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Emendas parlamentares: Dino abre apuração sigilosa sobre produtora do filme de Bolsonaro
As emendas parlamentares voltaram ao centro da guerra política em Brasília. Agora, o ministro Flávio Dino, do STF, abriu uma investigação preliminar para apurar recursos enviados a ONGs ligadas à produtora do filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.
A apuração corre sob sigilo. Portanto, ainda não há conclusão pública sobre irregularidade, crime ou desvio de finalidade.
Mesmo assim, o caso já virou mais um capítulo da perseguição política permanente contra tudo que envolve o nome Bolsonaro. Pelo visto, até filme virou assunto de Supremo.
Emendas parlamentares entram na mira de Flávio Dino
Segundo a Agência Brasil, Dino determinou a abertura da investigação nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026. O objetivo é apurar o envio de emendas parlamentares para organizações não governamentais ligadas à produtora audiovisual Go Up Entertainment.
A Go Up Entertainment é responsável pelas gravações de Dark Horse. O filme ainda não estreou e retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Além disso, o caso chegou ao Supremo após pedido da deputada Tabata Amaral, do PSB de São Paulo. Ela solicitou providências em abril.
Posteriormente, o deputado Pastor Henrique Vieira, do PSOL do Rio de Janeiro, também denunciou o caso. Ou seja, a provocação partiu de parlamentares da esquerda.
Deputados do PL foram citados na apuração
Segundo os parlamentares que acionaram o STF, os deputados Marcos Pollon, Mário Frias e Bia Kicis, todos do PL, teriam enviado emendas para entidades ligadas ao mesmo grupo.
As entidades citadas são o Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura. As duas, segundo a reportagem, integram o mesmo conglomerado de ONGs ligado à Go Up Entertainment.
No entanto, é importante separar investigação de condenação. Até aqui, a notícia trata de apuração preliminar.
Pollon e Bia Kicis negaram envio direto de recursos para a produtora do filme. Consequentemente, a narrativa de “dinheiro público no filme” ainda depende de provas e análise formal.
Emendas parlamentares de Mário Frias somam R$ 2 milhões
A Agência Brasil informou que Mário Frias destinou R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil. As emendas ocorreram em 2024 e 2025.
Dino também determinou que Frias prestasse esclarecimentos. Entretanto, segundo a reportagem, o deputado não foi encontrado pelo oficial de Justiça enviado pelo Supremo.
Diante disso, o ministro mandou a Câmara dos Deputados informar os endereços residenciais do parlamentar em São Paulo e Brasília. A medida busca viabilizar a notificação.
Por outro lado, a própria Agência Brasil já havia informado que a Advocacia da Câmara não identificou irregularidades processuais nas duas emendas de Mário Frias elencadas na representação de Tabata Amaral.
Filme Dark Horse aumenta temperatura política
O filme Dark Horse aparece no centro da polêmica porque retrata a vida política de Jair Bolsonaro. E, claro, quando o tema é Bolsonaro, Brasília nunca trata como assunto normal.
Segundo reportagem anterior da Agência Brasil, Karina Ferreira da Gama preside a Academia Nacional de Cultura e também está ligada ao Instituto Conhecer Brasil e à Go Up Entertainment.
A mesma reportagem informou que a produção do filme estava prevista para chegar aos cinemas brasileiros em meados de setembro. Portanto, a obra também entrou no radar eleitoral.
Além do mais, Mário Frias atua como roteirista e produtor executivo do filme. Ele foi secretário especial de Cultura durante o governo Bolsonaro.
Bia Kicis e Pollon negam desvio ligado às emendas parlamentares
Bia Kicis classificou a acusação como maldosa, segundo a Agência Brasil. Ela negou que sua emenda tenha relação com irregularidades ou com o custeio do filme Dark Horse.
Marcos Pollon também prestou esclarecimentos. Ele afirmou que destinou R$ 1 milhão para a Secretaria de Cultura de São Paulo viabilizar a série documental Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem.
Entretanto, o projeto não avançou. Segundo Pollon, os recursos foram redirecionados para a área da saúde, em favor do Hospital de Amor de Barretos.
A defesa política dos parlamentares segue uma linha clara. Eles tentam mostrar que projetos culturais conservadores não podem ser automaticamente tratados como suspeitos apenas por envolverem Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro, Banco Master e Daniel Vorcaro entram no noticiário
A apuração também ganhou força após reportagem do The Intercept, citada pela Agência Brasil, sobre conversas envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Segundo a Agência Brasil, Flávio admitiu ter pedido recursos a Vorcaro para apoiar o filme sobre Jair Bolsonaro. No entanto, o senador negou crime e disse que se tratava de patrocínio privado.
Flávio também afirmou que não combinou vantagem indevida com o banqueiro. Além disso, declarou que não houve dinheiro público nem uso da Lei Rouanet.
Esse ponto muda bastante a conversa. Se o dinheiro é privado, a acusação precisa demonstrar outra coisa para sustentar irregularidade.
Em conclusão: investigação não é condenação
Em conclusão, Dino abriu uma apuração sigilosa sobre emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produtora do filme de Bolsonaro. O caso envolve deputados do PL, ONGs, a Go Up Entertainment e a produção Dark Horse.
No entanto, até agora, a notícia não apresenta condenação. Ela apresenta uma investigação.
A direita precisa acompanhar o caso com atenção. Afinal, uma coisa é fiscalizar dinheiro público. Outra, bem diferente, é transformar qualquer projeto conservador em suspeito automático.