Brasil
Aliada de Lula aparece em denúncia de desvio de R$ 10 milhões no Prato Cheio
Desvio no Prato Cheio: aliada de Lula entra na mira do MP
O desvio no Prato Cheio virou mais um caso daqueles que fazem o brasileiro olhar para o próprio imposto com indignação. O Ministério Público da Paraíba, por meio do Gaeco, apresentou uma nova denúncia dentro da Operação Indignus. A investigação mira suspeitas de desvio de dinheiro público no programa estadual Prato Cheio, criado para distribuir refeições a pessoas em situação de rua em cinco cidades paraibanas.
A denúncia também menciona Pollyanna Werton, ex-secretária de Desenvolvimento Humano do governo João Azevêdo, do PSB. Werton já passou pelo PT e pelo PSB. Além disso, ela concorre neste ano a uma vaga na Câmara dos Deputados.
O Ministério Público afirma que Pollyanna teria recebido R$ 70 mil em propina. No entanto, a acusação ainda depende da análise da Justiça. Os investigadores citam cadernos de anotações apreendidos e conversas em aplicativo de mensagens como indícios no caso.
Programa social entra no centro da Operação Indignus
O programa Prato Cheio tinha uma missão sensível: alimentar pessoas em situação de vulnerabilidade. Portanto, o caso chama atenção justamente porque envolve comida para quem mais precisava.
O MP situa os fatos entre 2021 e 2023. Nesse período, 16 termos de colaboração movimentaram cerca de R$ 21,6 milhões.
A denúncia afirma que o suposto esquema teria desviado R$ 10,3 milhões. A apuração aponta como principal beneficiário um grupo de empresas ligado a um mesmo núcleo familiar. Segundo o Ministério Público, o empresário Kildenn Tadeu de Lucena comandaria esse grupo.
Consequentemente, o MP pede reparação de R$ 30 milhões. Desse total, R$ 10,3 milhões correspondem aos supostos desvios. Outros R$ 20 milhões entram na conta por dano coletivo.
Desvio no Prato Cheio: refeições prometidas não chegavam
O desvio no Prato Cheio fica ainda mais grave quando se compara o que o programa prometia com o que chegava à população. Em João Pessoa, o programa previa 4 mil refeições por dia. Entretanto, declarações citadas na denúncia indicam entrega diária de apenas 1,5 mil a 1.570 refeições.
Mesmo assim, o Ministério Público afirma que o governo seguia pagando integralmente os convênios. Em contraste, a população vulnerável ficava sem parte das refeições prometidas. O caso envolve João Pessoa, Campina Grande, Guarabira, Pombal e Cajazeiras.
O MP também denunciou o ex-secretário Tibério Limeira, do PSB, o padre Egídio de Carvalho, ex-diretoras e ex-funcionárias do Hospital Padre Zé, um servidor público e o empresário Kildenn. Conforme a conduta atribuída a cada investigado, a denúncia menciona suspeitas de peculato, falsidade ideológica, corrupção ativa e corrupção passiva.
MP aponta propina e cadernos de anotações
No caso do ex-secretário Tibério Limeira, o Ministério Público aponta suposto recebimento de R$ 50 mil em propina. Já em relação a Pollyanna Werton, a denúncia menciona suposto repasse de R$ 70 mil. Além disso, o MP cita possíveis pagamentos a um servidor da pasta e a ex-dirigentes do Hospital Padre Zé.
O Ministério Público protocolou a denúncia em 29 de abril. No entanto, a Justiça ainda precisava analisar o recebimento da acusação. Como o caso envolve ex-secretários de Estado, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça deve decidir se aceita ou arquiva a denúncia.
Defesas falam em falta de intimação e direito de defesa
A assessoria de Pollyanna não respondeu até o fechamento da reportagem original. Depois, a ex-secretária divulgou nota e afirmou que não recebeu intimação formal. Ela também disse que sua defesa não teve acesso ao inteiro teor da denúncia.
Pollyanna declarou ainda que os fatos investigados ocorreram antes de sua gestão. Segundo ela, durante sua passagem pela pasta, sua equipe adotou providências administrativas e legais para apurar eventuais irregularidades. Além do mais, a ex-secretária afirmou que confia nas instituições, no devido processo legal e na completa elucidação dos fatos.
Tibério Limeira também reagiu. Em nota, ele classificou como preocupante a exposição pública antes do exercício pleno do direito de defesa. Em conclusão, o caso agora avança no terreno judicial, mas já coloca uma pergunta incômoda na mesa: como um programa social de alimentação virou suspeita de esquema milionário?