas para encerrar qualquer associação ou relacionamento com essas empresas. Até a publicação da reportagem, nenhuma mudança societária havia sido informada à Junta Comercial.
Em contraste com a versão da empresa, a reportagem mostra uma sequência de sociedades, fundos e projetos de alto padrão. Portanto, o caso ainda promete novos capítulos na Justiça e no mercado imobiliário.
Caso expõe bastidor milionário do mercado imobiliário
A história de Odebrecht e Vorcaro não envolve apenas prédios bonitos em bairros nobres. Ela mostra como grandes grupos, fundos de investimento e empresas de fachada podem se cruzar em operações milionárias.
Além do mais, o caso aparece em um momento em que o país acompanha os desdobramentos do Banco Master e a tentativa de localizar ativos atribuídos a Daniel Vorcaro. Para o público, a pergunta é simples: quem colocou dinheiro, quem se beneficiou e quem vai pagar a conta?
Em conclusão, a reportagem do Metrópoles coloca luz sobre seis empreendimentos em São Paulo, fundos bloqueados judicialmente e uma sociedade que a OR tenta encerrar. Agora, a Justiça precisa separar o que foi investimento regular do que pode ter servido para esconder patrimônio.