Brasília
Banco Master: Ibaneis some antes de prisão no BRB e crise volta a ferver no DF
O caso Banco Master ganhou um novo capítulo e voltou a incendiar Brasília. Em coluna publicada na Gazeta do Povo em 19 de abril de 2026, Alexandre Garcia afirmou que Ibaneis Rocha “sumiu” na véspera da prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. Além disso, o colunista tratou o movimento como sinal de medo diante do avanço da investigação. A própria Gazeta identifica o texto como coluna de opinião, e não como reportagem factual.
Na prática, a crise já vinha pesada. A Reuters informou que a Polícia Federal prendeu Paulo Henrique Costa em 16 de abril, no âmbito da Operação Compliance Zero. Segundo a apuração, o ministro André Mendonça apontou indícios de um esquema para fabricar, vender e transferir carteiras fictícias de crédito do Banco Master para o BRB. Além do mais, a decisão citou suspeita de pagamento de propina em imóveis, enquanto a defesa do ex-presidente do banco afirmou que ele não cometeu crime.
Banco Master recoloca Ibaneis no centro da crise
Na coluna, Garcia sustenta que o sumiço de Ibaneis reforça a suspeita de responsabilidade política no caso Banco Master. Ele afirma que houve tentativa de aliviar Daniel Vorcaro, então ligado ao banco quebrado, por meio de operações envolvendo o BRB. O colunista também menciona a compra de ativos problemáticos e a pressão política para empurrar o negócio adiante. No entanto, fora do campo opinativo, o que já está documentado é que o Banco Central barrou a compra do Master pelo BRB em setembro de 2025.
Além disso, houve aprovação legislativa no Distrito Federal para etapas centrais dessa operação. Em agosto de 2025, a CLDF aprovou o projeto que autorizou o BRB a adquirir 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais do Banco Master. O placar oficial foi de 14 votos favoráveis e 7 contrários. Já em março de 2026, os distritais também aprovaram, por 14 a 10, um projeto de capitalização do BRB diante dos prejuízos ligados aos negócios com o Master.
Banco Master e BRB: o tamanho do rombo político
O estrago não ficou apenas no noticiário policial. Segundo a Reuters, o BRB trabalha para reorganizar seu balanço depois da incorporação de ativos do antigo Master. Por exemplo, Quadra Capital negocia a compra de cerca de R$ 15 bilhões desses ativos, e a operação ainda depende de sinal verde, ou ao menos de não objeção, do Banco Central. Consequentemente, o caso Banco Master continua pressionando o banco, o governo local e todo o ambiente político de Brasília.
STF, INSS e Banco Master entram no mesmo pacote de críticas
Na mesma coluna, Alexandre Garcia ampliou o foco. Além disso, ele puxou a discussão para o STF e para o escândalo do INSS. O colunista criticou o legado de decisões ligadas à Lava Jato e disse que a impunidade passou a funcionar como mau exemplo para corruptos. Em seguida, usou o caso de Maurício Camisotti como símbolo desse raciocínio.
O ponto citado por Garcia tem base em fatos recentes. Camisotti, apontado como operador financeiro do esquema de fraudes em descontos associativos do INSS, ofereceu devolver cerca de R$ 400 milhões em acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal. André Mendonça aceitou os termos em análise preliminar. Portanto, o episódio recolocou o debate sobre corrupção, punição e devolução de dinheiro público no centro da política nacional.
Marinha reage à FURG e PL da Dosimetria fecha o quadro
Garcia também retomou o atrito entre a Marinha e a FURG. Na visão do colunista, a universidade trocou gratidão institucional por militância ideológica ao cassar o título de doutor honoris causa do almirante Maximiano da Fonseca. Além disso, ele lembrou que a estrutura de apoio antártico funcionou por mais de 40 anos na universidade gaúcha. A FURG confirma que a ESANTAR começou em 1983, e uma nota publicada em 17 de abril de 2026 informou que o convênio de 2020 com a Marinha encerrou sua vigência em outubro de 2025.
Por outro lado, a própria FURG afirmou que não houve prejuízo às pesquisas em andamento e que a Esantar-RG agora opera junto à Estação Naval de Rio Grande. Já a reação da Marinha, em 2024, foi dura. O comandante Marcos Sampaio Olsen classificou a cassação do título como motivo de “profundo desagrado”, segundo registro jornalístico local sobre o episódio. Entretanto, para Garcia, o caso segue como exemplo de choque entre tradição institucional e aparelhamento ideológico.
Por fim, o colunista fechou a análise com o PL da Dosimetria. O Congresso marcou para 30 de abril a sessão que vai analisar o veto total de Lula ao projeto. A proposta prevê redução de penas para condenados por atos antidemocráticos. Em conclusão, Garcia costura todos esses episódios sob a mesma tese: o Brasil vive uma crise em que escândalos financeiros, decisões judiciais e disputas ideológicas se misturam o tempo todo.