Argentina
Milei acusa governo Lula de financiar campanha contra a Argentina e aumenta tensão com o Brasil
O presidente argentino Javier Milei voltou a elevar o tom contra o governo Lula e fez uma grave acusação envolvendo as eleições presidenciais da Argentina de 2023. Segundo Milei, o Brasil teria financiado parte de uma campanha “anti-Argentina” e atuado politicamente contra sua candidatura naquele pleito.
A declaração ocorreu em entrevista à Rádio Mitre, depois de um fim de semana marcado por novos atritos entre Milei e integrantes do governo brasileiro. O argentino também relacionou as acusações ao apoio recebido por Sergio Massa, seu adversário na disputa presidencial de 2023.
Além disso, Milei retomou críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e comparou o tratamento dado a Jair Bolsonaro com uma visita realizada por Lula à ex-presidente argentina Cristina Kirchner.
Milei diz que governo Lula financiou campanha contra a Argentina
Milei afirmou que aproximadamente 25% dos recursos de uma suposta campanha contra ele teriam origem no governo brasileiro. A acusação, porém, não veio acompanhada de documentos ou provas públicas que confirmassem o financiamento citado pelo presidente argentino.
Segundo Milei, assessores brasileiros também trabalharam na campanha de Sergio Massa durante a eleição argentina de 2023. Massa, então ministro da Economia, disputou o segundo turno contra Milei e acabou derrotado.
Por outro lado, a acusação reforça uma disputa política que ultrapassa as divergências econômicas e diplomáticas entre Brasília e Buenos Aires. Milei e Lula representam campos políticos diferentes e acumulam episódios de confronto verbal desde a eleição do argentino.
O presidente argentino fez as declarações depois de participar da convenção nacional do Partido Liberal, realizada em São Paulo. Durante o evento, Milei chamou Lula de “presidiário” e “ladrão”, ampliando o desgaste entre os dois governos.
Milei critica Moraes e cita situação de Bolsonaro
A tensão entre Milei e o governo Lula também envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro. O argentino voltou a criticar Alexandre de Moraes depois de ter um pedido para visitar Bolsonaro negado pelo ministro do STF.
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, e Milei sustenta que o ex-presidente brasileiro está preso injustamente. Entretanto, o argentino comparou a situação com a visita realizada por Lula, em 2025, à ex-presidente Cristina Kirchner.
Milei compara Bolsonaro e Cristina Kirchner
Cristina Kirchner também estava em prisão domiciliar quando recebeu a visita de Lula. Para Milei, os dois episódios demonstram tratamentos diferentes dados a aliados políticos de campos ideológicos opostos.
O presidente argentino questionou por que Lula pôde visitar Cristina Kirchner enquanto ele não recebeu autorização para encontrar Bolsonaro. Além disso, Milei relacionou a decisão ao histórico de divergências entre seu governo e autoridades brasileiras.
A comparação colocou novamente Alexandre de Moraes no centro das críticas do presidente argentino. Milei já havia demonstrado proximidade política com Bolsonaro e seus aliados brasileiros.
Governo Lula reage às declarações de Milei
As declarações provocaram reação diplomática do Brasil. Depois das falas do presidente argentino, o Itamaraty convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas em Brasília.
O governo brasileiro também chamou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi. Segundo o Itamaraty, o objetivo foi manifestar a “repulsa” do governo às declarações feitas por Milei durante o evento do PL.
Consequentemente, a troca de acusações abriu mais um capítulo na relação já conturbada entre Lula e Milei. Os dois presidentes mantêm diferenças ideológicas profundas e acumulam críticas públicas desde antes da posse do argentino.
Argentina descarta pedido de desculpas a Lula
Autoridades argentinas descartaram apresentar um pedido formal de desculpas ao governo Lula pelas declarações de Milei. A posição veio depois das críticas feitas pelo argentino durante sua passagem por São Paulo.
Milei participou, no sábado, 25, de um evento do PL que confirmou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. A presença do argentino reforçou sua aproximação com integrantes da direita brasileira.
Além do mais, o episódio ocorre em um momento politicamente sensível para os dois países. Brasil e Argentina mantêm fortes relações comerciais e integram importantes mecanismos regionais, apesar das divergências entre seus presidentes.
Acusação de Milei amplia tensão entre Brasil e Argentina
A acusação de Milei sobre um suposto financiamento do governo Lula à campanha contra a Argentina adiciona um elemento ainda mais delicado à crise diplomática. Até o momento, contudo, não foram apresentadas publicamente provas que demonstrem o repasse de recursos mencionado pelo presidente argentino.
O ponto concreto citado por Milei envolve a participação de assessores brasileiros na campanha de Sergio Massa. Entretanto, a existência de profissionais brasileiros trabalhando politicamente na Argentina, por si só, não comprova financiamento pelo governo brasileiro.
Por outro lado, Milei usa o episódio para rebater acusações de interferência na política brasileira. O argentino sustenta que seus adversários políticos teriam atuado contra ele antes mesmo de sua chegada à Casa Rosada.
Em conclusão, as declarações mostram que a relação entre Milei e Lula permanece marcada pelo confronto político. A reação do Itamaraty e a decisão argentina de não pedir desculpas indicam que o episódio ainda pode produzir novos desdobramentos diplomáticos.