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Moraes editou contrato de R$ 131 milhões entre escritório da esposa e Vorcaro, sugerem dados
O contrato de R$ 131 milhões do Banco Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes ganhou um novo e controverso capítulo. Registros técnicos sugerem que Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu e alterou uma versão do documento.
Os dados vieram do celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro ligado ao Banco Master, e foram revelados inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo. Além disso, o próprio escritório Barci de Moraes confirmou que o ministro teve acesso ao contrato e realizou alterações no arquivo.
Contrato de R$ 131 milhões teria sido alterado por Alexandre de Moraes
Segundo os metadados, Alexandre de Moraes modificou o arquivo às 23h04 de 15 de janeiro de 2024, utilizando o sistema Office 365. O perfil registrado como responsável pela alteração aparece identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório Barci de Moraes, aparece como autor do arquivo analisado. No entanto, os registros técnicos atribuem ao perfil identificado com o nome do ministro a modificação daquela versão.
O escritório confirmou ao Estadão que Moraes acessou o contrato e fez alterações. Segundo a banca, o setor de compliance consultou o ministro para saber se existia algum impedimento legal relacionado à contratação pelo Banco Master.
Escritório explica participação do ministro no contrato
De acordo com o escritório, a consulta ocorreu porque Alexandre de Moraes é marido de uma das sócias da banca. O objetivo seria verificar possíveis impedimentos diante da atuação da instituição financeira perante o STF.
A banca afirmou que não encontrou impedimento, pois Moraes nunca havia julgado processo envolvendo o Banco Master. Além disso, o escritório declarou que efetivamente prestou os serviços jurídicos previstos no acordo.
Moraes não se manifestou diretamente sobre as informações divulgadas. A defesa de Daniel Vorcaro também não comentou o episódio, segundo a reportagem.
Contrato do Banco Master previa desembolso superior a R$ 131 milhões
A negociação do contrato de R$ 131 milhões do Banco Master começou em janeiro de 2024. Viviane Barci de Moraes encaminhou uma minuta do documento a Vorcaro pelo WhatsApp.
Quatro dias depois, o empresário devolveu o arquivo com mudanças. Na mensagem, Vorcaro informou que havia acrescentado uma cláusula e pediu que o escritório analisasse a alteração antes da assinatura.
Os metadados indicam que Moraes modificou aquela versão aproximadamente uma hora e 40 minutos depois de Vorcaro devolvê-la à advogada. Portanto, a sequência temporal registrada nos arquivos passou a integrar as informações reveladas sobre a negociação.
Banco Master pagaria R$ 3 milhões líquidos por mês
O contrato estabelecia 36 pagamentos mensais de R$ 3 milhões líquidos ao escritório. Como os valores previstos estavam livres de impostos, cada parcela correspondia a R$ 3.646.529,77 em valores brutos.
Ao final dos três anos, o desembolso total previsto para o Banco Master chegaria a R$ 131.274.351,72. Além disso, informações apresentadas à CPI do Crime Organizado, no Senado, sugerem que o escritório recebeu R$ 80.223.653,84 entre 2024 e 2025.
Foram 22 pagamentos de aproximadamente R$ 3,64 milhões antes da liquidação do Banco Master pelo Banco Central. Os repasses terminaram depois da prisão de Vorcaro, em novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero.
Contrato de R$ 131 milhões passou por versões físicas e digitais
Depois da revisão do documento, Viviane enviou uma versão final a Vorcaro em 17 de janeiro de 2024. Cinco dias depois, o banqueiro perguntou como deveria proceder com a assinatura.
Vorcaro queria saber se as partes assinariam documentos físicos ou utilizariam meio eletrônico. Entretanto, Viviane informou naquele momento que estava fora do Brasil.
Ela pediu que as vias impressas seguissem para Guilherme Benazzi, administrador do escritório. Além do mais, solicitou que o material fosse encaminhado em envelope lacrado e confidencial.
Vorcaro assinou documento em 23 de janeiro
Vorcaro concordou com a orientação e pediu o endereço para fazer a entrega. O banqueiro assinou o contrato em 23 de janeiro de 2024.
No dia seguinte, Viviane solicitou novamente o envio eletrônico do documento. Dessa maneira, as partes poderiam assinar exatamente a mesma versão.
Os registros que permitiram reconstruir essa sequência vieram do celular de Vorcaro. As autoridades apreenderam o aparelho em novembro de 2025, durante a Operação Compliance Zero.
Escritório sustenta que consulta a Moraes ocorreu por compliance
A revelação coloca o contrato de R$ 131 milhões do Banco Master novamente no centro das atenções, especialmente pelo envolvimento do nome de um ministro do STF na revisão do arquivo. O escritório, porém, sustenta que a participação de Moraes ocorreu exclusivamente dentro de uma consulta de compliance.
Segundo a banca, o setor queria verificar eventuais impedimentos relacionados à instituição financeira e ao Supremo. Por outro lado, os metadados agora conhecidos registram concretamente o acesso e a alteração de uma versão do documento pelo perfil identificado como sendo do ministro.
O escritório também afirma que executou os serviços jurídicos previstos no contrato. Em conclusão, as novas informações acrescentam um elemento relevante ao escrutínio público sobre a relação contratual entre a banca de Viviane Barci de Moraes e o Banco Master.