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Brasil/Estados Unidos

Lula e Trump se encontram nos EUA, e visita expõe pressão por tarifas, segurança e minerais estratégicos

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Lula e Trump se reuniram nesta quinta-feira, 7 de maio, na Casa Branca, em Washington, em um encontro cercado de interesses comerciais, tensão diplomática e cálculo político. A pauta envolve tarifas contra produtos brasileiros, combate ao crime organizado e minerais críticos, temas que interessam diretamente aos Estados Unidos e ao Brasil.

O encontro ganhou peso porque ocorre depois de um período turbulento entre os dois governos. No ano passado, Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e ligou a medida ao tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro no Brasil.

Lula e Trump discutem tarifas e risco de nova pressão comercial

Lula viajou aos Estados Unidos tentando evitar novas tarifas comerciais contra o Brasil. Além disso, o governo brasileiro busca reduzir incertezas sobre exportações nacionais.

Segundo a Reuters, parte dos produtos brasileiros ainda enfrenta uma tarifa adicional de 10%, com prazo até julho. No entanto, Brasília teme que uma investigação da chamada Seção 301 abra caminho para novas cobranças contra exportações brasileiras.

A situação é irônica. Depois de tantos discursos duros contra Trump, Lula agora precisa sentar à mesa com o republicano para tentar proteger setores da economia brasileira.

Portanto, o encontro não tem apenas foto, aperto de mão e diplomacia de salão. Ele mexe com dinheiro, emprego, exportação e com a imagem internacional do governo petista.

Lula e Trump também tratam de crime organizado

Outro ponto central da conversa entre Lula e Trump é o combate ao crime organizado. A Associated Press informou que a reunião inclui discussões sobre segurança e facções criminosas brasileiras, como Comando Vermelho e PCC.

Os Estados Unidos avaliam classificar grandes facções como organizações terroristas estrangeiras. No entanto, o governo Lula resiste a essa possibilidade, porque teme efeitos econômicos e financeiros no Brasil.

Além disso, Brasil e Estados Unidos lançaram em abril uma iniciativa conjunta para combater o crime organizado. A medida prevê integração de dados da Receita Federal brasileira com a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, para melhorar a troca de inteligência contra armas e drogas.

Em contraste com o discurso ideológico que costuma marcar a esquerda, a realidade obriga o governo brasileiro a buscar cooperação com Washington. Quando o crime atravessa fronteiras, slogan de campanha não prende traficante.

Minerais críticos entram na mesa de negociação

Lula e Trump também discutem minerais críticos e terras raras. Esse tema interessa muito aos americanos, porque os Estados Unidos querem reduzir dependência de cadeias produtivas dominadas pela China.

A CNN Brasil informou que os EUA enviaram ao Brasil uma proposta em fevereiro. O texto prevê financiamento para refino e processamento em território brasileiro, transferência tecnológica e medidas para dar segurança às cadeias de suprimento.

Por outro lado, o governo brasileiro tenta vender a ideia de que não quer ser apenas exportador de matéria-prima. A conversa, portanto, envolve soberania econômica, investimento e disputa geopolítica.

Esse ponto mostra como Trump olha para o Brasil com pragmatismo. Enquanto Lula fala em “mundo multipolar”, Washington olha para minério, indústria e vantagem estratégica.

Encontro teve articulação de Joesley Batista, diz Reuters

Outro detalhe chamou atenção nos bastidores. Segundo a Reuters, o empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, teve papel importante na articulação do encontro entre Lula e Trump.

A CNN Brasil também afirmou que Joesley ajudou a mediar a reunião e lembrou que ele é próximo da Casa Branca. Além do mais, a reportagem apontou que o empresário esteve entre os doadores da posse de Trump.

Esse dado abre espaço para uma pergunta incômoda. Afinal, quem puxa a política externa brasileira hoje: o Itamaraty, o Planalto ou grandes empresários com trânsito em Washington?

Em conclusão: Lula e Trump expõem o choque entre discurso e realidade

Em conclusão, o encontro entre Lula e Trump expõe um choque claro entre discurso ideológico e necessidade prática. Lula pode atacar Trump em palanque, mas precisa negociar com ele quando tarifas, crime e minerais entram na conta.

No entanto, o Brasil precisa acompanhar cada passo com atenção. Um acordo mal costurado pode comprometer setores estratégicos, enquanto uma briga mal calculada pode prejudicar exportadores brasileiros.

Consequentemente, a reunião na Casa Branca vai muito além de uma agenda diplomática. Ela mostra que, no mundo real, poder econômico, segurança e soberania pesam mais do que narrativa bonita para militância.

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