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Caso Lulinha: lobista diz que filho de Lula articulou agenda para garantir obras ao governo do Maranhão

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O caso Lulinha ganhou um novo capítulo depois da divulgação de mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular da lobista Roberta Luchsinger. As conversas indicam que Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, teria intermediado uma agenda no Palácio do Planalto para o governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB).

Segundo as mensagens divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo e reproduzidas pela Revista Oeste, Roberta afirmou que Lula daria sequência à liberação de uma obra no Estado. Além disso, registros oficiais mostram que a reunião mencionada nas conversas realmente aconteceu naquele dia.

O conteúdo coloca novamente as relações e os contatos de Lulinha em Brasília sob os holofotes. No entanto, a defesa de Brandão nega qualquer relação do governador com Roberta e afirma que sua agenda não depende da atuação de terceiros.

Caso Lulinha: mensagens apontam articulação de agenda no Planalto

Na manhã de 22 de maio de 2024, Roberta enviou um áudio para Lulinha sobre uma reunião prevista para aquele mesmo dia. O encontro envolveria Brandão e Marco Aurélio Santana, então chefe de gabinete do presidente Lula.

Na mensagem, Roberta informou que Brandão iria ao Palácio e disse que o presidente prosseguiria com a liberação de determinada obra. A lobista também afirmou ao filho de Lula que já havia comunicado ao governador que ele teria conseguido a agenda.

Em outra conversa, Roberta afirmou que encontraria Brandão para tratar de outros assuntos. Além disso, segundo a reportagem, Lulinha sugeriu que outros temas entrassem nas negociações com o governador.

Essas mensagens formam um dos pontos centrais do caso Lulinha revelado agora. Elas mostram a lobista atribuindo diretamente ao filho do presidente participação na obtenção da agenda.

Caso Lulinha envolve reunião que aparece nos registros oficiais

Os registros oficiais mostram que o encontro citado por Roberta ocorreu por volta das 17h40 daquele 22 de maio. A agenda recebeu a descrição de “Reunião Executiva”.

Portanto, o encontro mencionado nas mensagens efetivamente consta nos registros daquele dia. Isso, contudo, não prova por si só que Lulinha determinou decisões administrativas ou a liberação de recursos.

A defesa de Carlos Brandão afirmou que o governador não possui relação com Roberta. Além disso, declarou que a agenda do chefe do Executivo maranhense não depende da articulação de terceiros.

Brandão também destacou a parceria do Maranhão com o governo federal. Segundo ele, Lula é um grande aliado do Estado, onde os governos desenvolvem grandes obras em diferentes áreas.

Governo Lula anunciou cerca de R$ 60 bilhões em obras no Maranhão

Um mês depois da reunião, outro acontecimento chamou atenção. Em 21 de junho de 2024, Lula visitou São Luís e anunciou cerca de R$ 60 bilhões em obras para o Maranhão dentro do Novo PAC.

O pacote envolveu diferentes investimentos e projetos. Entre eles estavam a renovação da concessão do Porto do Itaqui, a construção de um novo berço no terminal e a implantação de um corredor de transporte na Avenida Litorânea.

No entanto, a proximidade temporal entre a reunião e o anúncio não estabelece, sozinha, relação causal entre os dois fatos. O caso Lulinha ganha relevância justamente porque as mensagens atribuíram ao filho do presidente uma articulação política antes daquele encontro.

Caso Lulinha também revela contatos com empresário próximo ao filho de Lula

Roberta também conversava com o empresário Cleber Ribas, apontado pela reportagem como próximo de Lulinha. A relação aparece em outros diálogos obtidos durante a investigação.

A defesa de Ribas apresentou uma explicação para a contratação da lobista. Segundo os advogados, o empresário contratou Roberta para assessoria relacionada à captação de clientes e identificação de oportunidades comerciais no setor de tecnologia.

A defesa classificou essa atividade como lícita e comum no mercado. Portanto, esse posicionamento também integra o conjunto de versões apresentadas diante das informações reveladas pela investigação.

