Siga-nos

Direito

Bolsonaro enfrentará queixa-crime no STF por fala sobre procuradora

Publicado

em

Bolsonaro no STF volta ao centro do debate político e jurídico. A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu, por unanimidade, manter na Corte a tramitação de uma queixa-crime apresentada pela procuradora da República Monique Cheker Mendes contra Jair Bolsonaro, por suposta calúnia. 

O caso envolve uma entrevista concedida por Bolsonaro ao programa “Os Pingos nos Is”, da Jovem Pan, em janeiro de 2022. Na ocasião, segundo a ação, o então presidente afirmou que a procuradora teria tentado “forjar provas” contra ele em uma acusação de crime ambiental. 

Bolsonaro no STF após fala sobre suposta fraude em provas

A queixa-crime nasceu de uma fala sobre um episódio antigo. Bolsonaro comentou uma investigação de 2012, quando ainda era deputado federal, relacionada a uma acusação de pesca em área protegida.

Segundo Monique Cheker, Bolsonaro atingiu sua honra ao dizer que ela teria tentado sustentar uma acusação mentirosa. Além disso, ele mencionou uma suposta busca por uma pessoa da UERJ para emitir um laudo sobre o caso. 

A procuradora afirma que atuou em uma denúncia por crime ambiental contra Bolsonaro. No entanto, a defesa do ex-presidente sustenta que ele não quis caluniar a procuradora.

Para os advogados, as declarações entraram no campo da crítica à atuação funcional. Portanto, eles alegam ausência de intenção específica de caluniar, o chamado animus criticandi

1ª Turma do STF mantém processo contra Bolsonaro na Corte

A 1ª Turma do STF acompanhou o voto da ministra Cármen Lúcia, relatora do caso. Além disso, os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Flávio Dino seguiram o mesmo entendimento. 

Cármen Lúcia havia enviado o processo à primeira instância em 2023. Naquele momento, ela considerou que Bolsonaro perdeu o foro no Supremo ao deixar a Presidência em 31 de dezembro de 2022. 

Entretanto, o cenário jurídico mudou depois. Em março de 2025, o plenário do STF fixou a tese de que o foro por prerrogativa de função pode continuar mesmo após o fim do cargo, desde que o fato investigado tenha relação com a função exercida. 

Consequentemente, a relatora reviu a decisão anterior. Com isso, o processo continuará no Supremo.

Bolsonaro no STF e a discussão sobre foro privilegiado

O caso de Bolsonaro no STF reacende uma discussão sensível no país: até onde vai o foro privilegiado depois que uma autoridade deixa o cargo?

Por um lado, o Supremo afirma que a nova tese evita mudanças sucessivas de competência. Por outro lado, críticos veem mais uma ampliação do alcance da Corte sobre figuras políticas, especialmente quando se trata de lideranças da direita.

Além disso, o caso mostra como falas públicas de políticos passaram a gerar disputas criminais com frequência. Uma entrevista, uma crítica ou uma acusação podem sair rapidamente do debate público e virar processo judicial.

Em contraste, a defesa de Bolsonaro tenta enquadrar a fala como crítica política e funcional. Já a procuradora sustenta que a declaração atingiu sua honra de forma direta.

Partes terão 10 dias para falar sobre conciliação

Antes de analisar se recebe ou não a queixa-crime, Cármen Lúcia determinou uma etapa prevista no artigo 520 do Código de Processo Penal. A procuradora e Bolsonaro deverão informar, em dez dias, se têm interesse em audiência de conciliação ou tentativa de composição. 

Somente depois dessa fase o processo voltará à Turma. Portanto, o Supremo ainda não analisou o mérito da acusação.

Esse ponto é importante. A decisão desta terça-feira, 28 de abril de 2026, não condenou Bolsonaro. Ela apenas manteve o caso no STF e abriu caminho para os próximos passos processuais.

Caso contra Bolsonaro deve aumentar tensão política

A permanência de Bolsonaro no STF deve gerar nova reação entre apoiadores do ex-presidente. Afinal, o caso aparece em um ambiente político já marcado por forte tensão entre a direita, o Judiciário e setores do Ministério Público.

No entanto, a discussão jurídica seguirá por um caminho formal. Primeiro, as partes se manifestam sobre conciliação. Depois, a 1ª Turma poderá avaliar se aceita ou não a queixa-crime.

Para a direita, a pergunta central continua no ar: crítica a uma atuação funcional pode virar calúnia? Além do mais, quem define o limite entre denúncia política, opinião dura e crime contra a honra?

Em conclusão, o caso coloca novamente Jair Bolsonaro diante do Supremo. E, mais uma vez, o país assiste a uma disputa que mistura Justiça, política, foro privilegiado e liberdade de expressão.

Continue Reading
Deixar um comentário

© Copyright 2021 - 2024 - Revista Brasil