Brasil
Governo Lula mira novos caças Gripen enquanto Defesa sofre corte bilionário
O governo Lula planeja comprar até 20 novos caças Gripen, da fabricante sueca Saab, mesmo depois de a Defesa sofrer forte bloqueio de recursos. A intenção foi anunciada nesta quinta-feira, 4, em meio a um cenário de aperto nas Forças Armadas e pressão sobre o Orçamento.
A conta, como sempre, levanta a pergunta que Brasília tenta evitar: há dinheiro para isso?
Caças Gripen entram no radar mesmo com corte na Defesa
O ministro da Defesa, José Múcio, formalizou o interesse brasileiro em carta enviada ao ministro da Defesa da Suécia, Pål Jonson. No entanto, ainda não existe contrato assinado nem cronograma definido para a eventual compra.
Caso a negociação avance, a frota brasileira passaria das atuais 36 aeronaves contratadas para 56 unidades. Portanto, o governo fala em ampliar um programa estratégico enquanto a tesoura fiscal pega justamente a área militar.
Recentemente, o Ministério da Defesa perdeu quase R$ 4,5 bilhões no contingenciamento federal, segundo a Revista Oeste. Além disso, o bloqueio geral no Orçamento de 2026 chegou a R$ 23,678 bilhões, conforme informou o Ministério do Planejamento.
Caças Gripen podem elevar frota brasileira para 56 unidades
A Saab afirmou que o Brasil está satisfeito com o desempenho dos caças Gripen e que está pronta para iniciar tratativas. Entretanto, a empresa depende do avanço formal das negociações entre os governos.
A ampliação da frota foi apresentada como parte de uma cooperação maior entre Brasil e Suécia. Além disso, os dois países discutem projetos industriais, tecnologia e defesa.
Na prática, o governo tenta vender a compra como investimento de longo prazo. Por outro lado, o momento orçamentário torna a decisão politicamente sensível.
Caças Gripen são aposta antiga da FAB
A compra dos caças Gripen faz parte de um processo de modernização iniciado ainda no fim dos anos 1990. Depois de uma concorrência longa, a Força Aérea Brasileira escolheu o modelo sueco em 2013.
O contrato para 36 aeronaves foi assinado em 2014. Segundo a Saab, o acordo prevê 28 Gripen E, de um lugar, e 8 Gripen F, de dois lugares.
Na época, a FAB considerava necessária uma frota de cerca de 120 caças avançados para atender plenamente às necessidades do país. No entanto, restrições orçamentárias reduziram o programa original para 36 unidades.
Caças Gripen já tinham pedido de ampliação em 2022
O interesse em aumentar a frota não surgiu agora. Em 2022, o então comandante da Aeronáutica, Carlos Almeida Baptista Junior, afirmou que a FAB desejava adquirir pelo menos mais 30 aeronaves.
Agora, o plano fala em até 20 novos caças Gripen. Consequentemente, o governo reduz a ambição anterior, mas mantém a ideia de ampliar o contrato.
Em paralelo, a Suécia decidiu comprar aeronaves C-390 da Embraer. Em contraste com a falta de recursos militares no Brasil, essa parceria fortalece a indústria de defesa entre os dois países.
Produção dos caças Gripen ganha força no Brasil
Um dos pontos centrais do acordo é a participação da indústria nacional. Parte dos caças Gripen já sai da linha de produção em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, onde Saab e Embraer trabalham no programa.
A Embraer informou, em março, que sua planta industrial produz Gripen E com uma cadeia de suprimentos brasileira e internacional. Além disso, outros 14 caças do contrato atual seguirão esse modelo de produção.
A Saab também planeja criar um centro de pesquisa e desenvolvimento no Brasil, dentro da ampliação da cooperação com a Suécia. Portanto, o tema não envolve apenas aviões, mas também indústria, tecnologia e empregos qualificados.
Caças Gripen envolvem transferência de tecnologia
O contrato firmado entre Brasil e Suécia incluiu treinamento de engenheiros brasileiros, desenvolvimento conjunto de sistemas e participação nacional em etapas relevantes da produção.
Esse ponto ajuda a explicar por que os caças Gripen aparecem como prioridade dentro da FAB. Entretanto, prioridade estratégica não elimina a obrigação de explicar os custos.
O contribuinte brasileiro merece saber quanto vai pagar, quando vai receber e quais áreas militares ficarão descobertas enquanto o governo anuncia novos planos.
Caças Gripen ainda enfrentam atrasos e questionamentos
O programa segue sob análise por causa do cronograma e da execução financeira. Segundo a Revista Oeste, até março deste ano, cerca de 60% dos recursos previstos já tinham sido desembolsados, mas apenas 11 dos 36 aviões haviam sido entregues para operação.
A FAB atribui parte dos custos adicionais ao desenvolvimento das versões Gripen E e Gripen F. Além disso, essas versões incorporaram tecnologias inéditas e exigiram um processo amplo de transferência tecnológica.
Nesta semana, a Saab apresentou o primeiro Gripen F em Linköping, na Suécia. A FAB deve receber oito aeronaves dessa versão de dois lugares.
A expectativa é que as entregas do contrato original terminem até 2027. No entanto, o histórico de atrasos pede cautela antes de qualquer nova promessa.
Em conclusão: defesa nacional exige seriedade, não improviso
A compra de caças Gripen pode fazer sentido do ponto de vista estratégico. Um país continental como o Brasil precisa de defesa aérea moderna.
O problema está no contraste. O governo anuncia interesse em novos caças enquanto corta bilhões da Defesa e mantém outras áreas sob forte pressão fiscal.
Em conclusão, modernizar as Forças Armadas é necessário. Mas gastar bem, entregar no prazo e respeitar o dinheiro do pagador de impostos também deveria ser obrigação básica.