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Banco Master: Flávio diz à CNN que não tinha “nada” a oferecer a Vorcaro
O caso Banco Master voltou ao centro do debate político depois que Flávio Bolsonaro, senador pelo PL do Rio de Janeiro e pré-candidato à Presidência, afirmou à CNN Brasil que não teria “nada” a oferecer a Daniel Vorcaro como senador da oposição. A fala ocorreu nesta sexta-feira, 15, em entrevista à emissora.
Flávio tentou rebater a suspeita de que poderia existir alguma troca de favor no pedido de recursos para o filme Dark Horse, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Portanto, a defesa política dele foi direta: em dezembro de 2024, Jair Bolsonaro não era presidente, e Flávio também não comandava o governo.
Banco Master entra de novo na mira da política nacional
O Banco Master virou peça central em mais uma disputa envolvendo imprensa, oposição e bolsonarismo. Na entrevista, Flávio disse que não tinha relação com Vorcaro e questionou qual benefício poderia oferecer ao ex-banqueiro.
A frase mais forte veio em tom de desafio. “O que eu poderia oferecer como senador? Nada”, afirmou Flávio, segundo a CNN Brasil.
Além disso, ele lembrou que, em dezembro de 2024, Bolsonaro já não ocupava a Presidência da República. Na visão do senador, esse detalhe enfraquece a tese de troca de favores com o governo.
No entanto, o caso ganhou força porque Vorcaro aparece ligado ao Banco Master, instituição que se tornou alvo de forte pressão pública. A pergunta que fica é simples: houve patrocínio privado ou tentativa de criar escândalo eleitoral?
Banco Master, Vorcaro e o filme Dark Horse
A polêmica do Banco Master cresceu depois que o Intercept Brasil divulgou reportagem sobre uma suposta negociação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Segundo a CNN, a reportagem apontou pedido de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro.
O longa se chama Dark Horse. A produção é uma cinebiografia inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ainda segundo a CNN, a reportagem mencionou áudios, mensagens, documentos e comprovantes bancários ligados à negociação. Também apontou que pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025.
Por outro lado, Flávio afirma que buscou patrocínio privado para um filme privado. Ele também nega ter oferecido vantagens, promovido encontros fora da agenda, intermediado negócios com o governo ou recebido dinheiro.
Flávio diz que irregularidades eram desconhecidas
Na entrevista à CNN, Flávio afirmou que pediu dinheiro a Vorcaro porque, naquele momento, as irregularidades atribuídas ao ex-banqueiro ainda não eram conhecidas publicamente.
Esse ponto é importante. Afinal, uma coisa é procurar investimento privado antes de qualquer suspeita pública. Outra coisa seria negociar benefício oficial em troca de dinheiro.
Entretanto, até aqui, Flávio sustenta a primeira versão. Ele tenta mostrar que o caso envolve financiamento cultural privado, e não uso da máquina pública.
Além do mais, o próprio senador já havia divulgado nota dizendo que se tratava de “um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”. Na mesma nota, ele frisou: “zero de dinheiro público” e “zero de Lei Rouanet”.
Banco Master: defesa fala em CPI para separar inocentes e culpados
O caso Banco Master também virou bandeira política para Flávio Bolsonaro. Em nota anterior, ele defendeu a instalação de uma CPI do Banco Master para, nas palavras dele, separar “inocentes” de “bandidos”.
Portanto, a estratégia é clara. Flávio tenta tirar o debate do campo da insinuação e levar a discussão para uma investigação mais ampla.
A esquerda, claro, tenta transformar o episódio em desgaste eleitoral. Isso era previsível, principalmente porque Flávio aparece como pré-candidato à Presidência pelo PL.
No entanto, a melhor resposta para qualquer narrativa continua sendo documento. Contratos, comprovantes, datas e prestação de contas podem esclarecer o caminho do dinheiro.
Caso também chegou ao STF
A crise ganhou mais um ingrediente depois que o ministro Flávio Dino, do STF, abriu uma investigação sobre supostos direcionamentos de emendas parlamentares para projetos culturais, incluindo o filme sobre Bolsonaro. Segundo a CNN, o procedimento tramita sob sigilo.
A denúncia foi apresentada pela deputada Tabata Amaral. Ela alegou possível uso de emendas para marketing eleitoral e financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.
Em contraste, Flávio e Mário Frias defendem que Dark Horse é uma produção com capital privado. Frias classificou o filme como uma superprodução em padrão hollywoodiano, com ator, diretor e roteirista de renome internacional.
Consequentemente, o caso agora mistura eleição, cinema, Banco Master, STF e guerra de narrativas. É o tipo de enredo que Brasília sabe explorar como poucos.
Banco Master e a pergunta que incomoda
A frase de Flávio resume a linha de defesa: o que ele poderia oferecer como senador de oposição? Nada.
Essa resposta ataca o coração da suspeita. Se não havia governo Bolsonaro, se não havia cargo no Executivo e se não houve promessa de vantagem, a acusação precisa mostrar fatos concretos.
No entanto, a transparência será decisiva. Quem pede dinheiro a um banqueiro investigado depois precisa explicar tudo, principalmente em ano eleitoral.
Em conclusão, o caso Banco Master segue aberto no campo político e jurídico. Flávio nega irregularidade, diz que pediu patrocínio privado e afirma que não tinha nada a oferecer a Vorcaro. Agora, caberá aos documentos mostrar se a história termina em fato comprovado ou em mais uma narrativa de campanha.