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Crise no varejo: gigantes fecham mais de 1,1 mil lojas no Brasil desde 2022

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A crise no varejo brasileiro provocou uma forte transformação entre algumas das maiores redes do país. Desde o fim de 2022, Casas Bahia, Americanas, Carrefour, Marisa e Magazine Luiza reduziram juntas mais de 1,1 mil lojas físicas.

O levantamento da Broadcast comparou balanços das empresas e considerou a redução líquida das unidades, incluindo eventuais inaugurações. Enquanto as lojas diminuíram, consumidores passaram a comprar cada vez mais pela internet e em grandes marketplaces.

Além disso, juros elevados, crédito restrito, dívidas e despesas com grandes estruturas pressionaram parte dessas empresas. O cenário mostra como o varejo brasileiro enfrenta uma profunda mudança no comportamento do consumidor e na forma de fazer negócios.

Crise no varejo brasileiro atinge cinco grandes redes

As cinco empresas analisadas não reduziram suas redes pelas mesmas razões. No entanto, todas enfrentaram a necessidade de rever estruturas físicas construídas para outro momento do mercado.

Manter centenas ou milhares de lojas exige despesas com funcionários, aluguel, estoques e capital de giro. Ao mesmo tempo, essas companhias precisam investir bilhões em tecnologia, logística e comércio eletrônico.

Consequentemente, pontos com baixa rentabilidade começaram a perder espaço dentro das estratégias empresariais.

A especialista em varejo e CEO da AGR Consultores, Ana Paula Tozzi, explicou à reportagem que o avanço digital não simplesmente eliminou a importância das lojas. Na avaliação dela, a internet tornou mais visíveis problemas que algumas redes já enfrentavam.

Casas Bahia lidera fechamento de lojas no varejo

A Casas Bahia responde pela maior parcela da redução analisada. No final de 2022, quando ainda operava sob o nome Via, a companhia mantinha 1.133 lojas.

Em junho de 2026, esse número havia caído para 1.034 unidades. Além disso, a empresa anunciou neste mês de agosto o fechamento de outras 298 lojas dentro da segunda etapa de sua reestruturação.

Caso execute todo o plano, a Casas Bahia terá reduzido sua rede em aproximadamente 400 pontos em menos de quatro anos.

A situação financeira ajuda a explicar a estratégia. A companhia possui R$ 17,3 bilhões em dívidas submetidas à recuperação judicial e passou a priorizar geração de caixa e rentabilidade.

O presidente da Casas Bahia, Renato Franklin, também afirmou que não espera uma retomada da expansão nos próximos dois anos. Portanto, o processo de reorganização ainda deve ocupar espaço importante na estratégia da varejista.

Americanas perdeu 333 lojas depois da crise contábil

A Americanas também passou por um forte processo de redução de sua presença física.

No fim de 2022, a empresa possuía 1.803 lojas. Em dezembro de 2025, a quantidade havia recuado para 1.470 unidades.

Isso representa 333 pontos comerciais a menos. Entretanto, o período também coincidiu com uma das maiores crises empresariais recentes do país, depois que inconsistências contábeis vieram à tona em janeiro de 2023.

A companhia entrou em recuperação judicial e passou a concentrar esforços nas unidades com maior potencial de retorno.

Crise no varejo também reduz presença do Carrefour

O Carrefour aparece como outro gigante que diminuiu sua rede. A companhia possuía 1.203 lojas no final de 2022.

Em março de 2025, último número detalhado antes do fechamento de capital, o grupo tinha mil unidades. A diferença chega a 203 pontos.

No entanto, esse número reúne encerramentos, vendas de unidades e mudanças de bandeiras realizadas durante a integração do Grupo BIG. Dentro desse processo, 123 estabelecimentos encerraram definitivamente as operações.

Portanto, o caso do Carrefour possui características diferentes das dificuldades enfrentadas por Casas Bahia e Americanas.

Marisa fecha lojas e busca operação mais rentável

A Marisa também encolheu de maneira significativa. No começo deste ano, a varejista fechou uma de suas lojas mais conhecidas, localizada na Avenida Paulista, depois de 15 anos.

A empresa ainda mantém outra unidade na avenida. Entretanto, sua rede nacional caiu de 334 estabelecimentos, em 2022, para 230 no final de 2025.

São 104 lojas a menos em três anos. A estratégia busca criar uma companhia menor, porém financeiramente mais eficiente.

Além disso, lojas deficitárias pressionavam uma operação que já tentava recuperar as vendas. Fechar unidades pouco rentáveis pode reduzir despesas e liberar estoques.

Magazine Luiza reduziu rede, mas voltará a abrir lojas

O Magazine Luiza completa o grupo das cinco grandes varejistas analisadas.

No fim de 2022, o Magalu possuía 1.339 lojas. Em junho deste ano, a empresa operava 1.246 unidades, uma redução de 93 estabelecimentos.

