Brasil
Flávio Bolsonaro promete tentar anistia para Jair Bolsonaro e admite cargo ao pai em eventual governo
A anistia de Bolsonaro entrou de vez no centro da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro. O senador afirmou nesta sexta-feira, 8 de maio, que pretende usar a força política de um presidente recém-eleito para tentar aprovar uma anistia ampla, geral e irrestrita aos condenados pelo 8 de Janeiro, incluindo o próprio pai, Jair Bolsonaro.
Em entrevista à CNN Brasil, Flávio também admitiu a possibilidade de nomear Jair Bolsonaro para um cargo em eventual governo. No entanto, para isso acontecer, o ex-presidente precisaria conseguir a anistia, já que cumpre pena após condenação pelo Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado.
Além disso, Flávio disse que deseja ver Bolsonaro subindo a rampa com ele em 6 de janeiro do próximo ano, caso vença a eleição. Portanto, o tema não aparece apenas como gesto simbólico; virou peça central da estratégia política do PL.
Anistia de Bolsonaro seria prioridade na transição
A anistia de Bolsonaro foi tratada por Flávio como uma pauta para o período de transição. Segundo o senador, esse intervalo entre a eleição e a posse daria força política para negociar com o Congresso Nacional.
Flávio afirmou que pretende usar essa força para aprovar uma anistia ampla, geral e irrestrita. A ideia incluiria condenados pelos atos de 8 de Janeiro e também Jair Bolsonaro.
No entanto, a proposta deve enfrentar resistência no Congresso, no Judiciário e entre adversários da esquerda. Afinal, o tema mexe diretamente com a disputa sobre 8 de Janeiro, condenações e limites da atuação do STF.
Flávio admite cargo para Jair Bolsonaro no governo
Flávio Bolsonaro também afirmou que Jair Bolsonaro poderia exercer um cargo em seu eventual governo. “Se ele quiser exercer algum cargo no meu governo, é óbvio que ele vai exercer, sim”, disse o senador na entrevista.
Além disso, Flávio contou que nunca perguntou ao pai se ele teria vontade de assumir um ministério. Portanto, a possibilidade existe politicamente, mas ainda não virou plano fechado.
Por outro lado, o senador fez questão de dizer que ele seria o presidente. Jair Bolsonaro, segundo Flávio, serviria como um “norte” para o governo. Em contraste com a caricatura feita pela esquerda, a fala tenta mostrar continuidade sem assumir tutela direta.
Anistia de Bolsonaro reacende debate sobre 8 de Janeiro
A anistia de Bolsonaro deve reacender uma discussão que divide Brasília. Para a direita, a pauta representa correção de excessos, pacificação política e resposta ao que muitos conservadores chamam de perseguição judicial.
Entretanto, a esquerda e setores do Supremo tratam o tema como tentativa de livrar condenados por ataques às instituições. Consequentemente, o debate tende a virar uma das maiores batalhas políticas de 2026.
O fato é que Flávio colocou o assunto na mesa sem rodeio. Se vencer, tentará usar capital político inicial para pressionar o Congresso. E, como se sabe, início de governo costuma ser o momento de maior força parlamentar.
Senador quer reduzir ministérios de 39 para cerca de 27
Flávio Bolsonaro também falou sobre a estrutura administrativa de um eventual governo. Ele afirmou que trabalha com algo em torno de 27 ministérios, contra os 39 existentes atualmente.
Além do mais, disse que esse número ainda pode cair. A proposta busca “enxugar bastante a máquina pública”, segundo o senador.
Para o eleitor de direita, esse ponto conversa diretamente com uma crítica antiga ao petismo. O governo Lula inchou a estrutura federal, distribuiu ministérios e transformou a Esplanada em vitrine de acomodação política.
Venda de imóveis da União entra no plano
Flávio também citou o patrimônio imobiliário da União como alternativa para reforçar o caixa público. Segundo ele, há mais de R$ 1 trilhão em imóveis avaliados pertencentes ao governo federal.
A ideia seria dar continuidade ao que Jair Bolsonaro começou, colocando imóveis à venda ou criando um fundo para gerir esse patrimônio. No entanto, o senador disse que ainda não recebeu uma versão formal de plano de governo.
Além disso, Flávio mencionou a venda de participações acionárias da União em empresas estatais. Para ele, essas participações poderiam gerar mais caixa para o governo.
Inteligência artificial contra desperdício público
O senador ainda defendeu o uso de tecnologia para monitorar gastos públicos. Ele falou em uma espécie de “compliance tecnológico” com fiscalização por inteligência artificial.
Segundo Flávio, esse sistema dificultaria muito o desperdício de dinheiro público em todas as áreas. Portanto, a proposta tenta combinar redução da máquina, venda de ativos e controle digital de gastos.
Em conclusão, a anistia de Bolsonaro virou promessa explícita de Flávio Bolsonaro em eventual governo. O senador também admite dar cargo ao pai, fala em cortar ministérios e promete usar tecnologia contra desperdício. Para a direita, o recado é direto: se Flávio chegar ao Planalto, o primeiro choque político será com o STF, o Congresso e toda a narrativa montada em torno de 8 de Janeiro.