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Senado barra Messias e Flávio Bolsonaro dispara: “O governo Lula acabou”
A derrota de Messias no STF abriu uma crise política de grandes proporções para Lula no Senado. Depois da rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, afirmou que o resultado mostra o fim da governabilidade do governo petista.
O placar foi duro para o Planalto. Messias recebeu 34 votos favoráveis e 42 contrários, quando precisava de pelo menos 41 votos para ser aprovado.
Além disso, a derrota teve peso histórico. Segundo a CNN e a Associated Press, o Senado não barrava um indicado ao STF desde 1894, ou seja, há 132 anos.
Derrota de Messias no STF vira símbolo contra Lula
Flávio Bolsonaro não tratou o resultado como uma derrota comum. Para ele, a votação mostrou que Lula perdeu força real dentro do Congresso.
O senador afirmou que o governo “não tem governabilidade” e não teria mais condição de tratar de temas importantes no Parlamento. Além disso, atribuiu o resultado à insatisfação política com o governo e com excessos de parte do Supremo.
A fala tem peso porque veio logo depois de uma votação secreta. Portanto, não se trata apenas de discurso de oposição, mas de um recado dado por senadores no painel.
Flávio Bolsonaro fala em “governo acabado”
Segundo o JOTA, Flávio disse que, com aquela votação, “o governo acabou”. A frase viralizou porque resumiu o sentimento da oposição após a queda do nome de Messias no plenário.
Em conversa com jornalistas, o senador também negou ter comandado a articulação contra o indicado de Lula. No entanto, admitiu que explicou sua posição a quem perguntou e declarou que votaria contra.
Por outro lado, Flávio reconheceu que um placar desse tamanho não nasce do nada. Para ele, houve mobilização de lideranças, mas não uma operação conduzida diretamente por ele.
Derrota de Messias no STF expõe fragilidade no Senado
A fragilidade de Messias já tinha aparecido antes da votação final. Na Comissão de Constituição e Justiça, o indicado passou por placar apertado: 16 votos a favor e 11 contra.
Consequentemente, o Planalto entrou no plenário com sinal amarelo ligado. Ainda assim, a derrota por 42 a 34 surpreendeu pelo tamanho e pelo simbolismo.
Messias era advogado-geral da União e homem de confiança de Lula. Além do mais, ocupava um cargo estratégico na defesa jurídica do governo federal.
Para a direita, o resultado mostra que a indicação carregava o peso político do próprio presidente. Quando o Senado rejeitou Messias, atingiu diretamente o Palácio do Planalto.
Governo tenta minimizar, oposição comemora
O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, tentou reduzir o impacto da derrota. Ele disse que a relação do Executivo com o Congresso seguirá institucional e que o resultado ocorreu por “circunstâncias políticas”.
Entretanto, até aliados reconheceram o tamanho do revés. O relator da indicação, senador Weverton, afirmou que o resultado foi “uma derrota do governo”, embora tenha defendido Messias e criticado a rejeição.
Em contraste, a oposição celebrou. Rogério Marinho, líder da oposição, afirmou que a votação marcou o fim do “Lula 3” e disse que o governo perdeu credibilidade e capacidade de articulação.
Senado manda recado ao Planalto e ao STF
A derrota de Messias no STF também expôs uma insatisfação maior com o Supremo. Flávio Bolsonaro afirmou que o resultado foi uma resposta a excessos de parte da Corte.
Essa leitura encontra eco entre senadores da oposição. Muitos parlamentares criticam decisões do STF e defendem maior controle político sobre ministros.
No entanto, o recado também mira Lula. A rejeição mostrou que o presidente já não consegue impor sua vontade ao Senado em uma das escolhas mais importantes da República.
Além disso, a votação ocorreu em ano eleitoral. Portanto, senadores também calculam o humor das ruas, especialmente em temas ligados ao Supremo, ao 8 de Janeiro e ao desgaste do governo.
Messias reconhece decisão soberana do Senado
Depois da derrota, Jorge Messias afirmou que o Senado é soberano. Ele agradeceu os votos recebidos e disse que cumpriu seu papel no processo de indicação.
A postura buscou encerrar o episódio de forma institucional. Entretanto, politicamente, o estrago já estava feito.
Lula agora precisa escolher outro nome para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso. A AP registrou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, defendia outro candidato antes da escolha de Messias, o que já indicava atrito nos bastidores.
Derrota histórica pode afetar próximas votações
O efeito da derrota pode ir além do Supremo. O governo ainda precisa negociar pautas econômicas, vetos presidenciais e projetos sensíveis no Congresso.
Se a base falhou em uma indicação ao STF, poderá falhar também em outras votações difíceis. Consequentemente, Lula entra em uma fase mais frágil da relação com o Legislativo.
Para a oposição, o episódio virou demonstração de força. Para o Planalto, virou alerta vermelho.
Em conclusão, a derrota de Messias no STF não representa apenas a queda de um indicado. Ela mostra um governo acuado, um Senado menos obediente e uma oposição disposta a transformar cada votação em teste de sobrevivência política para Lula.