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Salário de juiz: corregedor do CNJ reclama de R$ 141 mil e diz que valor está “abaixo do adequado”
O salário de juiz voltou ao debate público depois de uma declaração do corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell. O ministro do STJ afirmou que considera sua remuneração abaixo do ideal diante do volume de processos que julga.
Salário de juiz vira polêmica após fala de Mauro Campbell
Mauro Campbell ocupa uma das cadeiras do Superior Tribunal de Justiça e também comanda a Corregedoria Nacional de Justiça.
Nesta quinta-feira, 4 de junho, ele reclamou publicamente da própria remuneração.
No entanto, a fala chama atenção porque os valores recebidos pelo magistrado superam, com folga, o teto constitucional do funcionalismo público.
Segundo dados citados pela Revista Oeste, Campbell recebeu cerca de R$ 141 mil em abril.
Além disso, ele também recebeu valores elevados nos meses anteriores.
Em março, os vencimentos chegaram a aproximadamente R$ 122 mil.
Em fevereiro, ficaram perto de R$ 127 mil.
Salário de juiz passa de R$ 141 mil com benefícios e penduricalhos
O caso do salário de juiz mostra, mais uma vez, a distância entre a realidade do brasileiro comum e a elite do serviço público.
Os valores recebidos por Campbell incluem indenizações, vantagens pessoais e créditos adicionais.
Portanto, a conta final fica muito acima do salário-base comum.
O teto constitucional do funcionalismo federal está em cerca de R$ 46,3 mil, valor ligado ao salário bruto dos ministros do STF.
Mesmo assim, contracheques de magistrados podem superar esse limite por causa dos famosos penduricalhos.
Esses adicionais entram como benefícios, gratificações, indenizações ou verbas extras.
Consequentemente, o teto vira quase uma peça decorativa quando a regra abre brechas generosas.
Corregedor do CNJ diz que trabalha demais para receber esse valor
Durante entrevista ao STF em Foco, Campbell defendeu um reajuste compatível com a produtividade dos magistrados brasileiros.
Ele citou a quantidade de processos que julgou ao longo da carreira.
Segundo o ministro, sua remuneração não acompanha os milhares de processos analisados no STJ.
Entretanto, a declaração cai como uma bomba em um país onde milhões de trabalhadores vivem com salários baixos.
Por outro lado, a elite do Judiciário parece olhar para contracheques de seis dígitos como se fossem algo insuficiente.
A fala também reacende o incômodo com a diferença entre o setor privado e parte da alta burocracia estatal.
STF tenta limitar penduricalhos no Judiciário
A polêmica sobre salário de juiz acontece em meio a mudanças nas regras de pagamento da magistratura.
O STF definiu novas diretrizes para tentar conter excessos em remunerações do Judiciário e do Ministério Público.
A decisão proibiu a criação de auxílios sem base legal específica.
Além disso, determinou que a soma das vantagens adicionais não ultrapasse 70% do teto constitucional.
Esse limite foi dividido entre bônus por tempo de carreira e verbas institucionais.
Por exemplo, entram nesse pacote valores ligados a diárias e acúmulo de funções.
As novas travas começaram a valer no mês-base de abril, com efeito nos pagamentos de maio.
Brasileiro paga a conta enquanto a elite reclama
O debate sobre salário de juiz não pode ficar restrito a uma fala isolada.
Ele revela um problema maior: o Estado brasileiro pesa muito para quem produz e parece leve demais para quem vive no topo da máquina pública.
Enquanto empresas fecham, famílias se endividam e trabalhadores contam moedas no mercado, uma autoridade reclama de receber até R$ 141 mil.
No entanto, o brasileiro comum não tem penduricalho, auxílio especial ou crédito adicional para salvar o mês.
Ele paga imposto, enfrenta inflação e ainda escuta que seis dígitos estão “abaixo do adequado”.
Em conclusão, a fala de Mauro Campbell expõe uma ferida nacional.
O Brasil precisa discutir, com seriedade, até onde vai a remuneração legítima e onde começa o privilégio pago pelo cidadão.