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Crime organizado movimenta bilhões com criptomoedas, alerta órgão global
O crime organizado e criptomoedas voltaram ao centro das discussões internacionais após um novo relatório do Grupo de Ação Financeira (Gafi). O documento aponta que organizações criminosas estão explorando falhas regulatórias para movimentar bilhões de dólares em ativos virtuais. Além disso, o órgão afirma que os esquemas ilícitos se tornaram mais sofisticados e difíceis de identificar.
Segundo o Gafi, as redes criminosas ampliaram o uso de criptomoedas para lavagem de dinheiro, golpes financeiros e ocultação de recursos obtidos ilegalmente. O relatório destaca que a evolução tecnológica tem permitido operações mais complexas e integradas entre diferentes países. Portanto, o combate a esse tipo de crime exige cooperação internacional e maior fiscalização do mercado de ativos digitais.
Crime organizado e criptomoedas preocupam autoridades internacionais
O Grupo de Ação Financeira, organismo intergovernamental responsável por estabelecer padrões globais de combate à lavagem de dinheiro, afirma que o cenário piorou no último ano. Conforme a entidade, criminosos passaram a utilizar novas estruturas para dificultar o rastreamento das operações financeiras. Além do mais, diversas organizações desenvolveram sistemas próprios para movimentar recursos de origem ilícita.
O relatório também informa que reguladores, bancos e empresas do setor enfrentam desafios permanentes para identificar fluxos financeiros ilegais. Esses obstáculos cresceram com a expansão do mercado de criptomoedas. Consequentemente, o Gafi recomenda que os países acelerem a implementação de mecanismos de controle e fiscalização.
Stablecoins ganham espaço entre organizações criminosas
Um dos pontos destacados pelo relatório envolve o crescimento do uso das chamadas stablecoins, criptomoedas vinculadas a ativos como o dólar. Segundo o Gafi, essas moedas digitais passaram a ser utilizadas com maior frequência por grupos criminosos.
Além disso, algumas organizações desenvolveram suas próprias stablecoins. O objetivo seria reduzir o risco de bloqueio ou apreensão pelas autoridades responsáveis pelas investigações. No entanto, o órgão ressalta que esse movimento aumenta a complexidade das ações de fiscalização.
Implementação das regras ainda apresenta lacunas
O levantamento mostra que houve avanço no número de países que seguem as recomendações internacionais para regular o mercado de criptomoedas. Em abril de 2026, 51 das 149 jurisdições avaliadas apresentavam ampla conformidade com os padrões definidos pelo Gafi. Esse percentual representa cerca de 34% dos países analisados, acima dos 29% registrados no ano anterior.
Apesar desse progresso, o relatório afirma que ainda existem lacunas significativas na aplicação prática das medidas de prevenção. Portanto, muitos países continuam vulneráveis ao uso criminoso dos ativos virtuais. Além disso, a falta de padronização entre legislações nacionais dificulta o trabalho das autoridades.
Brasil também enfrenta desafios no setor
O debate ocorre em um momento de maior atenção ao mercado brasileiro de criptomoedas. O país figura entre os maiores mercados da América Latina e passou a adotar novas exigências regulatórias para empresas do setor em 2026. Especialistas afirmam que esse novo ambiente servirá como importante teste para instituições financeiras, corretoras e órgãos supervisores responsáveis pelo monitoramento das operações.
Estudos recentes também apontam que organizações criminosas movimentaram valores expressivos utilizando criptoativos em diferentes partes do mundo. Em uma pesquisa divulgada anteriormente pela Chainalysis, a estimativa foi de quase R$ 1 trilhão em movimentações ilícitas durante 2025, evidenciando o crescimento desse tipo de atividade. Entretanto, especialistas ressaltam que as próprias características públicas da tecnologia blockchain também permitem rastreamento e investigações quando há cooperação entre autoridades e empresas do setor.
Desafio será ampliar fiscalização sem limitar a inovação
O avanço das criptomoedas trouxe novas oportunidades para o sistema financeiro mundial. Ao mesmo tempo, autoridades reconhecem que criminosos também passaram a explorar essas tecnologias para ocultar recursos ilícitos.
Além disso, organismos internacionais defendem o fortalecimento da cooperação entre governos, instituições financeiras e empresas do setor. Em conclusão, o relatório do Gafi reforça que a combinação entre regulação eficiente, fiscalização e troca de informações será decisiva para reduzir o uso das criptomoedas em atividades criminosas, preservando ao mesmo tempo o desenvolvimento do mercado de ativos digitais.