Brasil
Vorcaro diz ter pago R$ 30 milhões por filme sobre Lula em suposto esquema com o PT para conseguir negócios no governo
O empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, afirmou ter destinado R$ 30 milhões em dinheiro vivo para financiar um documentário sobre o presidente Lula (PT). Segundo reportagem da revista Veja, publicada nesta sexta-feira (9), o pagamento faria parte de um suposto esquema envolvendo integrantes do Partido dos Trabalhadores e negociações para acessar fundos de pensão de empresas estatais.
As declarações aparecem em áudios e documentos atribuídos ao banqueiro, que também mencionam repasses ao Instituto Lula. Além disso, Vorcaro citou o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o ministro Alexandre Padilha nas negociações.
Entretanto, a Procuradoria-Geral da República (PGR) não deu continuidade às acusações por falta de provas. Integrantes da Polícia Federal também informaram que os relatos não apresentaram elementos mínimos de credibilidade para sustentar uma colaboração premiada.
VEJA
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Vorcaro relata pagamento de R$ 30 milhões para documentário sobre Lula
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que participou de negociações envolvendo pagamentos milionários para viabilizar negócios do Banco Master com fundos de previdência.
Segundo a Veja, o empresário apresentou detalhes dessas operações em um documento encaminhado à Procuradoria-Geral da República em junho de 2026.
O relato menciona aproximadamente R$ 30 milhões em espécie para financiar um documentário sobre Lula produzido no exterior. Além disso, Vorcaro afirmou que as negociações incluíam outros pagamentos ao Instituto Lula, administrado por Paulo Okamotto.
O documentário mencionado seria Lula, dirigido pelo cineasta norte-americano Oliver Stone. A produção reúne depoimentos de pessoas próximas ao presidente, incluindo amigos e aliados políticos.
De acordo com o banqueiro, os pagamentos teriam relação com a tentativa de obter acesso a investimentos de fundos de pensão ligados ao governo federal.
Entretanto, as autoridades não confirmaram a realização desses repasses. Portanto, os valores permanecem como alegações atribuídas a Vorcaro, sem comprovação independente divulgada.
Ex-tesoureiro do PT aparece nas acusações de Vorcaro
João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, aparece como um dos principais personagens do relato apresentado pelo banqueiro.
Segundo Vorcaro, seu então sócio e presidente-executivo do Banco Master, Augusto Lima, articulou uma aproximação com lideranças petistas da Bahia.
O senador Jaques Wagner (PT-BA), que exercia a liderança do governo Lula no Senado, teria ajudado a intermediar o primeiro contato com Vaccari.
Durante as negociações, conforme o relato, representantes ligados ao PT teriam condicionado o acesso aos fundos de pensão a pagamentos antecipados.
Além disso, Vaccari teria exigido uma comissão de 10% sobre os recursos que o Banco Master conseguisse captar.
A proposta envolveria entidades ligadas à Caixa Econômica Federal, ao Banco do Brasil, à Petrobras e aos Correios.
O banqueiro afirmou que os pagamentos serviriam para facilitar o credenciamento do banco e a entrada de recursos nas operações financeiras.
Por outro lado, a existência desse suposto acordo não recebeu confirmação das autoridades responsáveis pela análise do material.
VEJA
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Suposto esquema com o PT poderia movimentar R$ 10 bilhões
Os valores apresentados por Daniel Vorcaro chamam atenção pela dimensão financeira das operações descritas.
Segundo o empresário, caso o Banco Master conseguisse captar os recursos pretendidos, a movimentação poderia chegar a R$ 10 bilhões.
Desse total, aproximadamente R$ 1 bilhão corresponderia à suposta comissão de 10% exigida nas negociações.
Os outros R$ 9 bilhões representariam os recursos que o banco buscava captar junto aos fundos de previdência.
Além disso, o banqueiro relacionou os pagamentos ao documentário sobre Lula e ao Instituto Lula.
Entretanto, esses números representam uma projeção descrita no relato, não valores comprovadamente transferidos ou recebidos pelos envolvidos.
O caso também levanta questionamentos sobre os mecanismos de controle dos investimentos realizados por fundos de pensão de empresas estatais.
