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Petista condenado na Lava Jato zomba de delatores e fala em “lata de lixo da História”

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O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, que já foi condenado e preso em processos ligados à Operação Lava Jato e ao Mensalão, voltou ao centro do debate político. Em entrevista ao Poder360 nesta sexta-feira, 21, o petista atacou delatores e afirmou que os chamados “dedos-duros” da Lava Jato terminaram na “lata de lixo da História”.

A declaração chama atenção principalmente pelo histórico do próprio Delúbio. Além disso, o ex-tesoureiro do PT aproveitou a entrevista para atacar personagens ligados ao julgamento do Mensalão e questionar o destino daqueles que enfrentaram os esquemas de corrupção.

Delúbio Soares ataca delatores da Operação Lava Jato

Durante a entrevista, Delúbio citou inicialmente Roberto Jefferson, responsável por denunciar, em 2005, o esquema que ficou conhecido como Mensalão. O caso envolvia pagamentos a parlamentares da base aliada para assegurar apoio a projetos de interesse do governo na Câmara dos Deputados.

Delúbio questionou onde Jefferson estaria atualmente e perguntou qual seria seu futuro. Entretanto, o petista não parou por aí e também direcionou críticas ao ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa.

Barbosa foi relator da Ação Penal 470 no STF, processo responsável pelo julgamento do Mensalão. O julgamento terminou com a condenação de Delúbio e de outros envolvidos.

Em seguida, Delúbio voltou suas críticas aos colaboradores da Operação Lava Jato. Foi nesse momento que afirmou que os “dedos-duros” da operação estariam na “lata de lixo da História”.

Mensalão levou ex-tesoureiro do PT à prisão

Delúbio ocupava a tesouraria do PT quando ocorreu o Mensalão e teve participação na operação financeira do esquema. O Supremo o condenou por corrupção ativa a seis anos e oito meses de prisão.

O petista cumpriu parte dessa pena. No entanto, em 2016, recebeu perdão depois de um indulto natalino concedido pela então presidente Dilma Rousseff.

O episódio marcou uma das maiores crises políticas dos primeiros governos do PT. Além do mais, anos depois, Delúbio voltaria a enfrentar a Justiça em outro grande escândalo nacional.

Operação Lava Jato também resultou em condenação de Delúbio

Anos depois do Mensalão, Delúbio voltou a receber uma condenação, dessa vez em processo relacionado à Operação Lava Jato. A Justiça Federal considerou o ex-tesoureiro culpado por lavagem de dinheiro, e ele chegou a ser preso em 2018.

Essa condenação, entretanto, acabou anulada em 2023 pelo Superior Tribunal de Justiça. O STJ entendeu que a 13ª Vara Federal de Curitiba não possuía competência para julgar aquelas acusações e determinou o envio do processo à Justiça Eleitoral.

É importante destacar que essa decisão não analisou o mérito das acusações contra Delúbio. Posteriormente, a Justiça Eleitoral extinguiu sua punibilidade em razão da prescrição, ou seja, pelo encerramento do prazo legal disponível ao Estado para aplicar uma punição.

Lava Jato recuperou bilhões para os cofres da Petrobras

Os colaboradores criticados por Delúbio tiveram participação importante na revelação dos esquemas investigados pela Operação Lava Jato. As investigações e acordos também permitiram recuperar parte dos recursos relacionados aos ilícitos descobertos durante a operação.

Segundo o relatório de sustentabilidade da Petrobras referente a 2025, a estatal recuperou aproximadamente R$ 8 bilhões por meio de acordos de colaboração, acordos de leniência e repatriações ligados aos fatos revelados pela Lava Jato.

Portanto, enquanto Delúbio ironiza aqueles que colaboraram com as investigações, os números mostram o impacto financeiro produzido pelos mecanismos usados para recuperar recursos. Para boa parte da direita brasileira, a Lava Jato continua sendo um símbolo do enfrentamento aos grandes esquemas de corrupção política do país.

Delúbio volta a atacar Joaquim Barbosa

Em outro trecho da entrevista, Delúbio voltou suas críticas contra Joaquim Barbosa. O petista alegou que o ex-ministro deixou antecipadamente o Supremo por causa de supostos erros cometidos nas condenações do Mensalão.

Delúbio relacionou a saída de Barbosa à dimensão desses supostos erros. Entretanto, Joaquim Barbosa se aposentou antecipadamente em julho de 2014, quando tinha 59 anos, e apresentou “motivos pessoais” para deixar o tribunal.

A declaração de Delúbio, portanto, representa sua própria interpretação sobre a saída do antigo ministro. O motivo oficialmente apresentado por Barbosa foi diferente da versão defendida agora pelo petista.

Ex-tesoureiro quer revisão da condenação do Mensalão

Delúbio também revelou que pretende buscar uma revisão criminal de sua condenação no Mensalão. Segundo ele, a iniciativa deve ocorrer quando o ambiente no Supremo estiver mais tranquilo.

O ex-tesoureiro afirmou que vários ministros do STF teriam, segundo sua avaliação, entrado na “onda” existente naquele período. Além disso, sua movimentação acontece justamente enquanto tenta retornar ao cenário político institucional.

Delúbio voltou oficialmente ao PT em 2011. O partido havia expulsado o ex-tesoureiro em 2005, no auge da crise provocada pelo Mensalão.

Petista disputa vaga na Câmara dos Deputados em 2026

Agora, Delúbio Soares pretende voltar à política por meio das urnas. Em 2026, ele disputa pelo PT uma vaga de deputado federal por Goiás.

Consequentemente, as declarações contra os delatores da Operação Lava Jato ganham ainda mais peso diante de sua tentativa de retornar ao Congresso Nacional. O antigo tesoureiro de um partido marcado pelo Mensalão agora tenta transformar seu histórico e suas críticas às investigações em discurso político.

Por outro lado, os fatos registrados ao longo das últimas décadas permanecem: Delúbio recebeu condenação no Mensalão, cumpriu parte da pena, recebeu indulto e posteriormente enfrentou nova condenação ligada à Lava Jato.

A sentença da Lava Jato acabou anulada por questão de competência judicial, sem análise do mérito das acusações, e o caso terminou posteriormente com reconhecimento da prescrição na Justiça Eleitoral. Em conclusão, a tentativa de Delúbio de desqualificar delatores reacende uma discussão que permanece viva no Brasil: o legado da Operação Lava Jato, os bilhões recuperados e a responsabilização de figuras poderosas da política nacional.

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