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Operação Sem Refino: PF diz que governo Castro permitiu cenário para atividades suspeitas da Refit
A Operação Sem Refino colocou o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, do PL, no centro de uma nova crise política. Segundo a CNN Brasil, a Polícia Federal sustenta que o governo Castro teria permitido um ambiente favorável a “atividades espúrias” atribuídas à Refit, empresa ligada ao empresário Ricardo Magro.
A acusação é grave.
De acordo com os investigadores, esse cenário favorável teria sido construído com a anuência do Estado. A PF cita, de forma especial, o papel do então chefe do Poder Executivo fluminense, Cláudio Castro.
Operação Sem Refino mira Refit, Ricardo Magro e Cláudio Castro
A Operação Sem Refino foi deflagrada pela Polícia Federal nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026. A ação atingiu alvos no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal.
Segundo a CNN, 14 pessoas foram alvos da PF. Entre elas aparecem Ricardo Magro, controlador do Grupo Refit, e Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro.
Além disso, os mandados foram determinados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A lista também inclui ex-secretários, ex-procurador-geral, integrantes das polícias Civil e Federal e até um desembargador.
Aí está o tamanho do problema. Não estamos falando de uma apuração pequena, escondida em rodapé de jornal.
Estamos falando de uma investigação que envolve governo estadual, setor de combustíveis, suspeitas fiscais e personagens poderosos. No entanto, como sempre, é preciso lembrar que investigação não é condenação.
PF fala em cenário propício para atividades espúrias da Refit
A frase usada pela Polícia Federal chama atenção. Os investigadores afirmam que o ambiente favorável às atividades atribuídas ao conglomerado teria sido construído com anuência do Estado.
Em português claro: a PF suspeita que a estrutura pública do Rio teria ajudado a criar condições para o avanço de interesses ligados à Refit.
Por outro lado, a defesa de Cláudio Castro nega irregularidades. Segundo a CNN, a defesa afirmou que foi surpreendida pela operação e que o ex-governador está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.
A defesa também declarou que os procedimentos adotados durante a gestão seguiram critérios técnicos e legais. Além disso, afirmou que temas ligados a incentivos fiscais passaram por normas próprias e órgãos competentes.
Operação Sem Refino investiga suspeitas no setor de combustíveis
A Operação Sem Refino apura a atuação de um conglomerado econômico do ramo de combustíveis. Segundo a CNN, a suspeita envolve crimes financeiros e fiscais.
A investigação também mira possível ocultação de patrimônio, envio de recursos ao exterior e dificuldade na cobrança de tributos. Portanto, o caso não fica apenas na política.
Ele entra no bolso do contribuinte. Afinal, quando se fala em suspeita de fraude fiscal bilionária, quem paga a conta costuma ser o cidadão comum.
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a dívida estimada da Refit com a Receita Federal chega a R$ 52 bilhões. A Justiça também determinou bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros do grupo e suspensão de atividades econômicas de empresas investigadas.
Refit nega falsificação e diz discutir dívidas na Justiça
A Refit, por sua vez, também se manifestou. Em nota citada pela CNN, a empresa afirmou que questões tributárias estão sendo discutidas nas esferas judicial e administrativa.
A companhia disse ainda que a atual gestão herdou passivos tributários de administrações anteriores. Além disso, negou ter falsificado declarações fiscais para obter vantagens tributárias.
Consequentemente, o caso deve seguir em disputa jurídica e política. De um lado, a Polícia Federal aponta suspeitas pesadas. Do outro, os investigados e a empresa negam irregularidades.
Operação Sem Refino expõe velha mistura entre poder e dinheiro
A Operação Sem Refino mostra, mais uma vez, como o Brasil precisa encarar a relação entre poder público, grandes empresas e favores de bastidor.
Quando um grupo empresarial acumula suspeitas bilionárias e aparece ligado a autoridades, a sociedade tem o direito de cobrar explicações. Entretanto, também é necessário separar investigação, denúncia e condenação.
O problema é que o brasileiro já conhece esse roteiro. Primeiro aparece uma relação nebulosa. Depois surgem notas oficiais. Em seguida, todo mundo diz que tudo foi técnico, legal e republicano.
Em conclusão, a Operação Sem Refino ainda precisa avançar para mostrar quem errou, quem apenas foi citado e quem deve responder. Mas uma coisa já ficou clara: a PF colocou a gestão Castro e a Refit sob forte pressão pública.