Caso Lulinha: lobista recebeu quase R$ 4,5 milhões de empresa

Outro ponto relevante envolve pagamentos recebidos por Roberta. Segundo a Polícia Federal, a lobista recebeu quase R$ 4,5 milhões da HSLZ Ltda., empresa responsável pela gestão do Hospital dos Servidores Públicos do Maranhão.

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras citado na investigação aponta que os valores tiveram origem em recursos públicos estaduais. Consequentemente, os pagamentos também entraram no radar das autoridades.

O governo do Maranhão afirmou que não interfere na administração de empresas privadas. Já o diretor-geral do hospital, Plinio Tuzzolo, preferiu não comentar os repasses feitos à lobista.

A diretoria financeira da HSLZ também se manifestou. A empresa afirmou que não comenta publicamente informações comerciais individualizadas relacionadas aos contratos privados mantidos com fornecedores e prestadores de serviços.

Mensagens mostram contatos com autoridades do Maranhão

As mensagens também mostram Roberta mantendo contato com políticos e autoridades estaduais. Entre os nomes mencionados aparece Gilberto Lins e Neto, então presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária, afastado do cargo em outubro de 2024.

Em conversa com Cleber Ribas, Roberta afirmou que o presidente do Porto havia elogiado o empresário. Além disso, segundo a transcrição da PF citada pela reportagem, ela escreveu que “o gov autorizou tb”.

Esses diálogos ampliam o conjunto de relações analisadas no caso Lulinha. Entretanto, cada mensagem precisa ser considerada dentro de seu contexto e não equivale, isoladamente, à comprovação de uma irregularidade.

Relações de Lulinha e Roberta em Brasília também aparecem na investigação

As investigações apontaram ainda uma proximidade pessoal de Roberta e Lulinha com o deputado federal Fabio Macedo (Podemos-MA), aliado político de Brandão, e Lorena Macedo, mulher do parlamentar.

Lorena atuava como subsecretária de Representação Institucional do Maranhão. O cargo tem justamente a função de defender os interesses do Estado na capital federal.

O governo maranhense possui um imóvel oficial no Lago Sul, em Brasília, utilizado para essa finalidade. Por outro lado, a reportagem destaca que o local fica a menos de cinco quilômetros do endereço usado como base por Roberta e Lulinha na capital.

Uma fotografia obtida pelo Estadão acrescentou outro elemento à apuração. A imagem mostra Roberta, Lulinha, Fabio Macedo e Cleber Ribas, acompanhados de suas mulheres, durante um momento de lazer em Barreirinhas, no Maranhão.

Caso Lulinha amplia questionamentos sobre influência em Brasília

As revelações levantam novas perguntas sobre o grau de influência exercido pelo filho do presidente em agendas envolvendo autoridades e interesses estaduais. O ponto central, neste momento, está no conteúdo das conversas obtidas pela Polícia Federal.

Além disso, as mensagens não aparecem isoladas. Elas se somam aos registros da reunião, aos contatos políticos descritos na investigação e aos pagamentos de quase R$ 4,5 milhões recebidos por Roberta.

No entanto, é necessário separar aquilo que as mensagens efetivamente demonstram das conclusões que ainda dependem de investigação. As conversas indicam que Roberta atribuía a Lulinha capacidade de articulação, mas isso não comprova automaticamente a prática de crime pelo filho do presidente.

Para a oposição, porém, o episódio tende a alimentar questionamentos políticos sobre as relações do filho de Lula com pessoas que mantinham interesses junto ao poder público. Consequentemente, o caso Lulinha deverá permanecer no centro do debate político enquanto surgirem novos elementos das investigações.

Em conclusão, as mensagens reveladas apresentam uma rede de contatos que alcança empresários, autoridades do Maranhão e o Palácio do Planalto. Agora, caberá às investigações esclarecer o alcance dessas relações e determinar se houve alguma irregularidade além da articulação política descrita nas conversas.


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