Instituto Lula e Paulo Okamotto aparecem em áudio de Vorcaro
Em uma gravação divulgada pela Veja, Vorcaro menciona Paulo Okamotto, dirigente do Instituto Lula, ao explicar as supostas negociações.
O empresário afirma que Augusto Lima teria providenciado adiantamentos relacionados ao instituto.
Na mesma conversa, menciona a exigência de colocar recursos na produção cinematográfica sobre o presidente.
Além disso, Vorcaro distingue os supostos pagamentos ao filme sobre Lula de outros patrocínios realizados pelo Banco Master.
O relato, entretanto, não demonstra que Lula tenha solicitado ou recebido pessoalmente os valores mencionados.
A própria existência dos pagamentos permanece em disputa, já que a PGR e a Polícia Federal questionaram a consistência das informações apresentadas.
CNN Brasil
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Vorcaro compara financiamento de filme sobre Lula com produção sobre Bolsonaro
Um dos trechos mais relevantes da gravação envolve uma comparação entre documentários relacionados a Lula e Jair Bolsonaro.
Durante a conversa, o interlocutor de Vorcaro menciona o financiamento de Dark Horse, produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O projeto também recebeu recursos ligados ao Banco Master, segundo reportagens publicadas anteriormente.
Vorcaro afirmou que os valores destinados à produção sobre Lula poderiam ter superado aqueles relacionados ao filme sobre Bolsonaro.
Entretanto, o banqueiro fez uma distinção entre as duas operações.
Segundo sua própria versão, os recursos relacionados ao filme sobre Bolsonaro correspondiam a um patrocínio comercial regular.
Por outro lado, ele classificou os supostos pagamentos ao documentário sobre Lula como uma operação irregular, realizada fora dos procedimentos formais.
Essa comparação ganhou repercussão durante a disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro comenta revelações sobre filme de Lula
O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, comentou as declarações divulgadas pela revista Veja.
Flávio afirmou que recebeu tratamento injusto nas discussões envolvendo o financiamento de Dark Horse, documentário sobre seu pai.
O candidato também sustentou que o patrocínio à produção sobre Jair Bolsonaro ocorreu de maneira regular.
Além disso, destacou a diferença entre os pagamentos comerciais declarados e os supostos repasses em espécie mencionados por Vorcaro.
Entretanto, as declarações do banqueiro sobre o filme de Lula ainda não contam com comprovação suficiente para estabelecer a ocorrência de crime.
A comparação entre as duas produções, portanto, exige distinguir os contratos conhecidos das acusações ainda não demonstradas.
UOL Notícias
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Alexandre Padilha aparece em relato de Vorcaro sobre fundos de pensão
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também aparece nas acusações feitas por Daniel Vorcaro.
Na época das negociações, Padilha comandava a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.
Segundo o banqueiro, o então secretário-executivo Olavo Noleto e intermediários ligados ao grupo teriam facilitado contatos com dirigentes de fundos de pensão.
Vorcaro afirmou que participou de reuniões e jantares com Padilha enquanto buscava investimentos para o Banco Master.
Além disso, mensagens obtidas pela Veja indicam contatos com um intermediário identificado como Júlio, que teria apresentado o empresário a Noleto.
O banqueiro relatou que os intermediários exigiam comissões de 10% para facilitar a captação de recursos.
Entretanto, Padilha negou manter relação com Vorcaro, enquanto Noleto negou ter recebido recursos do empresário.
VEJA
Banco Master conseguiu autorização para operar com fundos em 2024
Em abril de 2024, o Banco Master passou a integrar uma lista oficial de instituições autorizadas a receber investimentos de fundos previdenciários.
Segundo a Veja, Augusto Lima comunicou a novidade a Vorcaro em 29 de abril daquele ano.
No mesmo período, um intermediário teria solicitado R$ 500 mil ao banqueiro.
Vorcaro afirmou que realizou o pagamento e passou a cobrar resultados nas negociações.
Além disso, o empresário buscava uma operação de R$ 500 milhões envolvendo letras financeiras do Banco Master.
