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Eleições para o Congresso: cientista política diz que bolsonarismo entendeu o jogo que a esquerda ainda ignora

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As eleições para o Congresso entraram no centro do debate político depois de uma semana de confusão, tensão institucional e briga aberta na Câmara dos Deputados. Em entrevista à BBC News Brasil, a cientista política Beatriz Rey afirmou que apenas o bolsonarismo entendeu, até agora, a importância real da disputa legislativa.

A fala veio após cenas de violência na Câmara, envolvendo jornalistas, parlamentares e agentes da Polícia Legislativa. Além disso, o episódio ocorreu durante a tentativa de retirada do deputado Glauber Braga, do PSOL, da Mesa Diretora da Casa.

Portanto, o caso não ficou restrito a uma confusão de plenário. Para Rey, o tumulto revelou uma crise mais profunda na Câmara e no modo como o Congresso exerce seu poder.

Eleições para o Congresso viram peça-chave para 2026

A cientista política afirmou que o Brasil precisa dar mais atenção às eleições para o Congresso. Segundo ela, o eleitor costuma olhar para a Presidência, mas deixa deputados e senadores em segundo plano.

No entanto, quem controla o Congresso controla votações, CPIs, emendas, pautas econômicas e até o ritmo do governo. Isso explica por que o bolsonarismo busca formar maioria no Senado.

Além disso, Rey avaliou que outros campos políticos, como esquerda e centro, ainda não compreenderam completamente essa centralidade. Em contraste, a direita parece ter aprendido que a eleição legislativa decide muito mais do que discursos de campanha.

Câmara vive crise de comando sob Hugo Motta

A entrevista também tratou da gestão de Hugo Motta, do Republicanos da Paraíba, na presidência da Câmara. Beatriz Rey comparou Motta com Arthur Lira e apontou diferenças fortes entre os dois.

Segundo ela, Lira era centralizador e duro, mas conseguia controlar o plenário. Por outro lado, Motta aparece como mais aberto, porém sem o mesmo respeito dos pares.

Consequentemente, a Câmara passou a mostrar sinais de falta de comando. Para a pesquisadora, quando um presidente da Casa não controla o plenário, o conflito político pode sair das regras normais e entrar no campo da força.

Violência no plenário acendeu alerta institucional

O episódio envolvendo Glauber Braga virou símbolo dessa crise. Agentes da Polícia Legislativa tentaram retirar o deputado da Mesa Diretora, enquanto jornalistas também relataram agressões no tumulto.

A Associação Brasileira de Imprensa anunciou que acionaria a Procuradoria-Geral da República para apurar possível crime de responsabilidade de Hugo Motta. Portanto, a confusão saiu do plenário e ganhou dimensão jurídica.

Para um olhar conservador, o ponto é claro: a Câmara precisa de ordem, autoridade e regra. Entretanto, autoridade não pode virar improviso, empurra-empurra e espetáculo institucional.

Dosimetria e caso Zambelli ampliam tensão com o STF

A crise também envolve a relação entre Câmara e Supremo Tribunal Federal. A entrevista citou o projeto da dosimetria e a decisão da Câmara de não cassar Carla Zambelli, do PL de São Paulo.

Depois, a Primeira Turma do STF confirmou a ordem de Alexandre de Moraes que determinou a perda automática do mandato de Zambelli. Segundo a reportagem, ela renunciou ao cargo em 13 de dezembro.

No caso da dosimetria, o Congresso aprovou mudanças para reduzir penas relacionadas a crimes como tentativa de golpe de Estado. A Agência Câmara registrou que a proposta ficou conhecida como PL da Dosimetria.

Por outro lado, Rey avaliou que a Câmara perdeu capacidade de se autogovernar. Em sua leitura, quando um poder não cumpre seu papel, outro acaba ocupando esse espaço.

Emendas parlamentares aparecem no centro da barganha

A entrevista também abordou as emendas parlamentares. Governistas disseram que Hugo Motta colocou o PL da dosimetria em votação por causa da demora no pagamento desses recursos.

Além disso, Rey apontou as emendas como outro sintoma da crise institucional. Para ela, esses recursos deveriam ajudar na formação de base, mas viraram moeda para votações específicas.

Esse ponto merece atenção do contribuinte. Afinal, dinheiro público deveria seguir planejamento, transparência e resultado, não funcionar como senha de acesso para votações de interesse político.

Centrão tenta controlar o tabuleiro presidencial

A cientista política também avaliou o papel do Centrão. Segundo ela, partidos como PP, PSD e União Brasil querem controlar o processo eleitoral de 2026.

No entanto, ela vê um afastamento entre Centrão e família Bolsonaro. A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro teria movimentado outros nomes, como Tarcísio de Freitas, Ratinho Junior, Romeu Zema e Ronaldo Caiado.

Além do mais, Rey afirmou que Tarcísio interessa ao Centrão. Por outro lado, uma eventual candidatura dele poderia vir acompanhada de um vice escolhido por esse bloco político.

Eleições para o Congresso podem decidir o próximo governo

As eleições para o Congresso podem definir a força real do próximo presidente. Sem deputados e senadores alinhados, qualquer governo fica refém de negociações, vetos, emendas e pressões de bastidor.

Em conclusão, a entrevista mostra uma lição que a direita precisa levar a sério. Não basta vencer a disputa presidencial. É preciso eleger uma bancada forte, preparada e comprometida com o mandato.

A esquerda pode fingir que esse jogo não existe. Entretanto, Brasília funciona com votos, cargos, orçamento e maioria legislativa. Quem ignora isso entrega o país para quem entende o mapa do poder.

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