Por outro lado, o movimento não significa que o grupo desistiu das lojas físicas. Depois de três anos sem inaugurações, a companhia anunciou que pretende voltar a expandir sua rede no segundo semestre de 2026.

Existe um motivo importante para essa decisão. No segundo trimestre, as vendas físicas do Magazine Luiza cresceram 10,3%, enquanto o comércio eletrônico da companhia recuou 11,9%.

Crise no varejo brasileiro ocorre com juros altos e crédito restrito

A crise no varejo brasileiro não pode ser explicada somente pelo crescimento das compras pela internet. As condições financeiras também pesaram sobre as grandes empresas.

Juros elevados tornam o crédito mais caro. Para empresas muito endividadas e setores dependentes de compras parceladas, esse ambiente pode representar um obstáculo relevante.

Além disso, as varejistas precisam sustentar despesas elevadas com imóveis, pessoal e mercadorias enquanto disputam espaço no comércio eletrônico.

Casas Bahia e Americanas sofreram particularmente com endividamento e crises de confiança. A Marisa enfrentou o peso de unidades deficitárias.

O Carrefour aproveitou a integração do Grupo BIG para eliminar sobreposições. Já o Magalu adotou maior disciplina financeira durante o período analisado.

Fechar lojas não resolve sozinho os problemas financeiros

Reduzir a quantidade de estabelecimentos pode trazer resultados importantes. A empresa corta aluguéis, despesas com funcionários, estoques e necessidade de capital de giro.

No entanto, fechar unidades deficitárias não resolve automaticamente dívidas elevadas, margens apertadas ou falhas no próprio modelo de negócio.

Consequentemente, especialistas consideram o fechamento uma medida de eficiência, e não uma solução isolada para recuperar empresas em dificuldades.

Esse ponto ajuda a entender por que a crise no varejo brasileiro envolve questões muito mais amplas do que simplesmente substituir lojas por sites e aplicativos.

E-commerce movimentou R$ 423 bilhões em 2025

Enquanto algumas redes tradicionais fecharam lojas, o comércio eletrônico ganhou força.

As vendas online movimentaram impressionantes R$ 423 bilhões em 2025, segundo estimativas do UBS BB. O valor representou crescimento de 21% e correspondeu a 14,4% de todo o varejo brasileiro.

Além do mais, poucas plataformas concentram grande parte desse mercado. Os quatro maiores participantes detinham juntos 82% das vendas online analisadas.

O Mercado Livre liderava com 43%. Shopee aparecia com 18%, Amazon com 11% e Magazine Luiza com 10%.

O Magalu perdeu 2,7 pontos percentuais de participação e caiu para a quarta colocação. Em contraste, Mercado Livre e Shopee ampliaram suas fatias.

Vendas online podem chegar a R$ 518 bilhões em 2026

O crescimento deve continuar. O UBS BB estima que o comércio eletrônico brasileiro alcance R$ 518 bilhões em vendas neste ano.

Caso a previsão se confirme, as compras online representarão 16,7% do varejo nacional. Portanto, empresas tradicionais enfrentarão uma concorrência digital ainda mais intensa.

O BTG Pactual também observa maior pressão das plataformas internacionais. Essa disputa cresceu principalmente em segmentos como acessórios eletrônicos, beleza, decoração e artigos esportivos.

São justamente categorias nas quais grandes redes brasileiras construíram presença relevante durante décadas.

Nem todo varejo brasileiro está fechando lojas

Apesar dos números, seria errado concluir que todas as grandes empresas abandonam os pontos físicos.

Desde o final de 2022, Assaí e Grupo Mateus acrescentaram juntos 131 unidades às suas redes. C&A e Grupo Renner também cresceram, somando outras 60 lojas — nove da C&A e 51 da Renner.

Além disso, diferentes segmentos possuem necessidades distintas. Supermercados e atacarejos dependem bastante de frequência e proximidade com o consumidor.

Móveis, eletrodomésticos e lojas de departamento, por outro lado, normalmente precisam administrar espaços maiores e estoques mais complexos.

Crise no varejo muda função das lojas físicas

A transformação, portanto, não aponta necessariamente para o fim das lojas físicas. O mercado exige que cada estabelecimento produza retorno e tenha função clara dentro da estratégia da empresa.

Especialistas destacam que uma rede menor, formada por unidades rentáveis, pode valer mais do que uma estrutura enorme repleta de lojas que destroem valor.

Além disso, a loja física continua relevante em setores nos quais atendimento especializado e oferta de crédito ajudam a concretizar vendas.

Em conclusão, a crise no varejo brasileiro revela uma combinação de problemas financeiros, juros elevados, crédito restrito, mudança no consumo e crescimento acelerado do comércio eletrônico.

O fechamento líquido de mais de 1,1 mil lojas por cinco gigantes desde 2022 mostra o tamanho da transformação. Ao mesmo tempo, a expansão de outras redes comprova que o ponto físico continua competitivo quando gera produtividade e integra corretamente lojas, aplicativos e marketplaces.

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