Brasil
Eurodeputado polonês quer deportar brasileiras que apoiam Lula e acusa eleitoras do PT de apologia ao comunismo
O eurodeputado polonês Dominik Tarczyński defendeu a deportação de duas brasileiras que demonstraram apoio a Lula na Polônia. O parlamentar acusou as mulheres de promover o comunismo, prática que enfrenta restrições na legislação do país europeu.
A declaração ocorreu na segunda-feira (5), após a divulgação de fotografias das brasileiras diante da Embaixada do Brasil, em Varsóvia. Além disso, Tarczyński afirmou que ajudaria pessoalmente as duas mulheres a fazer as malas antes de uma eventual deportação.
Aliado político de Flávio Bolsonaro (PL), o eurodeputado também aproveitou a repercussão para comentar as eleições presidenciais brasileiras. O parlamentar declarou apoio ao candidato do PL e relacionou o episódio ao combate ao comunismo.
Portal Norte Diário
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Eurodeputado polonês pede deportação de brasileiras após manifestação de apoio a Lula
A polêmica começou quando duas brasileiras apareceram em fotografias diante da representação diplomática brasileira na Polônia. Uma delas utilizava um boné vermelho, enquanto a outra exibia um broche com a estrela do Partido dos Trabalhadores.
Nas imagens, ambas faziam com as mãos o conhecido gesto de “L”, associado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A manifestação ocorreu durante o primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, realizado em 4 de outubro.
Entretanto, a fotografia chamou a atenção de Dominik Tarczyński, que publicou um pedido de informações sobre as mulheres na rede social X.
O eurodeputado solicitou que pessoas com informações sobre a identidade das brasileiras entrassem em contato por mensagem privada. Ele classificou o pedido como urgente, antes de publicar uma nova manifestação sobre o caso.
Posteriormente, Tarczyński utilizou o Instagram para defender a deportação das eleitoras, alegando que elas estariam promovendo uma ideologia proibida pela Constituição polonesa.
Observador
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Deputado usa referência a programa de Gugu para comentar deportação
Em outra publicação, o parlamentar compartilhou uma montagem inspirada no antigo quadro “De Volta para Minha Terra”, do programa Domingo Legal, do SBT.
A atração, apresentada por Gugu Liberato, ajudava pessoas que enfrentavam dificuldades financeiras a retornar às cidades de origem.
Na montagem, o eurodeputado utilizou a imagem das brasileiras e fez referência ao possível retorno delas ao Brasil.
Além disso, afirmou que a promoção do comunismo é constitucionalmente proibida na Polônia e prometeu ajudar pessoalmente as mulheres caso houvesse uma deportação.
A publicação ganhou repercussão nas redes sociais e ampliou o debate sobre os limites da legislação polonesa e da liberdade de manifestação política.
Terra
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Constituição da Polônia proíbe organizações que promovem ideologias totalitárias
A legislação polonesa estabelece restrições à promoção de determinadas ideologias totalitárias, incluindo o comunismo, o nazismo e o fascismo.
O artigo 13 da Constituição da Polônia proíbe partidos políticos e organizações que adotem programas ou métodos baseados em práticas totalitárias.
Além disso, a norma também impede organizações que promovam o ódio racial ou nacional e outras práticas incompatíveis com a ordem constitucional do país.
O Código Penal polonês, em seu artigo 256, prevê pena de até três anos de prisão para determinadas condutas de promoção pública de ideologias totalitárias.
A legislação também estabelece punições relacionadas à produção, ao armazenamento e à exibição de materiais destinados à divulgação dessas ideologias.
Entretanto, existem exceções legais para atividades artísticas, científicas, educacionais e de colecionismo, conforme as circunstâncias previstas na legislação.
Em determinadas condenações, a Justiça pode determinar o confisco dos materiais utilizados na infração, mesmo quando pertencem a terceiros.
Portal Norte Diário
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Apoio ao PT pode provocar deportação na Polônia?
Apesar das declarações de Tarczyński, a legislação polonesa não estabelece que o simples uso de símbolos de um partido político estrangeiro provoque automaticamente uma deportação.
O artigo 13 trata principalmente de partidos e organizações que adotam métodos totalitários. Portanto, a aplicação dessa norma ao gesto individual das brasileiras exige uma análise jurídica específica.
Além disso, não havia confirmação, até 8 de outubro, de uma investigação oficial ou de uma ordem de deportação contra as duas mulheres.
O eurodeputado polonês Krzysztof Śmiszek também contestou a interpretação de Tarczyński. Segundo ele, a estrela do PT não constitui, por si só, um símbolo comunista.
Consequentemente, o episódio envolve tanto uma disputa política quanto diferentes interpretações sobre o alcance das restrições previstas na legislação da Polônia.
TVI
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Aliado de Flávio Bolsonaro relaciona deportação de brasileiras às eleições de 2026
Dominik Tarczyński também utilizou suas redes sociais para manifestar apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Horas antes da publicação sobre as brasileiras, o eurodeputado havia parabenizado o candidato do PL pelo desempenho no primeiro turno das eleições presidenciais.
O parlamentar classificou o resultado eleitoral como fenomenal e associou seu apoio a Flávio à oposição ao comunismo.
Além disso, defendeu que o Brasil adotasse uma postura semelhante àquela que atribui à Polônia no enfrentamento de ideologias totalitárias.
Tarczyński integra o partido conservador Lei e Justiça (PiS) e o grupo dos Conservadores e Reformistas Europeus no Parlamento Europeu.
Anteriormente, ele também exerceu mandato no Parlamento polonês, entre 2015 e 2020.
O político costuma divulgar o lema internacional “Be Like Poland”, traduzido como “Seja como a Polônia”, para defender políticas e modelos adotados pelo país europeu.
Caso das brasileiras amplia discussão sobre comunismo e liberdade política
A manifestação do eurodeputado colocou em evidência as diferenças entre a legislação brasileira e as restrições polonesas à propaganda de ideologias totalitárias.
Por um lado, Tarczyński sustenta que a manifestação das brasileiras representa promoção do comunismo. Por outro, críticos de sua interpretação argumentam que demonstrar apoio ao PT não constitui automaticamente uma infração penal na Polônia.
Até o momento, o caso permanece no campo das declarações políticas e das manifestações nas redes sociais, sem confirmação de uma medida oficial de deportação.
A controvérsia também ganhou dimensão internacional ao relacionar as eleições brasileiras de 2026 ao debate europeu sobre comunismo, imigração e liberdade de expressão.
Observador
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