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Fraude no INSS: “Careca” comprou duplex de R$ 5 milhões via offshore no auge dos descontos indevidos
A fraude no INSS ganhou mais um capítulo explosivo. Segundo o Metrópoles, o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, comprou um duplex de R$ 5 milhões em um bairro nobre de São Paulo por meio de uma offshore ligada a ele.
A compra ocorreu em 2024, justamente no auge dos descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas. Portanto, enquanto idosos viam dinheiro sumir de seus benefícios, um dos nomes centrais do caso avançava em negócios milionários, segundo documentos obtidos pela coluna.
Fraude no INSS envolve duplex de luxo no Itaim Bibi
O imóvel fica no Edifício Bianco, na Rua Jesuíno Arruda, no Itaim Bibi, zona sul de São Paulo. A região aparece entre as mais valorizadas da capital paulista.
Além disso, o bairro reúne restaurantes sofisticados e costuma figurar entre os endereços com metro quadrado mais caro da cidade. Nada mal para quem aparece no centro de uma investigação sobre descontos em aposentadorias.
O duplex ocupa os dois últimos pavimentos do edifício, no 16º e no 17º andar. O apartamento tem 297 metros quadrados de área privativa, três vagas de garagem e elevador exclusivo.
Offshore nas Ilhas Virgens comprou o imóvel
A fraude no INSS também chama atenção pelo caminho usado na compra. Segundo a reportagem, a offshore Camilo & Antunes Limited, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, aparece ligada ao lobista.
Dados da Receita Federal mostram que a empresa foi aberta no Brasil em 10 de maio de 2024. No entanto, cerca de um mês depois, a offshore já participava da compra do duplex milionário.
Esse detalhe levanta uma pergunta incômoda. Por que usar uma estrutura offshore para adquirir imóvel de luxo no Brasil, justamente em período crítico das fraudes?
Entrada foi de R$ 2,42 milhões
Documentos citados pelo Metrópoles indicam que o imóvel custou R$ 5 milhões. Desse total, R$ 2,42 milhões foram pagos como entrada por TED.
O restante ficou parcelado em oito notas promissórias de cerca de R$ 322 mil cada. Consequentemente, a operação teve uma entrada robusta e uma estrutura de pagamento milionária.
A escritura foi assinada em junho de 2024. Já o registro em cartório ocorreu no mês seguinte, em julho, em um dos períodos mais críticos do escândalo dos descontos indevidos.
Fraude no INSS já levou “Careca” à Papuda
A fraude no INSS colocou Antonio Carlos Camilo Antunes no radar da Polícia Federal. Ele é apontado pela corporação como uma das figuras centrais do esquema.
Atualmente, o “Careca do INSS” está preso no Complexo Penitenciário da Papuda. Ele foi alvo de operação da PF em setembro do ano passado.
No entanto, a coluna informou que não localizou a defesa de Antonio Carlos. Portanto, a reportagem apresenta os dados documentais e a situação investigativa, mas não traz manifestação do lobista.
Offshore também teria sido usada em outro negócio
A mesma offshore das Ilhas Virgens já teria aparecido em outras operações ligadas ao “Careca do INSS”. Segundo o Metrópoles, ela também foi usada na compra de um prédio destinado a call center por R$ 4 milhões.
Esse imóvel fica em Brasília, possui três pavimentos e área construída superior a mil metros quadrados. Além disso, teria sido usado como central de teleatendimento no auge da farra dos descontos.
No endereço, Careca chegou a operar a empresa Amigo Call Center, voltada à oferta de crédito consignado. Entretanto, a operação teve vida curta após o avanço da Operação Sem Desconto.
Aposentados pagam a conta enquanto luxo aparece no caminho
A fraude no INSS revolta porque envolve aposentados e pensionistas, justamente uma das parcelas mais vulneráveis da população. Muitos dependem do benefício para remédio, mercado, aluguel e contas básicas.
Por outro lado, a investigação revela compras milionárias, offshore em paraíso fiscal e imóveis de alto padrão. Em contraste, o brasileiro comum passa meses tentando resolver um desconto indevido pelo telefone.
Em conclusão, o caso mostra por que a apuração precisa avançar sem blindagem política, sem seletividade e sem teatro. Se dinheiro saiu irregularmente do bolso de aposentados, o país precisa saber quem autorizou, quem operou, quem recebeu e quem protegeu essa engrenagem.