Entretanto, a tentativa de captação junto à Caixa enfrentou obstáculos após reportagens sobre divergências internas na avaliação do investimento.
Segundo o relato, dirigentes de outros fundos também passaram a adiar decisões envolvendo o banco.
Vorcaro afirma que supostos pagamentos chegaram a R$ 6 milhões
O banqueiro declarou que continuou tentando captar recursos mesmo depois das dificuldades enfrentadas nos fundos federais.
Segundo ele, operações com fundos municipais teriam gerado aproximadamente R$ 6 milhões em pagamentos aos supostos intermediários.
Entretanto, a reportagem não apresentou comprovação independente de que Padilha tenha recebido esses valores.
Em outubro de 2024, Vorcaro participou de novas conversas sobre reuniões com integrantes do governo.
O empresário também buscou aproximação com o presidente Lula.
A Veja identificou uma reunião confirmada no Palácio do Planalto em 4 de dezembro de 2024, fora da agenda oficial, para tratar da situação do Banco Master junto ao Banco Central.
Por outro lado, não encontrou provas de um segundo encontro com o presidente.
Em junho de 2025, Vorcaro demonstrou insatisfação com a falta de resultados. Posteriormente, em agosto, comunicou a intenção de encerrar os trabalhos dos intermediários caso não conseguissem novos investimentos.
VEJA
PGR rejeitou proposta de delação de Vorcaro por falta de provas
Apesar da gravidade das acusações, a Procuradoria-Geral da República não avançou com a proposta de colaboração apresentada pela defesa do banqueiro.
Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, integrantes da Polícia Federal também questionaram a credibilidade do material.
A defesa de Vorcaro afirmou possuir mensagens de WhatsApp, registros de retiradas de dinheiro, comprovantes e informações sobre deslocamentos dos supostos operadores.
Entretanto, as autoridades não consideraram esses elementos suficientes para validar as acusações.
Além disso, a PGR esclareceu que não houve depoimento oral de Vorcaro no procedimento de colaboração premiada.
A Procuradoria também informou que as negociações ocorreram por intermédio dos advogados do empresário.
Portanto, não existe uma delação premiada homologada que comprove os supostos pagamentos ao filme sobre Lula.
Lula e outros citados negam acusações de Vorcaro
O presidente Lula negou ter solicitado ou recebido vantagens financeiras de Daniel Vorcaro.
Também afirmou que não autorizou terceiros a receber recursos em seu nome.
Alexandre Padilha negou relação com o banqueiro. Olavo Noleto, por sua vez, rejeitou as alegações de recebimento de dinheiro.
A defesa de Augusto Lima contestou as informações divulgadas e classificou os relatos atribuídos a Vorcaro como falsos.
Além disso, questionou o vazamento de informações relacionadas a uma proposta de colaboração que as autoridades rejeitaram.
A equipe do cineasta Oliver Stone e representantes da campanha de Lula também negaram envolvimento ou conhecimento dos supostos pagamentos.
A origem e a autenticidade da gravação divulgada passaram a ser objeto de questionamentos, conforme reportagem da Folha de S.Paulo.
Folha de S.Paulo
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Caso Banco Master amplia debate sobre corrupção e fiscalização de recursos públicos
As declarações de Daniel Vorcaro acrescentam novos questionamentos à discussão sobre as relações entre instituições financeiras e autoridades políticas.
O episódio envolve suspeitas de pagamentos irregulares, tentativas de acesso a fundos de pensão e negociações com representantes do governo federal.
Além disso, o caso destaca a importância da fiscalização de investimentos que envolvem recursos destinados à aposentadoria de trabalhadores.
Entretanto, as acusações contra integrantes do PT ainda dependem de provas que permitam confirmar os fatos narrados.
A investigação sobre o Banco Master também alcança relações do empresário com políticos de diferentes partidos.
Portanto, a apuração das suspeitas exige examinar documentos, movimentações financeiras e a participação individual de cada pessoa mencionada.
As declarações divulgadas pela Veja representam um novo capítulo do caso, mas não permitem concluir que o presidente Lula ou os demais citados tenham cometido os crimes alegados.