Siga-nos

Brasil

Daniel Vorcaro admite “agrado” a diretor do Banco Central durante viagem à Disney

Publicado

em

O banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Central voltaram ao centro das atenções depois de um novo depoimento à Polícia Federal (PF). O ex-dono do Banco Master negou ter feito pagamentos a diretores da autoridade monetária, mas reconheceu que ofereceu um “agrado” a Paulo Sérgio Neves de Sousa. Além disso, a cortesia envolveu um serviço de concierge durante uma viagem do então diretor de Fiscalização do BC com a família para a Disney, nos Estados Unidos.

Vorcaro prestou o depoimento em 28 de agosto. A oitiva integra o inquérito que apura as relações de dois ex-diretores do Banco Central com o Banco Master. Portanto, os investigadores analisam não apenas a relação com Paulo Sérgio, mas também a atuação de Bellini Santana, que ocupou a diretoria de Supervisão da instituição.

Daniel Vorcaro e Banco Central: banqueiro explica “agrado”

Segundo informações divulgadas pela Revista Oeste, com base em dados obtidos pela Rede Globo, Vorcaro explicou aos investigadores como funcionava o serviço. O banqueiro afirmou que mantinha uma estrutura de marketing paga anualmente por seu grupo. Por exemplo, essa estrutura disponibilizava serviços de concierge para pessoas que faziam parte de seu círculo de relacionamento.

Durante uma reunião, Paulo Sérgio teria comentado que já planejava viajar com a família para a Disney. Vorcaro então afirmou que possuía um serviço de concierge no local e que pediria para alguém entrar em contato com o então diretor. Além disso, o banqueiro classificou posteriormente essa oferta como um “agrado”.

Vorcaro diz que serviço de concierge era uma cortesia

Ao explicar a relação entre Daniel Vorcaro e o Banco Central, o banqueiro rejeitou a interpretação de que a oferta representasse um pagamento. Segundo ele, tratava-se de uma cortesia dentro de uma estrutura que já atendia dezenas de pessoas. No entanto, Vorcaro disse não se lembrar de um eventual ressarcimento feito por Paulo Sérgio pelo serviço oferecido.

A distinção feita pelo banqueiro entre “pagamento” e “agrado” chama atenção justamente porque o caso aparece em um inquérito sobre a relação entre integrantes do BC e o Banco Master. Entretanto, cabe aos investigadores avaliar o contexto, a finalidade e a relevância desses contatos. A admissão da cortesia, por si só, não equivale a uma conclusão de irregularidade.

Daniel Vorcaro e Banco Central: outro ex-diretor recebeu oferta

Paulo Sérgio não foi o único nome citado no depoimento de Daniel Vorcaro sobre o Banco Central. O banqueiro afirmou que também ofereceu o mesmo tipo de serviço a Bellini Santana. Além do mais, nesse segundo caso, a oferta teria ocorrido durante uma viagem do ex-diretor do BC para a Europa.

Vorcaro disse, porém, que não se recordava se Bellini chegou efetivamente a utilizar a cortesia. O ex-dirigente ocupou a Diretoria de Supervisão da autoridade monetária. Portanto, as relações envolvendo os dois ex-diretores passaram a integrar a apuração conduzida pelas autoridades.

Depoimento de Daniel Vorcaro durou cerca de quatro horas e meia

O depoimento de Daniel Vorcaro sobre o Banco Central durou aproximadamente quatro horas e meia. Durante esse período, o banqueiro respondeu às perguntas formuladas pelos investigadores. Além disso, a PF abordou outro ponto sensível: o envio de minutas de documentos do Banco Master para diretores do BC.

Segundo a investigação relatada pela Revista Oeste, existe a suspeita de que esses diretores atuassem como uma espécie de assessores dos interesses do Banco Master dentro da própria autoridade monetária. Vorcaro, entretanto, apresentou outra explicação. Ele afirmou que o envio desses documentos fazia parte de um procedimento habitual adotado em sua relação com o órgão regulador.

Banco Master enviava minutas a diretores do Banco Central

O envio de documentos amplia as questões investigadas sobre Daniel Vorcaro e o Banco Central. De acordo com o banqueiro, a prática tinha uma finalidade preventiva na relação entre o Banco Master e a autarquia. Consequentemente, Vorcaro sustentou que encaminhava os materiais para evitar problemas posteriores com o regulador.

O próprio banqueiro explicou que buscava evitar até mesmo um eventual “puxão de orelha” do Banco Central. Por outro lado, os investigadores analisam essas comunicações dentro de uma apuração mais ampla sobre a proximidade entre o Banco Master e antigos dirigentes da instituição. Assim, o contexto dos contatos assume importância para esclarecer se a relação permanecia dentro dos limites normais entre uma instituição financeira e seu regulador.

Caso Vorcaro aumenta atenção sobre relação entre bancos e reguladores

As novas declarações colocam novamente sob os holofotes as relações entre Daniel Vorcaro, Banco Master e Banco Central. O depoimento confirma que o banqueiro ofereceu uma cortesia a Paulo Sérgio e também fez oferta semelhante a Bellini Santana. Entretanto, Vorcaro nega que essas iniciativas representassem pagamentos aos antigos integrantes da autoridade monetária.

O caso merece atenção porque o Banco Central exerce justamente a função de fiscalizar e supervisionar o sistema financeiro. Além disso, relações pessoais, cortesias e comunicações entre banqueiros e reguladores precisam ser analisadas com transparência quando aparecem em uma investigação oficial. Em conclusão, caberá à Polícia Federal avançar na apuração para determinar a natureza desses contatos e verificar se houve alguma irregularidade.


Continue Reading
Deixar um comentário

© Copyright 2021 - 2024 - Revista Brasil