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PCC e CV como terroristas: EUA miram dinheiro, bancos e aliados das facções no Brasil
Os PCC e CV como terroristas viraram assunto central depois que os Estados Unidos decidiram enquadrar as duas maiores facções brasileiras no sistema antiterrorismo norte-americano.
A medida foi anunciada nesta quinta-feira, 28 de maio, pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Além disso, a decisão coloca o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho em duas categorias pesadas: Foreign Terrorist Organizations e Specially Designated Global Terrorists.
Na prática, Washington ganha mais instrumentos para atacar o bolso das facções. E, convenhamos, quando o crime organizado sente no dinheiro, a conversa muda de patamar.
PCC e CV como terroristas ampliam sanções financeiras dos EUA
Com os PCC e CV como terroristas, os Estados Unidos podem aplicar sanções financeiras, bloquear ativos e dificultar transações em dólar ligadas às facções.
A base legal vem da seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA e da Ordem Executiva 13224, criada depois dos ataques de 11 de setembro. Portanto, não se trata apenas de discurso político ou nota diplomática.
A classificação como organização terrorista estrangeira permite criminalizar apoio material aos grupos. Esse apoio pode incluir financiamento, logística, treinamento, serviços, tecnologia, transporte e intermediação financeira.
Consequentemente, empresas, operadores financeiros, doleiros, fornecedores e até bancos podem entrar no radar americano. Basta haver suspeita de ajuda às operações do PCC ou do Comando Vermelho.
EUA podem bloquear ativos e pressionar bancos internacionais
A Ordem Executiva 13224 dá aos EUA poder para bloquear ativos sob sua jurisdição. Além disso, permite impedir transações em dólar e pressionar bancos internacionais a cortar relações com pessoas ou empresas ligadas às facções.
Esse ponto é decisivo. Mesmo operações fora dos Estados Unidos podem sofrer impacto, porque boa parte do sistema financeiro mundial passa por bancos norte-americanos ou usa o dólar.
Em contraste com o velho discurso de “segurança pública local”, a decisão trata as facções como redes transnacionais. Ou seja, o crime que nasce no Brasil pode perder fôlego quando encontra barreiras no sistema financeiro global.
PCC e CV como terroristas também afetam imigração e investigações
Com os PCC e CV como terroristas, integrantes das facções e suspeitos de colaboração podem enfrentar restrições migratórias mais duras.
Eles podem ser impedidos de entrar nos Estados Unidos. Também podem ser deportados, caso estejam em território americano e sejam enquadrados pelas autoridades.
Além disso, Washington passa a ter mais margem para cooperação internacional em investigações sobre narcotráfico, lavagem de dinheiro, movimentações bancárias e crimes transnacionais.
O Departamento de Estado afirmou que PCC e Comando Vermelho têm redes ilícitas além das fronteiras brasileiras. Segundo o governo norte-americano, os grupos participaram de ataques contra policiais, autoridades públicas e civis no Brasil.
Flávio Bolsonaro pediu a medida em Washington
O anúncio ocorreu em meio à articulação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro nos Estados Unidos.
Dois dias antes da decisão, o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, se reuniu com Donald Trump na Casa Branca. Segundo a Revista Oeste, Flávio afirmou ter pedido ao presidente norte-americano a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas.
Flávio participou da agenda ao lado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro e do empresário Paulo Figueiredo. No entanto, o próprio grupo disse que integrantes do Departamento de Estado já avaliavam essa possibilidade.
O ponto político é claro: enquanto parte da esquerda trata facção como problema “social” eterno, os EUA decidiram acionar ferramentas de guerra financeira contra o crime organizado.
Medida não autoriza ação militar automática no Brasil
Apesar do peso da decisão, a classificação não autoriza automaticamente uma operação militar dos Estados Unidos em território brasileiro.
Qualquer ação desse tipo dependeria de outras bases legais, acordos diplomáticos e autorização política específica. Portanto, não é correto vender a notícia como “intervenção americana” imediata.
A medida também não transfere aos EUA a competência direta sobre investigações conduzidas pela Justiça brasileira. O principal efeito imediato está no campo financeiro, econômico, migratório e de inteligência.
América Latina entra na mira contra o crime organizado
A decisão aumenta a pressão diplomática sobre países da América Latina. Argentina e Paraguai já haviam classificado PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas ou narcoterroristas, segundo a Revista Oeste.
Além do mais, a medida pode forçar governos da região a cooperar mais contra lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e redes criminosas internacionais.
Em conclusão, a classificação dos PCC e CV como terroristas abre uma nova frente contra as facções brasileiras. Não resolve tudo sozinha, mas atinge onde o crime mais se protege: dinheiro, conexões internacionais e impunidade financeira.