Política
Presidente do Supremo da Bolívia foge após ordem de prisão por tráfico de drogas e pode estar no Brasil
O presidente do Supremo da Bolívia, Romer Saucedo, deixou o país após a Justiça determinar sua prisão por suspeitas de tráfico de drogas e organização criminosa. As autoridades bolivianas investigam o paradeiro do magistrado e suspeitam que ele tenha entrado no Brasil.
Além disso, o Ministério Público da Bolívia anunciou que pretende acionar a Interpol para ampliar as buscas internacionais. O episódio provocou uma crise no Judiciário boliviano e abriu um confronto entre Saucedo e o governo do presidente Rodrigo Paz.
Entretanto, o magistrado nega as acusações e afirma que sofre perseguição política. Segundo ele, integrantes do governo estariam preparando provas falsas para prejudicá-lo e atingir outras lideranças políticas. Migalhas
Presidente do Supremo da Bolívia enfrenta ordem de prisão por tráfico de drogas
A Justiça boliviana determinou a prisão de Romer Saucedo na terça-feira (3), após investigações sobre possíveis ligações com o narcotráfico.
Os promotores Daniel Perales e Edwin Sarmiento assinaram a ordem judicial. O documento aponta suspeitas de tráfico de substâncias controladas e participação em organização criminosa.
Além disso, os investigadores mencionam o artigo 48 da Lei 1008 e o artigo 132 bis do Código Penal boliviano.
As autoridades consideram que existem indícios suficientes para aprofundar as investigações. Entretanto, também apontam riscos de fuga e de interferência na produção de provas.
O processo segue sob sigilo porque conta com a colaboração de testemunhas protegidas. Consequentemente, o Ministério Público ainda não divulgou todos os elementos que sustentam as suspeitas.
Justiça da Bolívia suspeita que magistrado tenha fugido para o Brasil
O procurador-geral interino da Bolívia, José Armando Urioste, apresentou informações sobre a saída do presidente do tribunal.
Segundo Urioste, Saucedo retornou ao território boliviano na terça-feira (3), depois de realizar uma viagem internacional.
Entretanto, pouco depois, o magistrado teria deixado o país por uma rota terrestre.
As autoridades investigam a possibilidade de ele ter atravessado a fronteira com o Brasil. Até o momento, porém, não há confirmação pública de sua localização.
Além disso, o Ministério Público pretende solicitar apoio da Interpol para localizar o magistrado fora da Bolívia.
A medida poderá ampliar a cooperação entre as autoridades policiais dos países envolvidos. No entanto, uma eventual prisão no exterior dependerá dos procedimentos legais aplicáveis.
Investigação contra presidente do Supremo da Bolívia provoca operações policiais
Na quinta-feira (5), investigadores realizaram quatro operações na região de Santa Cruz, na Bolívia.
Durante as ações, as autoridades prenderam familiares de Romer Saucedo e recolheram materiais considerados relevantes para a investigação.
Além disso, os agentes buscam informações que possam esclarecer as suspeitas de participação em uma organização criminosa.
O Ministério Público mantém parte das informações em sigilo para proteger testemunhas e preservar as diligências.
Entretanto, a investigação ainda não representa uma condenação. As acusações deverão passar pelo devido processo legal, com direito à defesa.
O episódio ganhou repercussão porque envolve o dirigente de uma das principais instituições do sistema judicial boliviano.
Governo da Bolívia relaciona investigação a esquema de proteção ao narcotráfico
O governo de Rodrigo Paz relaciona o caso de Saucedo a outras investigações envolvendo autoridades do sistema judicial.
Entre os episódios mencionados está a prisão do ex-procurador-geral Roger Mariaca, ocorrida em outubro.
Mariaca enfrenta acusações de liderar uma organização criminosa que ofereceria proteção a atividades ligadas ao narcotráfico.
Além disso, o ministro de Governo, Marco Antonio Oviedo, comentou a saída de Saucedo do país.
Segundo Oviedo, o magistrado demonstrou preocupação com o avanço das investigações.
Entretanto, a existência de apurações contra diferentes autoridades não comprova automaticamente uma ligação criminosa entre todos os investigados.
O Ministério Público deverá esclarecer as responsabilidades individuais e apresentar as provas correspondentes.
Presidente do Supremo da Bolívia acusa governo de perseguição política
Depois de deixar o país, Romer Saucedo publicou uma longa manifestação na rede social X.
O magistrado afirmou que tomou uma das decisões mais difíceis de sua vida. Segundo ele, sua liberdade e a segurança de seus familiares estariam ameaçadas.
Além disso, Saucedo acusou integrantes do poder político de utilizar o sistema judicial para perseguir adversários.
O presidente do tribunal também alegou que seus opositores pretendem fabricar provas para desacreditá-lo publicamente.
