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Tarcisio exonera servidora que criticou Flavio Bolsonaro
O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, exonerou uma servidora pública que havia criticado uma declaração de Flávio Bolsonaro (PL) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão ocorreu poucos dias depois de a funcionária questionar o uso da expressão “nove dedos” durante o debate presidencial da TV Globo.
A servidora Silvana Gimenes ocupava o cargo de coordenadora de Desenvolvimento de Programas da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Além disso, ela possui uma trajetória de 41 anos no serviço público e atua na defesa dos direitos das pessoas com deficiência.
Segundo reportagem publicada pela CartaCapital na sexta-feira (30), a exoneração ocorreu após a manifestação da funcionária nas redes sociais. Entretanto, não há comprovação de que a crítica política tenha motivado sua saída. CartaCapitalAgenda do Poder
Governo Tarcísio exonera servidora após críticas a Flávio Bolsonaro
A exoneração de Silvana Gimenes ocorreu após uma manifestação pública sobre o debate presidencial realizado pela TV Globo em 23 de outubro.
Durante o confronto eleitoral, Flávio Bolsonaro utilizou a expressão “nove dedos” para se referir ao presidente Lula.
A declaração fazia referência ao dedo que o petista perdeu em um acidente de trabalho.
Além disso, o episódio provocou críticas de pessoas que consideraram a expressão ofensiva às pessoas com deficiência.
Silvana Gimenes foi uma das pessoas que questionaram publicamente a declaração do senador.
Em sua publicação, a servidora associou o comentário ao capacitismo e a outras formas de preconceito.
Entretanto, a manifestação também apresentou uma crítica política direta ao então candidato do PL.
Servidora do governo Tarcísio criticou declaração durante debate presidencial
Silvana afirmou que a expressão utilizada por Flávio Bolsonaro reforçava situações enfrentadas por pessoas com deficiência.
Em sua manifestação, ela mencionou o preconceito, o racismo, o capacitismo e a LGBTfobia.
Além disso, destacou que pessoas com deficiência frequentemente enfrentam comentários e brincadeiras sobre suas condições físicas.
A funcionária também declarou que é mulher, LGBT e pessoa com deficiência.
Por outro lado, a crítica não ficou restrita à discussão sobre inclusão. Silvana também afirmou que o candidato identificado pelo número 22 não a representava.
A publicação ocorreu no sábado (24), um dia depois do debate presidencial.
Durante o episódio, Lula cobrou uma retratação de Flávio Bolsonaro, que posteriormente pediu desculpas pela expressão utilizada. Mais Goiás
Exoneração no governo Tarcísio ocorreu poucos dias depois da publicação
A saída da servidora aconteceu em meio à repercussão de sua manifestação nas redes sociais.
Segundo as informações divulgadas, Silvana recebeu a comunicação de sua dispensa na segunda-feira (26).
Entretanto, a formalização administrativa ocorreu posteriormente.
A Casa Civil do governo paulista registrou a exoneração em ato datado de 27 de outubro. A publicação no Diário Oficial do Estado ocorreu no dia 28, conforme outras reportagens sobre o caso.
O documento contou com a assinatura de Nerylson Lima da Silva, secretário-chefe da Casa Civil.
Além disso, a medida atingiu especificamente a função de coordenação exercida por Silvana na Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
A exoneração não significou o desligamento definitivo da funcionária do serviço público.
Secretaria afirma que exoneração ocorreu por ajustes administrativos
O governo Tarcísio apresentou uma justificativa administrativa para a saída de Silvana Gimenes.
Segundo a Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, o cargo ocupado pela servidora permitia livre nomeação e exoneração.
Além disso, a pasta afirmou que a decisão ocorreu em razão de ajustes internos na estrutura administrativa.
O secretário Marcos da Costa assumiu a responsabilidade pela medida.
Ele explicou que a secretaria precisava reorganizar atribuições e evitar a sobreposição de funções.
Por outro lado, o secretário negou que manifestações políticas ou questões pessoais da funcionária tenham influenciado sua decisão.
Portanto, a versão oficial do governo paulista atribui a exoneração exclusivamente à reorganização administrativa da pasta. Bnews
Servidora evita acusar governo Tarcísio de perseguição política
Apesar da proximidade entre a publicação e sua exoneração, Silvana Gimenes evitou acusar diretamente o governo Tarcísio de perseguição política.
Em entrevista à imprensa, a funcionária reconheceu que mudanças nas equipes administrativas fazem parte da rotina do serviço público.
Além disso, afirmou que não poderia estabelecer uma relação direta entre sua manifestação e a decisão do governo.
A servidora explicou que qualquer conclusão sobre uma possível retaliação dependeria de informações que ela não possuía.
Entretanto, reconheceu que a sequência dos acontecimentos poderia provocar questionamentos.
Silvana também relatou que o secretário Marcos da Costa comunicou ao seu superior que faria mudanças na equipe.
Posteriormente, ela recebeu a orientação de deixar o local de trabalho porque não integrava mais a coordenação.
Silvana Gimenes reafirma compromisso com inclusão e direitos humanos
Após a exoneração, Silvana voltou às redes sociais para comentar o encerramento de sua passagem pela função.
A servidora reafirmou seu compromisso com a inclusão, os direitos humanos e a democracia.
Além disso, destacou que a saída do cargo não alteraria suas convicções nem sua atuação na defesa das pessoas com deficiência.
Silvana possui paralisia cerebral e construiu uma longa trajetória profissional no serviço público.
Segundo seu relato, a exoneração representou uma situação inédita em seus 41 anos de atuação.
Entretanto, ela ressaltou que continuará defendendo as causas relacionadas à inclusão e ao respeito às pessoas com deficiência. CartaCapital+2
Governo Tarcísio e liberdade de expressão entram no debate
O episódio também trouxe à discussão a relação entre manifestações políticas de servidores públicos e decisões administrativas.
No Brasil, cargos comissionados possuem regras específicas de nomeação e exoneração.
Consequentemente, a administração pública pode substituir ocupantes dessas funções conforme suas necessidades, respeitando os limites constitucionais e legais.
Por outro lado, a liberdade de expressão também constitui uma garantia constitucional.
Uma eventual alegação de perseguição política exigiria elementos capazes de demonstrar que a manifestação motivou a decisão administrativa.
No caso de Silvana Gimenes, as informações divulgadas até agora não comprovam essa relação.
Exoneração de servidora não comprova retaliação contra críticas a Flávio Bolsonaro
A repercussão do caso envolve três acontecimentos: a declaração de Flávio Bolsonaro, a crítica de Silvana Gimenes e a decisão administrativa do governo paulista.
Entretanto, a proximidade entre esses fatos não demonstra, isoladamente, que houve retaliação política.
A própria servidora evitou fazer essa acusação, enquanto o governo Tarcísio sustentou que a medida teve razões administrativas.
Além disso, Marcos da Costa afirmou que a reorganização da secretaria motivou a substituição.
Portanto, o caso permanece marcado pela discussão sobre a coincidência temporal entre a manifestação e a exoneração.
A controvérsia também evidencia a importância de distinguir críticas políticas, decisões de gestão e eventuais violações de direitos.