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Brasileiros no Paraguai batem recorde e revelam fuga por economia, impostos e política

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Brasileiros no Paraguai já não são apenas agricultores de fronteira ou gente que cruza a Ponte da Amizade para comprar mais barato.

Agora, o movimento ganhou outra dimensão. Profissionais liberais, empresários, aposentados e famílias inteiras olham para o país vizinho como alternativa de vida, trabalho e investimento.

Segundo O Globo, a migração de brasileiros para o Paraguai bateu recorde, puxada por fatores econômicos e também por justificativas políticas. A longa fila em postos migratórios virou uma cena cada vez mais comum na fronteira.

Além disso, os dados oficiais do Paraguai confirmam o tamanho do fenômeno. Em 2025, o país registrou recorde histórico de residências concedidas a estrangeiros.

Brasileiros no Paraguai lideram ranking de residências

Os brasileiros no Paraguai lideram com folga a lista de estrangeiros que conseguiram residência no país.

A Direção Nacional de Migrações do Paraguai informou que recebeu 47.687 pedidos de residência em 2025. Esse número representou alta de mais de 63% em relação a 2024.

No mesmo período, o Paraguai concedeu 40.600 residências a estrangeiros. Desse total, 23.526 foram para brasileiros, ou seja, 58% das residências concedidas.

Portanto, o Brasil aparece no topo da lista.

Depois vêm Argentina, Alemanha, Bolívia, Espanha, Venezuela, Holanda, Estados Unidos, Rússia e França. No entanto, nenhum desses países chegou perto do volume brasileiro.

E aí fica a pergunta incômoda: por que tanta gente está olhando para o Paraguai como saída?

Economia, impostos e custo de vida empurram brasileiros para fora

A resposta passa pela economia.

O Paraguai se vende como um país de sistema tributário mais simples, custo de vida competitivo e regras mais previsíveis para quem quer empreender. Além disso, o processo de residência é considerado mais ágil que em outros países.

A Gazeta do Povo registrou que a nova onda migratória consolida o Paraguai como destino regional para quem busca menos burocracia e custos operacionais mais baixos.

Consequentemente, o perfil do migrante mudou.

Antes, muita gente associava os “brasiguaios” apenas ao agronegócio em regiões de fronteira. Agora, entram na conta pequenos empresários, profissionais liberais, trabalhadores remotos, estudantes e aposentados.

Por outro lado, o Brasil vê um sinal de alerta. Quando brasileiros produtivos começam a procurar outro país para viver, trabalhar e pagar imposto, alguma coisa está muito errada por aqui.

Brasileiros no Paraguai buscam menos burocracia

Os brasileiros no Paraguai também citam a rapidez da documentação como atrativo.

Em mutirões migratórios, o processo pode sair bem mais rápido. A Gazeta do Povo informou que, enquanto o procedimento convencional pode levar até quatro meses, em mutirões a documentação pode sair em menos de uma semana.

A residência temporária vale por dois anos. Ela permite trabalhar, empreender e realizar operações imobiliárias de forma regular.

Além do mais, Ciudad del Este virou símbolo dessa nova fase. Em um mutirão MigraMóvil, entre mil e 1,2 mil pessoas passaram pelo Centro Cultural Mangoré, e cerca de 90% eram brasileiras.

Teve gente que passou a noite na fila. Teve gente que viajou de São Paulo e do Rio de Janeiro só para tentar regularizar a vida no país vizinho.

Insatisfação política também pesa na decisão

A migração não tem apenas motivo econômico.

Segundo a repercussão da reportagem de O Globo, fatores políticos também ajudam a explicar o aumento da procura pelo Paraguai.

No Brasil, muita gente reclama de insegurança jurídica, carga tributária alta, burocracia sufocante e instabilidade institucional. Entretanto, no Paraguai, esses mesmos brasileiros enxergam um ambiente mais previsível para planejar o futuro.

É claro que nem todo mundo muda por ideologia.

No entanto, para uma parte desse público, o clima político brasileiro pesa na decisão. E isso deveria preocupar qualquer governante sério.

Em contraste, o Paraguai comemora. Afinal, o país recebe capital, mão de obra qualificada e gente disposta a abrir empresa, consumir e movimentar a economia local.

Paraguai aproveita a crise de confiança do Brasil

O diretor nacional de Migrações do Paraguai, Jorge Kronawetter, atribuiu o crescimento a políticas públicas definidas, sistema tributário favorável, localização estratégica, custo competitivo e processos de residência acessíveis.

Traduzindo para o português claro: enquanto o Brasil complica, o Paraguai tenta facilitar.

Esse contraste explica muita coisa.

O brasileiro não foge apenas de um país. Muitas vezes, ele foge de imposto demais, regra confusa, insegurança jurídica e governo que trata empreendedor como inimigo.

Migração de brasileiros para o Paraguai deve continuar crescendo

A tendência não parou em 2025.

Nos primeiros 20 dias de 2026, o Paraguai já tinha recebido 2.817 pedidos de residência. Isso representou aumento de cerca de 79% em relação ao mesmo período de 2025.

Além disso, a Direção Nacional de Migrações informou que o programa MigraMóvil teria 22 edições em 2026, distribuídas por 14 localidades do país.

Ou seja, o Paraguai está se organizando para receber mais gente.

Em conclusão, o recorde de brasileiros no Paraguai revela mais do que uma simples mudança de endereço. Ele mostra um recado duro para o Brasil.

Quando o cidadão trabalhador começa a procurar refúgio econômico no vizinho, o problema não está na mala dele. Está no país que ele decidiu deixar para trás.

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