Brasil
Pesquisa Meio/Ideia: quase metade dos brasileiros tem pouca ou nenhuma confiança no STF
A confiança no STF enfrenta um momento delicado entre os brasileiros. Pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira (9) mostra que 49,7% dos entrevistados afirmam ter pouca ou nenhuma confiança no Supremo Tribunal Federal.
O levantamento surge em meio a uma forte crise institucional envolvendo integrantes da Corte. Além disso, os números mostram que mais da metade dos entrevistados concorda com a afirmação de que ministros do Supremo decidem mais por interesse próprio do que pela lei.
Confiança no STF: 49,7% demonstram desconfiança
Os entrevistados responderam quanto confiavam no Supremo Tribunal Federal. Segundo a pesquisa, 21,3% disseram não possuir nenhuma confiança na instituição.
Outros 28,4% responderam que possuem pouca confiança, elevando para 49,7% a soma desses dois grupos. Por outro lado, 31,2% disseram ter alguma confiança no STF.
Apenas 7,3% afirmaram confiar muito no Supremo, enquanto 11,7% não souberam responder. Portanto, os dados colocam a confiança no STF novamente no centro do debate nacional.
Crise entre Moraes, Vorcaro e Mendonça antecede pesquisa
A pesquisa ocorreu entre os dias 4 e 7 de setembro, justamente durante uma crise envolvendo o Supremo. O episódio ganhou força depois da divulgação de mensagens entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, no contexto da investigação sobre o Banco Master.
Segundo o Metrópoles, o conteúdo revelou uma relação próxima entre Moraes e Vorcaro e passou a alimentar questionamentos sobre a atuação do ministro em assuntos relacionados ao banco. O ministro André Mendonça, relator do caso, determinou o levantamento do sigilo do material.
Além disso, a crise passou a envolver diretamente a atuação dos próprios ministros. Moraes pediu uma investigação contra Mendonça por suspeita de abuso de autoridade e utilizou um relatório da Polícia Federal para fundamentar o pedido.
Mendonça, entretanto, questionou tanto a produção quanto a utilização desse documento. O ministro afirmou que a Polícia Federal havia reunido informações sobre sua atuação de maneira irregular.
Confiança no STF entra no centro da crise institucional
O conflito ganhou um novo capítulo nessa terça-feira (8), quando André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A decisão também atingiu o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada.
A medida alcançou diretamente uma autoridade subordinada ao Poder Executivo, já que Rodrigues comanda a PF. Consequentemente, o governo Lula entrou na disputa e o Planalto recorreu da decisão que determinou o afastamento.
Nesse ambiente de tensão, a pesquisa oferece um retrato importante da percepção popular sobre o Supremo. Os números também mostram que a crise envolvendo Moraes e Vorcaro já chegou ao conhecimento de grande parcela da população.
Caso Moraes e Vorcaro é conhecido por 75,5%
A Meio/Ideia também perguntou aos brasileiros sobre o episódio envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Nada menos que 75,5% dos entrevistados disseram que já ouviram falar do caso.
Outros 24,5% afirmaram que não conheciam o episódio. Além disso, entre aqueles que conheciam o assunto, o instituto procurou descobrir se o problema estaria restrito a um ministro ou alcançaria o próprio STF.
Para 18,2%, trata-se de um problema de um ministro em particular. Em contraste, 30% responderam que enxergam um problema do Supremo Tribunal Federal como instituição.
Crise do STF vai além de um ministro para 40,5%
Outro grupo, correspondente a 40,5%, considera que existe simultaneamente um problema do STF e de um ministro específico. Já 11,3% não souberam responder.
Esse resultado amplia a dimensão política e institucional da discussão sobre a confiança no STF. Afinal, entre aqueles que conhecem o caso, uma parcela expressiva não restringe a controvérsia somente à conduta individual de um integrante da Corte.
Além do mais, a pesquisa avaliou diretamente como os brasileiros enxergam as decisões tomadas pelos ministros do Supremo.
Confiança no STF: 51,6% apontam interesse próprio nas decisões
O levantamento apresentou aos entrevistados uma afirmação sobre o comportamento dos integrantes da Corte: os ministros do STF decidiriam mais por interesse próprio do que pela lei.
Segundo a Meio/Ideia, 51,6% concordaram com essa afirmação. Apenas 10,9% discordaram.
Outros 23,9% responderam que não concordam nem discordam. Por outro lado, 13,6% não souberam responder ao questionamento.
Para quem acompanha as sucessivas controvérsias envolvendo o Supremo, os números ajudam a dimensionar o desgaste da instituição perante uma parcela significativa da sociedade. Entretanto, a pesquisa mede percepção pública e não estabelece, por si só, que decisões judiciais tenham sido efetivamente motivadas por interesses particulares.
Pesquisa sobre confiança no STF ouviu 1,5 mil brasileiros
A pesquisa Meio/Ideia ouviu 1,5 mil pessoas entre os dias 4 e 7 de setembro. O levantamento possui margem de erro de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos.
O nível de confiança informado pelo instituto é de 95%. Além disso, a pesquisa possui registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-07935/2026.
Em conclusão, os números revelam um cenário de forte desconfiança: 49,7% dizem confiar pouco ou nada no Supremo, enquanto 51,6% concordam que ministros decidem mais por interesse próprio do que pela lei.
Em um momento marcado pelas controvérsias envolvendo Moraes, Vorcaro, Mendonça e a Polícia Federal, a confiança no STF passa a ocupar posição ainda mais relevante no debate político e institucional brasileiro.