Siga-nos

Brasil

Governo adota vacina contra dengue do Butantan sem aval técnico e caso vai parar no TCU

Publicado

em

A vacina contra a dengue voltou ao centro do debate político após documentos indicarem que o governo Lula decidiu incorporar o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan antes da manifestação formal da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). A decisão gerou forte reação da oposição e levantou questionamentos sobre o respeito aos protocolos técnicos que tradicionalmente orientam políticas públicas de saúde.

Governo adotou vacina contra a dengue sem aval técnico da Conitec

O Ministério da Saúde incorporou a vacina contra a dengue ao Sistema Único de Saúde (SUS) antes da manifestação formal da Conitec, órgão responsável por avaliar a inclusão de novos medicamentos, vacinas e tratamentos na rede pública. A Conitec analisa critérios como eficácia, segurança, custo-benefício e impacto financeiro antes de recomendar a incorporação de uma nova tecnologia ao SUS. Esse parecer técnico existe para oferecer maior segurança às decisões do Ministério da Saúde. Segundo documentos obtidos pelo Poder360, o governo decidiu adotar o imunizante antes da conclusão formal desse processo. A medida chamou atenção porque rompeu a sequência normalmente utilizada para incorporar novas tecnologias ao sistema público de saúde. Posteriormente, o Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a estratégia de vacinação com o imunizante após o registro de eventos adversos que passaram a ser investigados.

Vacina contra a dengue: oposição questiona procedimento adotado pelo governo

A principal crítica não está direcionada à existência da vacina, mas à forma como o governo decidiu incorporá-la ao SUS. Segundo a reportagem do Poder360, a decisão ocorreu antes da manifestação formal da Conitec. Para parlamentares da oposição, isso enfraquece o processo técnico utilizado para avaliar novas tecnologias na saúde pública. Além disso, afirmam que seguir todas as etapas previstas fortalece a transparência das decisões e aumenta a confiança da população nas políticas públicas.

Representação no TCU amplia pressão sobre o governo

O caso chegou ao Tribunal de Contas da União e passou a ser alvo de fiscalização. O processo de compra e incorporação da vacina é contestado em uma representação protocolada pelo deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição na Câmara dos Deputados, juntamente com o ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga. No documento encaminhado ao TCU, sustentam que o governo teria adotado uma “via paralela” para incorporar o imunizante, sem a manifestação prévia da Conitec. Por isso, pedem que o tribunal apure a regularidade do procedimento e verifique se todas as normas administrativas foram respeitadas. Para os autores da representação, decisões que envolvem recursos públicos e milhões de brasileiros precisam observar rigorosamente todos os protocolos técnicos previstos.

Governo afirma que decisão seguiu critérios técnicos

O Ministério da Saúde contesta as críticas feitas pela oposição. Segundo a pasta, a incorporação ocorreu dentro das competências legais do governo. O ministério também afirma que utilizou critérios técnicos disponíveis no momento da decisão. Além disso, a pasta explica que a suspensão temporária demonstra o funcionamento do sistema de vigilância sanitária. De acordo com o governo, a medida foi preventiva.

Debate político cresce em ano eleitoral

O episódio rapidamente deixou de ser apenas uma discussão técnica e ganhou forte repercussão política. Parlamentares da oposição afirmam que decisões relacionadas à saúde pública precisam seguir rigorosamente os pareceres técnicos previstos para garantir transparência e segurança jurídica. Eles defendem que os órgãos de controle esclareçam se todos os procedimentos administrativos foram cumpridos. Por outro lado, o governo mantém o entendimento de que atuou dentro da legalidade e afirma que todas as medidas adotadas tiveram como objetivo ampliar a proteção da população contra a dengue. Agora, caberá ao Tribunal de Contas da União analisar os questionamentos apresentados pelos parlamentares. O resultado dessa apuração poderá esclarecer se a incorporação da vacina observou todas as etapas técnicas e administrativas previstas.


Continue Reading
Deixar um comentário

© Copyright 2021 - 2024 - Revista Brasil