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Banco Master: PF adia depoimento de Daniel Vorcaro em investigação sobre suspeita de favorecimento
Assim, cabe às autoridades confrontar as explicações apresentadas pelos envolvidos com documentos, mensagens, movimentações financeiras e outros elementos reunidos no inquérito.
Mensagens entram na investigação do caso Banco Master
A PF também analisa mensagens trocadas durante o período em que o Banco Master enfrentava dificuldades.
Uma delas partiu de Paulo Sérgio para Daniel Vorcaro em abril de 2025 e fazia referência a uma cifra de R$ 5 bilhões.
Segundo Ailton de Aquino, a conversa tratava de uma possível linha de liquidez do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A operação poderia ajudar a evitar consequências maiores de uma eventual liquidação do banco.
Além disso, Aquino relatou que Bellini e Paulo Sérgio insistiram para que ele recebesse Vorcaro em novembro de 2025.
Na ocasião, o empresário apresentou uma proposta envolvendo aporte de investidores árabes.
Caso Banco Master também envolve suspeita de informações privilegiadas
A relação entre fiscalizadores e representantes de instituições supervisionadas não representa, por si só, uma irregularidade.
Aquino afirmou considerar natural que integrantes do Banco Central mantenham contato institucional com dirigentes de bancos.
No entanto, ele explicou que fiscais não costumam antecipar questionamentos ou orientar previamente instituições sobre como responder ao próprio regulador.
Esse ponto está no centro da investigação sobre o caso Banco Master.
A Polícia Federal quer saber se Vorcaro recebeu orientação estratégica, informações internas ou algum outro tipo de favorecimento durante a fiscalização.
Além do mais, a cúpula do BC demonstrou preocupação com possíveis vazamentos de informações relacionadas ao banco.
BC restringiu informações sobre liquidação do Banco Master
A preocupação com vazamentos fez o Banco Central limitar o número de pessoas que conheciam as discussões sobre a liquidação do Banco Master.
Segundo Aquino, havia uma percepção de que decisões e análises internas chegavam ao conhecimento de investigados e até da imprensa antes da formalização.
Consequentemente, a decisão sobre a liquidação permaneceu dentro de um grupo extremamente restrito.
Aquino afirmou não possuir elementos para dizer que Vorcaro conhecia antecipadamente a decisão.
Entretanto, a insistência do empresário em apresentar uma solução de última hora despertou desconfiança entre integrantes do Banco Central.
O BC acabou liquidando o Banco Master em novembro de 2025.
Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde março
Daniel Vorcaro permanece preso preventivamente desde março de 2026.
Antes disso, ele já havia sido preso em novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero.
Poucos dias depois, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região determinou sua soltura.
Posteriormente, novas medidas levaram o empresário novamente à prisão.
O novo depoimento sobre o caso Banco Master também ocorre depois de negociações para um acordo de colaboração premiada não avançarem.
Em outro depoimento, realizado em dezembro de 2025, Vorcaro negou ter utilizado influência política para obter vantagens em seus negócios.
Caso Banco Master: depoimento de Vorcaro fica para sexta-feira
A Polícia Federal pretendia utilizar a oitiva desta quinta-feira para confrontar Daniel Vorcaro com elementos reunidos durante a investigação do caso Banco Master.
O empresário chegou a ser levado por volta das 10h para participar do procedimento virtual.
No entanto, uma instabilidade no sinal impediu a realização do depoimento. Por isso, a PF transferiu a oitiva para sexta-feira, 28.
Os investigadores querem esclarecer se pessoas responsáveis justamente por fiscalizar a instituição receberam vantagens e atuaram em benefício do banco.
Além disso, a PF procura determinar se houve vazamento de informações internas, orientação prévia ou interferência em decisões regulatórias.
As suspeitas, entretanto, ainda estão em investigação e precisam passar pelo devido processo de apuração.
Em conclusão, o novo depoimento de Vorcaro pode ajudar a Polícia Federal a esclarecer até onde chegaram as relações entre o ex-controlador do Master e integrantes da estrutura de supervisão do Banco Central.