Entretanto, essas declarações representam a versão apresentada pelo próprio magistrado. Até o momento, ele não demonstrou publicamente que as provas da investigação tenham sido fabricadas.
Saucedo afirmou que prefere permanecer fora do país a enfrentar uma prisão que considera injusta.
Romer Saucedo afirma que teme pela vida e pela segurança da família
Na publicação, o magistrado declarou que a Bolívia deixou de oferecer garantias suficientes para sua segurança.
Ele também acusou adversários políticos de ameaçar sua família e de tentar controlar o Poder Judiciário.
Além disso, relembrou um episódio de sua juventude, quando enfrentou uma prisão que considera injusta, aos 21 anos.
Saucedo contou que seu pai o visitava diariamente durante aquele período. A lembrança apareceu em uma mensagem dirigida aos familiares.
O magistrado também mencionou os mais de 740 mil votos que recebeu na eleição para o Tribunal Supremo de Justiça.
Segundo ele, o resultado demonstrou o apoio popular à sua atuação.
Entretanto, o governo boliviano rejeita a versão de perseguição política e sustenta que as investigações devem seguir seu curso.
Presidente Rodrigo Paz rebate acusações e comenta fuga do magistrado
Durante uma viagem à Espanha para participar da Cúpula Ibero-Americana, o presidente Rodrigo Paz comentou o episódio.
Paz rejeitou as acusações de perseguição política apresentadas por Romer Saucedo.
Além disso, classificou a saída do magistrado como uma notícia lamentável para o país.
O presidente relacionou o episódio às investigações que envolvem integrantes do sistema judicial boliviano.
Por outro lado, Saucedo insiste que o governo busca interferir na Justiça e enfraquecer autoridades que resistem às pressões políticas.
O confronto entre as duas versões amplia a repercussão do caso e coloca em discussão a independência do Judiciário.
Supremo da Bolívia dá prazo para magistrado retornar ao cargo
Diante da ausência de Romer Saucedo, a Sala Plena do Tribunal Supremo de Justiça decidiu estabelecer um prazo para seu retorno.
O tribunal concedeu seis dias para que o magistrado reassuma suas atividades em Sucre, sede da instituição.
Entretanto, caso ele não retorne, os integrantes do tribunal poderão analisar medidas legais relacionadas ao abandono do cargo.
Além disso, a decana Rosmery Ruiz assumiu interinamente a presidência da Corte.
A decisão busca garantir a continuidade dos trabalhos administrativos e judiciais enquanto permanece a indefinição sobre Saucedo.
O tribunal também deverá acompanhar os desdobramentos da investigação criminal e as decisões das autoridades competentes.
Quem é Romer Saucedo, presidente do Supremo da Bolívia?
Romer Saucedo tem 38 anos e construiu sua carreira jurídica em Santa Cruz, na Bolívia.
O advogado conquistou uma vaga no Tribunal Supremo de Justiça nas eleições judiciais de 2024.
Na ocasião, recebeu mais de 700 mil votos, tornando-se um dos magistrados mais votados do país.
Além disso, assumiu a presidência do tribunal em janeiro de 2025.
Em 15 de outubro de 2026, Saucedo apresentou sua renúncia à presidência da Corte, com efeitos previstos para janeiro de 2027.
Entretanto, a investigação criminal e sua saída do território boliviano anteciparam uma crise institucional envolvendo sua permanência no comando do tribunal.
Gestão de Saucedo revisou processos contra opositores do Movimento ao Socialismo
Durante sua gestão, Romer Saucedo determinou a revisão de processos judiciais envolvendo lideranças contrárias ao Movimento ao Socialismo (MAS).
A legenda teve papel central na política boliviana durante os governos de Evo Morales e Luis Arce.
Entre os beneficiados pelas revisões judiciais estão Luis Fernando Camacho, Marco Antonio Pumari e Jeanine Áñez.
Além disso, as decisões contribuíram para a libertação progressiva dessas lideranças.
As medidas tiveram repercussão política porque envolveram figuras que protagonizaram disputas com o antigo grupo governista.
Entretanto, a revisão desses processos não permite concluir, por si só, que as acusações atuais contra Saucedo tenham motivação política.
Em conclusão, o caso reúne uma investigação sobre narcotráfico, acusações de perseguição política e uma crise na direção do Tribunal Supremo de Justiça.
A possível presença do magistrado no Brasil também acrescenta uma dimensão internacional ao episódio.
Agora, as autoridades bolivianas buscam localizar Saucedo, enquanto o tribunal tenta assegurar a continuidade de suas atividades.
O avanço das investigações deverá esclarecer se existem provas suficientes para sustentar as acusações e quais serão as consequências jurídicas para o magistrado.